A McLaren deixou escapar uma vitória que parecia encaminhada no GP da Espanha, mas, para Andrea Stella, o resultado em Madri foi muito mais consequência de um timing cruel do Virtual Safety Car do que de uma decisão estratégica equivocada. O chefe da equipe admitiu a frustração com a terceira colocação de Lando Norris, mas defendeu a escolha de colocar o britânico nos boxes para pneus novos.
Norris largou da pole e conseguiu controlar a primeira parte da corrida com autoridade. O britânico segurou Kimi Antonelli na primeira volta e, aos poucos, construiu vantagem sobre os adversários, administrando os pneus em um circuito onde as ultrapassagens eram consideradas particularmente difíceis.
A situação mudou quando o Virtual Safety Car foi acionado para a retirada do Aston Martin de Lance Stroll. Antonelli e Max Verstappen aproveitaram a neutralização para realizar suas paradas, enquanto Norris já havia passado pela entrada dos boxes quando o VSC foi declarado.
Quando Norris finalmente teve a oportunidade de entrar nos boxes, a neutralização já estava chegando ao fim e o piloto recebia o alerta de bandeira verde. A McLaren decidiu mesmo assim chamar o piloto, que sofreu ainda com uma parada de aproximadamente sete segundos, por um problema no pit-stop.
O resultado foi uma queda para a quinta posição, obrigando Norris a recuperar terreno durante a segunda metade da corrida. O britânico conseguiu reagir e terminou no pódio, mas viu uma vitória que parecia estar ao alcance escapar pelas circunstâncias da neutralização.
Stella explicou que o problema não estava simplesmente em escolher entre parar ou permanecer na pista. Para o chefe de equipe, ficar na pista também significaria perder a liderança posteriormente, já que Norris estava utilizando pneus médios usados e teria de realizar uma parada antes do fim da corrida.
Largando da pole position, liderando a corrida e com um ritmo incrível… esta teria sido uma corrida ganha por muitos segundos, e terminamos em terceiro lugar.
“A realidade é que, nas corridas, existem elementos que você pode controlar e outros que não. O Safety Car Virtual entrou alguns segundos tarde demais – Lando já tinha passado da entrada dos boxes – e depois entrou alguns segundos cedo demais, porque a corrida terminou assim que ele entrou nos boxes.”
Segundo Stella, a equipe teria sido obrigada a parar mais cedo caso Norris permanecesse na pista, já que os pneus médios estavam desgastados e apresentavam sinais de degradação. Nesse cenário, a McLaren acabaria realizando uma estratégia semelhante à adotada por Charles Leclerc.
O chefe da McLaren classificou o momento do Virtual Safety Car como extremamente desfavorável. Norris passou pela entrada dos boxes poucos segundos antes da neutralização ser acionada e, quando finalmente conseguiu parar, o período de VSC estava terminando.
Para Stella, a combinação desses dois fatores transformou uma situação potencialmente confortável em um grande prejuízo para Norris.
“A lógica é que, se você permanecer na pista, estará usando pneus médios usados, que já estão granulados, o que significa que, em algum momento, você terá que parar nos boxes atrás daqueles que já pararam com pneus duros. Portanto, será uma corrida semelhante à de [Charles] Leclerc.”
“Na verdade, teríamos parado nos boxes ainda mais cedo, porque o pneu médio terminaria antes, então não havia realmente outra opção a não ser manter a liderança.”
“Precisávamos aceitar que o momento foi extremamente infeliz e, como eu disse, é uma corrida positiva no geral.
“Os elementos que não pudemos controlar fizeram diferença, mas aqueles que pudemos controlar nos deixam muito otimistas em relação ao futuro.”
Apesar da frustração, Stella ressaltou que o desempenho apresentado no Madring foi um dos principais pontos positivos do fim de semana. Norris havia conquistado a pole de maneira impressionante no sábado e manteve um ritmo forte durante a corrida.
A performance no novo circuito da Fórmula 1 chamou a atenção, especialmente após o cenário menos favorável que foi observado em Monza. A McLaren ainda tem boas chances de capitalizar pontos nas próximas etapas.
A avaliação também foi compartilhada pelos adversários. Max Verstappen, que terminou à frente de Norris, afirmou que o britânico tinha sido mais rápido que os demais durante a prova. Antonelli também reconheceu que Norris merecia vencer, em entrevista dada logo depois do encerramento da prova.
O próprio resultado reforça a evolução da McLaren. Depois das vitórias de Norris na Hungria e na Holanda, a equipe voltou a mostrar competitividade em um circuito com características bastante diferentes.
Para Stella, esse é justamente o aspecto que merece ser levado para as próximas etapas.
Apesar de perder uma oportunidade clara de vitória, Stella considera que a performance em Madri representa um sinal positivo para o restante da temporada. A capacidade de Norris de ser competitivo em um traçado diferente dos circuitos nos quais a McLaren havia se destacado anteriormente aumenta a confiança da equipe.
“Foi apenas muita falta de sorte, mas quero acreditar que a mensagem positiva de um McLaren tão competitivo num traçado de circuito muito diferente de Zandvoort e da Hungria é muito encorajadora para o futuro.
“Aceitamos a derrota. Hoje fomos rápidos demais para vencer a corrida, porque se tivéssemos sido um pouco mais lentos, teríamos chegado aos boxes! Estamos sorrindo e ansiosos pelo resto da temporada.”
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