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Vasseur aponta desempenho como desafio para motor independente proposto pela FIA

Chefe da Ferrari não descarta a proposta de Mohammed Ben Sulayem, mas afirma que o verdadeiro desafio seria alcançar desempenho competitivo dentro do teto orçamentário

A possibilidade de a Fórmula 1 contar com um fornecedor independente de motores escolhido pela FIA ganhou um novo capítulo após os comentários de Frédéric Vasseur. O chefe da Ferrari reconheceu que, tecnicamente, seria possível para uma fabricante desenvolver uma unidade de potência para equipes clientes, mas colocou em dúvida a capacidade de um projeto desse tipo alcançar um nível de desempenho competitivo dentro das limitações financeiras impostas pela categoria.

A ideia foi apresentada pelo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, que vem defendendo mudanças na filosofia dos motores da Fórmula 1. Entre as propostas discutidas pelo dirigente estão o eventual retorno dos motores V8, combinados ao uso de combustíveis sustentáveis e uma participação elétrica mais limitada.

Ben Sulayem também levantou a possibilidade de a FIA selecionar um fornecedor independente para atender equipes clientes. A intenção seria reduzir a dependência desses times em relação às fabricantes que possuem equipes próprias na categoria.

Atualmente, a Fórmula 1 conta com cinco fabricantes de unidades de potência: Ferrari, Mercedes, Red Bull-Ford, Honda e Audi. Ferrari, Mercedes e Red Bull são equipes fabricantes dentro da competição e tem suas clientes. Atualmente a empresa italiana fornece para mais duas equipes, enquanto a Mercedes equipa três times, além de impulsionar os seus próprios carros.

LEIA MAIS: FIA planeja fim do modelo de equipes clientes de motores na Fórmula 1 em 2031

Questionado sobre a possibilidade de um fornecedor independente assumir esse posto, em busca de tornar a categoria mais equilibrada e reduzir os conflitos de interesses, Vasseur descarou a ideia.

“Tudo é possível. Se alguém quiser fazer um motor hoje, pode fazer”, afirmou Vasseur. “É uma questão de desempenho. Às vezes podemos imaginar que fazer um motor V8 seja mais fácil do que fazer outra coisa.”

A avaliação ganha importância diante da proposta de Ben Sulayem de utilizar um motor independente para as equipes que não possuem uma fabricação de unidade de potência própria. A ideia seria criar uma alternativa financeiramente acessível e diminuir, por consequência, a influência das fabricantes sobre as equipes clientes.

Atualmente, o regulamento já determina que as equipes clientes recebam unidades de potência equivalentes às utilizadas pelas respectivas equipes de fábrica. A proposta da FIA, portanto, teria como objetivo ir além dessa exigência e criar uma opção independente para os times que desejarem reduzir custos.

Vasseur também foi questionado sobre a possibilidade de empresas especializadas, como a Cosworth, assumirem um projeto desse porte, como já aconteceu anteriormente na F1.

LEIA MAIS: FIA detalha plano para introdução dos motores V8 e estuda retorno do reabastecimento na Fórmula 1

Na visão do chefe da Ferrari, desenvolver fisicamente uma unidade de potência não seria o maior obstáculo. O problema estaria em fazer isso com recursos limitados e, ao mesmo tempo, alcançar o desempenho necessário para competir contra fabricantes estabelecidas na Fórmula 1.

“Construir o motor não é complexo. O que é complexo é o nível de desempenho. Se você pensar que com o limite de custos, acho que este exercício é muito difícil de ser bem-sucedido com os limites de gastos”

A declaração expõe um dos principais dilemas da proposta. Um fornecedor independente poderia reduzir os custos para as equipes clientes, mas precisaria desenvolver uma unidade capaz de competir com fabricantes que possuem décadas de experiência, grandes estruturas e investimentos específicos em tecnologia.

Além disso, as oportunidades de atualização dos motores são determinadas pelo sistema ADUO da FIA, o que também limita a possibilidade de uma fabricante recuperar rapidamente uma eventual desvantagem de desempenho.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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