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O EPrix de Valência deixou um gosto amargo que a Fórmula E precisa se livrar

Entenda como ficou a classificação final da conturbada corrida deste sábado

O fim de semana no Circuito Ricardo Tormo começou controverso, para dizer o mínimo. 

Uma corrida bastante movimentada com diversas entradas do Safety Car e um final bastante confuso marcaram a primeira passagem da Fórmula E em corrida oficial na Espanha.

A expectativa por uma etapa em um autódromo permanente animou fãs, pilotos e equipes, mas a chuva que caiu no local mostrou que a Fórmula E ainda não está pronta para um circuito com essas características – um alerta que Jean-Eric Vergne e Lucas di Grassi fizeram à imprensa estrangeira ainda na quinta-feira.

Se o grande temor era a anulação de tempos de volta por causa dos limites de pista, quem trouxe o anticlímax para o fim da corrida foi a dedução da quantidade de energia da bateria devido às interrupções causadas pelo Safety Car e pela bandeira amarela total.

De acordo com a regra válida desde a temporada cinco, 1 kW é descontado de cada bateria a cada minuto de interrupção. Isso acontece para que nenhum piloto tente tirar vantagem dos momentos de consumo reduzido. A ideia é se aproximar do consumo que cada bateria naturalmente teria se a corrida tivesse continuado normalmente.

Quem acompanha a Fórmula E há mais tempo, sabe que diversas provas acabaram com carros andando com energia mínima. Pilotos como Pascal Wehrlein, Antonio Félix da Costa, Sebastien Buemi e Felipe Massa são alguns dos nomes que já tiveram bons resultados jogados fora para economizarem energia da bateria. Faz parte do jogo.

O problema é que na corrida deste sábado a perda de energia foi generalizada, dando um aspecto totalmente artificial que deixou a sensação de que a corrida não foi bem gerenciada pela direção de prova. Inclusive com acusações do público de que a quantidade de energia deduzida foi maior do que a realmente devida.

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Cada carro iniciou a corrida com 52 kW de potência. Com as inúmeras interrupções, 19 kW foram retirados de cada unidade que ficou com apenas 33 kW para dar 24 voltas que giravam em torno de 1:40. 

Apenas oito pilotos conseguiram terminar a prova sem grandes sacrifícios de energia. O que se viu nas últimas duas voltas em Valência chegou a ser constrangedor para grande parte do público e da imprensa. 

As declarações dos pilotos após a corrida continham um tom sério, mas não acusatório. Até porque eles não sabiam o que ou quem acusar. Fato que não se aplica aos fiscais da FIA, eles têm plena certeza de que não fizeram nada de errado e não pretendem mudar em nada a execução do regulamento para a corrida de domingo. 

O diretor da Fórmula E da FIA e de projetos esportivos inovadores, Frederic Bertrand, disse ao site Motorsport.com que considerou “surpreendente” a decisão de Félix da Costa cruzar a linha de chegada faltando 15 segundos para o cronômetro zerar. Como a duração das corridas da Fórmula E é de 45 minutos + 1 volta, todo o grid teve que dar duas voltas a mais, mesmo com grande parte dele tendo energia para apenas mais uma. 

Da Costa se defendeu pelo Twitter: “Desculpe, mas não posso aceitar isso. Se eu fosse AINDA mais devagar durante o SC, quantas equipes teriam protestado no final? E mais, se eu fosse mais devagar, eles teriam reduzido a energia ainda mais. Hoje estava somente nas mãos da FIA ter salvado a todos nós disso”.

Em todo caso, uma pergunta que não pode deixar de ser feita é: por que um terço do grid conseguiu gerenciar sua energia corretamente e o restante não? A dedução de energia é feita igualmente em todas baterias.

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Claro que é uma situação inédita para a Fórmula E, mas parecia ser uma “tragédia anunciada” e aconteceu logo em um momento de grande expectativa que frustrou uma comunidade inteira e certamente deixou uma impressão negativa em uma categoria que já é altamente estigmatizada.

Resta torcer para que o domingo seja menos complicado, ainda mais com a direção da prova jogando toda a responsabilidade para os pilotos. “Acho que todo mundo sabe o que fazer amanhã. Tenho certeza que todo mundo já aprendeu”, disse Bertrand. 

Tomara mesmo que TODOS tenham aprendido.

No fim, a classificação da corrida ficou assim. E a tabela do campeonato de pilotos e construtores está disponível logo depois. 

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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