O GP da Espanha esteve longe de ser o ideal. O circuito de Madring não entregou o “entretenimento prometido” e, se a expectativa era uma corrida caótica e imprevisível, o que se viu foi justamente o contrário: uma prova monótona, com apenas quatro ultrapassagens e um resultado diretamente influenciado por um Virtual Safety Car na volta 14.
A vitória ficou com Andrea Kimi Antonelli, em uma situação que, olhando para o desenrolar da prova, praticamente caiu no colo do piloto italiano. Obviamente ele aproveitou a oportunidade de emplacar a 8ª vitória e ficar cada vez mais perto do título. Mas, antes de chegar a essa parte da corrida, precisamos voltar um pouco e entender o cenário que cercava a estreia do circuito.
O Madring, além de ser uma pista mista, é um traçado bastante estreito e desafiador. Algumas curvas cegas e a forma como os carros precisam se posicionar para conseguir sair de uma curva e entrar na seguinte fizeram com que pilotos e público acreditassem que o evento poderia ser marcado por acidentes.
O teste da Fórmula 3, realizado antes da estreia oficial do circuito, também foi encarado como um sinal de alerta. Ao longo da sessão, foram registradas 19 bandeiras vermelhas, reforçando a percepção de que o traçado poderia proporcionar um fim de semana complicado. No entanto, os principais problemas ficaram concentrados nas categorias de base, enquanto os pilotos da Fórmula 1 adotaram uma postura bem mais cautelosa ao longo do evento.
Arvid Lindblad bateu durante o TL2, enquanto Oliver Bearman também sofreu um acidente no fim da mesma sessão. Lewis Hamilton, por sua vez, escapou no TL3 e danificou a asa dianteira de seu SF-26, sem maiores consequências para o carro.
Outros erros foram observados ao longo das sessões, com pilotos escapando na curva 5, andando mais vezes próximos aos muros de contenção e dando alguns toque, mas nada que realmente atrapalhasse.
Na corrida, a expectativa era de que a prova fosse marcada por Virtual Safety Cars, pelo Safety Car e até mesmo por bandeiras vermelhas. No fim, porém, a única neutralização aconteceu justamente por conta do abandono de Lance Stroll.
E foi esse incidente que acabou pautando a corrida.
Após largar da pole position, Lando Norris assumiu a liderança e controlava a prova com relativa tranquilidade. Até que, no giro 14, Stroll parou seu carro, provocando o Virtual Safety Car.
Norris não conseguiu entrar nos boxes no momento em que a prova foi neutralizada. Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen, por outro lado, aproveitaram a oportunidade e fizeram suas paradas. A McLaren decidiu chamar Norris para os boxes na volta 15, quando os pilotos já recebiam a sinalização de bandeira verde e a neutralização estava chegando ao fim.
Foi o suficiente para Norris perder a liderança da corrida — e o que parecia ser uma vitória bastante encaminhada.
Com a prova concluída, fica mais fácil entender a decisão da McLaren, mas também o tamanho do prejuízo. A equipe apostava em uma corrida mais movimentada, com a possibilidade de uma segunda troca de pneus e novas oportunidades de estratégia. Nada disso, porém, aconteceu.
Na visão da McLaren, manter Lando na pista naquele momento também apresentava riscos. O britânico havia largado com pneus médios, que já apresentavam um nível considerável de desgaste após 14 voltas. Ou seja, mesmo sem o Virtual Safety Car, a equipe provavelmente precisaria antecipar a parada de Norris para evitar uma perda ainda maior de desempenho.
A outra opção seria deixar Lando na pista e apostar em algum novo acontecimento que pudesse alterar o cenário da corrida. Foi justamente a estratégia escolhida pela Ferrari com Charles Leclerc, mas o cenário do monegasco era um tanto diferente: ele havia largado com pneus duros, que apresentaram um desempenho muito melhor ao longo do primeiro stint.

O pit- stop da McLaren também foi um desastre, prejudicando ainda mais a forma como Norris retornou para pista e a necessidade de remar para brigar pelo pódio.
Leclerc assumiu a liderança virtual da corrida depois que Norris deixou a ponta e permaneceu nessa condição até o giro 48, quando finalmente precisou cumprir sua parada obrigatória. O piloto da Ferrari colocou pneus macios e retornou à pista para terminar a corrida na quarta posição.
Essa era justamente a posição pela qual Leclerc vinha brigando desde o momento em que a Ferrari decidiu não realizar a parada durante o Virtual Safety Car.
Andrea Kimi Antonelli surgiu na ponta, por conta de uma parada perfeita e mais um grande trabalho na classificação. Max Verstappen desafiou o jovem piloto pela vitória, mas o piloto da Mercedes foi aguerrido.
Um duelo particular entre Norris e Verstappen, também foi observado ao longo da corrida, mas novamente o estilo do traçado acabou impedindo que a disputa se desenvolvesse em uma troca de posições. Por fim, o segredo para terminar a prova em Madri, foi fazer uma corrida segura e evitar um dano nos equipamentos, especialmente nesta reta final do campeonato, enquanto os orçamentos já estão apertados.
Os pneus da rodada
Todos os compostos da gama intermediária de pneus foram usados. Acreditava-se inicialmente que a corrida seria difícil para os compostos, já que as temperaturas estavam bem elevadas.
Os pilotos que foram ao pódio optaram por uma estratégia de apenas uma parada. Antonelli e Norris largaram de pneus médios e fizeram a maior parte da prova de pneus duros. Max largou com os pneus macios e também passou para os pneus duros.
Leclerc que terminou a quarta colocação, fez 48 voltas com os pneus duros e terminou a corrida com compostos macios. Apenas Pierre Gasly completou mais voltas com os pneus duros, já que o francês largou com esse composto e foi ao pit apenas o giro 55, para instalar os pneus macios, cumprindo com a parada obrigatória. Os pneus de fato duraram mais que o esperado.
A Audi apesar de usar bastante os pneus médios nos treinos livres, apostou em uma estratégia de apenas uma parada desde o começo. A equipe alemã dividiu a estratégia, Hülk largou com os pneus macios e foi para os pneus duros no VSC, já Gabriel Bortoleto fez a mesma estratégia que Leclerc, parando na volta anterior a do monegasco que também largou com os duros.

George Russell acabou em uma estratégia de duas paradas e isso deu espaço para Norris evoluir na corrida. O britânico terminou a corrida atrás de Leclerc, o time da Mercedes acreditou que em algum momento aqueles pilotos que estavam tão embolados precisariam de uma segunda troca de pneus, mas essa se mostrou uma escolha muito equivocada.
O Circuito de Madring, pelas características da pista passou pelo emborrachamento ao longo das sessões e isso reduziu o consumo dos pneus. Talvez para o próximo ano seja necessário usar uma gama mais macia na corrida.
A Fórmula 1 passa por uma breve pausa, antes de retornar entre 24, 25 e 26 de setembro para disputa do GP do Azerbaijão.
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