ColunistasDestaquesFórmula 1Post

FIA detalha plano para introdução dos motores V8 e estuda retorno do reabastecimento na Fórmula 1

Mohammed Ben Sulayem revela que entidade avalia fornecedor independente de motores, redução da parte híbrida e possível volta do reabastecimento para diminuir o peso dos carros na próxima era da F1

A FIA já começou a discutir os próximos passos do novo ciclo regulamentar da Fórmula 1. Entre as mudanças em estudo, o retorno dos motores V8 ganha cada vez mais força e desponta como uma das principais alternativas para atender aos objetivos da entidade para a próxima geração de carros. Durante o GP da Grã-Bretanha, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, revelou novos detalhes sobre as discussões envolvendo o futuro da categoria.

Nos bastidores, tanto Ben Sulayem quanto o CEO e presidente da Fórmula 1, Stefano Domenicali, têm defendido publicamente a volta dos motores V8. A proposta é que a mudança seja implementada a partir de 2031, em conjunto com uma nova era da categoria. Antes disso, porém, FIA, Fórmula 1 e fabricantes ainda precisarão alinhar diversos aspectos técnicos, financeiros e regulatórios para viabilizar o projeto.

Entre as propostas discutidas pela FIA para o próximo ciclo de motores, uma das que ganha força prevê a criação de um fornecedor independente de unidades de potência. A iniciativa busca oferecer às equipes uma alternativa aos atuais fabricantes, reduzindo a dependência das montadoras e a desvantagem competitiva.

A ideia em análise é que a FIA homologue um fabricante independente — para desenvolver um motor V8 padronizado, pronto para uso e com custo controlado, que possa ser adquirido por qualquer equipe interessada.

“Não haverá controle sobre as equipes, a equipe A sobre a equipe B, que receberá seus próprios motores”, disse Sulayem para imprensa durante o GP da Grã-Bretanha.

“Se for viável financeiramente, teremos um motor para as outras equipes B, assim ninguém poderá pressioná-las e dizer: ‘Votem desta forma ou não lhes daremos um bom motor’.”

Essa seria uma forma de fortalecer as equipes independentes, além de dar mais poder para eles. O método também contribuiria para enfraquecer o trabalho conjunto entre equipes subsidiária, mas esse é um tópico que certamente precisaria de mais refinamento,

“Será um motor selecionado pela FIA que será disponibilizado às equipes. Assim, controlamos a neutralidade, controlamos o poder e o dinheiro. Não podemos simplesmente entregar tudo e dizer ‘vão lá e façam o que quiserem com X, Y e Z’. Os preços podem subir e descer, mas a FIA será sempre a juíza.

“Então você terá [novos] fabricantes de unidades de potência, talvez em número superior ao [atual]. Isso é bom.”

O retorno dos motores V8, vem atrelado com um pacote sustentável, além de unidades de potência menos complexas e mais baratas, proporcionando uma redução no desenvolvimento e produção.

Para Sulayem, essas unidades também serão mais leves. Embora a categoria ainda deva trabalhar no campo dos motores híbridos, eles teriam menos impacto e desta forma também reduziria o peso.

“Nosso objetivo é reduzir o peso do carro em 100 kg”, acrescentou, numa medida que ele acredita que também melhorará a segurança. “Não se trata do negócio [da F1], mas sim da vida dos pilotos, que é o mais importante.”

Sobre a parte híbrida, Sulayem fala em algo em torno de: “Poderia ser 10%, poderia ser 15%. Mas não chegará ao que temos agora, com a eletrificação em 46% ou algo assim.”

“Não queremos passar pelo problema atual, em que alguns pilotos estão tirando o pé do acelerador em linha reta. Não é isso que queremos – então, aprendemos a lição.”

Também está em debate se esses motores V8 serão aspirados ou turbos. Algo que seria necessário estabelecer uma conversa com os fabricantes e definir o que seria melhor para maioria.

“Um turbo significa muito peso e muito dinheiro”, disse ele. “E depois você tem uma bateria [que é pesada].”

“E o que faz um turbo? Ele elimina o som. Então, para mim, hoje, acredito que seja um turbo ou uma bateria, uma das duas. E a FIA deveria liderar. Se ficarmos dando voltas em círculos, não chegaremos a nenhuma conclusão.”

Outro tema que passou a integrar as discussões sobre o retorno dos motores V8 é a possível volta do reabastecimento durante as corridas. A proposta surge como uma alternativa para ajudar a cumprir um dos principais objetivos da FIA para a próxima geração de carros: reduzir significativamente o peso dos monopostos.

Embora os motores V8 naturalmente aspirados sejam vistos como uma solução para simplificar a categoria e reduzir custos, eles também apresentam um consumo de combustível superior ao dos atuais V6 híbridos. Isso significa que, sem mudanças no regulamento esportivo, as equipes precisariam transportar uma quantidade maior de combustível desde a largada, comprometendo parte do ganho obtido com a redução de peso dos carros.

Durante a era dos motores V8, até 2009, o reabastecimento permitia que os carros largassem com tanques menores, normalmente entre 90 e 100 litros, em torno de 70 kg. Com a proibição da prática em 2010, a capacidade dos tanques praticamente dobrou para que fosse possível completar toda a corrida sem paradas para abastecimento. Atualmente, mesmo com a eficiência dos motores híbridos, os carros iniciam as provas transportando pouco mais de 100 kg de combustível.

“É claro que, se você quiser completar a corrida, precisa de um tanque maior ou terá que parar. Então, isso é algo que vamos analisar.”

Ciente desse desafio, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, confirmou que a entidade estuda os impactos técnicos e esportivos de um eventual retorno do reabastecimento.

Embora as questões de segurança tenham impactado na decisão da retirada do reabastecimento, Sulayem sabe dos riscos, mas ainda é necessária uma avaliação completa sobre o caso.

“Não é um problema se for feito da maneira correta”, disse ele. “Estamos estudando isso e nada foi feito ainda.”

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo