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Vencedores se defendem em meio à confusão em Valência: “sabíamos que poderia acontecer”

Na coletiva pós-corrida, de Vries, Müller e Vandoorne compartilharam suas opiniões sobre o confuso EPrix de Valência

A primeira corrida deste fim de semana em Valência viu o caos ser completamente instaurado nas últimas voltas. A Fórmula E vem recebendo, desde então, uma enxurrada de críticas por parte do público e da imprensa. Mesmo assim, os vencedores do EPrix afirmaram ter ciência dessa possibilidade: “sabíamos que poderia acontecer”, disse Stoffel Vandoorne.

Nico Müller disse repetidas vezes que a situação era confusa até para ele e Nyck de Vries resumiu que a história é complicada, mas ao mesmo tempo muito simples. 

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De Vries disse que não percebeu que a corrida estava tão caótica porque estava focado em economizar energia para atacar Félix da Costa. “Faltavam duas voltas para acabar a corrida e eu vi que o limite de energia caiu significativamente. Percebi que o Antonio desacelerou e passei a ser pressionado pela Mahindra. Eu sabia que tinha vantagem de 3% em relação aos outros carros”.

“Eu ainda queria economizar energia para não perder a posição, mas na volta final todo mundo desapareceu.

“Mas estou feliz com o resultado, tive um fim de semana difícil em Roma, com uma punição. E hoje a equipe fez um trabalho incrível em circunstâncias que não foram fáceis. A corrida atrás de mim estava maluca, mas para mim foi um resultado bem satisfatório.

Nico Müller, Nyck de Vries e Stoffel Vandoorne na entrevista coletiva pós-corrida. Imagem: divulgação Fórmula E.

Nico Müller revelou que as coisas estavam bem confusas dentro do carro e que precisou de muita comunicação com o engenheiro. “Eu ainda estava bem atrás quando a relargada aconteceu, acho que era o último da fila”.

Ele disse que viu os números mudarem e ficou se perguntando se aquilo estava certo. “Me assegurei que estava tudo correto e fiquei mais feliz a cada volta porque fui ganhando uma posição atrás da outra. Acho que isso recompensa o trabalho duro da equipe, mesmo que eu ainda esteja tão confuso quanto vocês.

“Quando você começa a corrida com um drive through na segunda volta, vai para a brita duas vezes depois de ser tocado por alguém – uma dessas pessoas está aqui (falando sobre Vandoorne que levantou o braço no mesmo instante) – é bem surpreendente, mas uma surpresa positiva”.

“Só estou entendendo a corrida melhor agora. Na hora não entendi por que o Antonio cruzou a linha para fazer as duas voltas. Acho que não foi de propósito, caso contrário ele estaria aqui. E isso só mostra o quanto é difícil gerenciar [o carro] essas corridas, mesmo quando se tem experiência. Mesmo quando você sabe o que está fazendo, vou pode dar um passo em falso e pagar um preço alto por ele”. 

Sobre gerenciar o consumo da bateria para ter energia suficiente para cruzar a linha de chegada e não ser desclassificado, Nico Müller disse que os carros possuem sistemas que previnem o consumo excessivo energia se forem configurados corretamente.

“Acho que algumas pessoas erraram na hora de atualizar esses números. Normalmente temos pessoas bem inteligentes que configuram isso e acho que hoje não deu certo para alguns”.

“Como Nico disse, é bem estressante configurar todos esses ajustes no carro”, afirmou Vandoorne, “algumas pessoas obviamente fizeram isso errado, mas para nós não foi um problema”.

Os três pilotos foram perguntados sobre o que achavam da impressão que a categoria tinha passado para o público pela transmissão da TV. Nico Müller foi categórico: “Não vi pela TV, não sei dizer”.

Vandoorne disse que também não viu pela TV, mas que “sendo sincero, provavelmente pareceu meio bobo terminar a corrida dessa forma. Não é assim que você quer que uma corrida acabe. Você quer que ela termine como uma corrida, com os pilotos próximos uns dos outros”.

“Mas nós sabíamos que isso poderia acontecer, sabíamos que tinha uma chance. E foi provavelmente naquela janela… O Antonio não foi devagar o suficiente para dar apenas mais uma volta. Não sei que tipo de comunicação houve entre ele e o engenheiro, se o tempo era  longo demais para diminuir a velocidade. Mas havia uma pequena janela que isso poderia acontecer e aconteceu hoje.

“Claro que é a primeira vez na Fórmula E. Não me surpreenderia se as coisas mudassem no futuro com base nisso”.

Nyck de Vries acrescentou que “ao mesmo tempo que era confuso, também era relativamente claro. Se você cruza a linha de chegada e não é última volta, ainda restam duas voltas pela frente. Se você só tem [energia para] uma volta no carro, então obviamente você não vai até o final.

“Acredito que existem coisas no campeonato que podem mudar de vez em quando. Acho que pode ter parecido bobo sim, mas também foi bem executado pelas nossas equipes e acho que as outras confundiram algumas informações. Crédito para o trabalho deles”. 

Pivô da confusão, Antonio Félix da Costa deu duras declarações após a corrida: “Estou aqui desde o começo, são sete anos tentando convencer as pessoas que somos uma categoria profissional e séria. Acho que algumas pessoas não se convenceram nos assistindo hoje porque esse não é o final que deveríamos ter correndo em um circuito permanente”. 

Ele afirmou ainda que não gostaria de culpar a FIA, mas que “eles têm o poder de fazer isso diferente”.

“Tenho certeza de que eles não estão felizes com o que aconteceu. Ninguém está feliz. Não deveríamos estar culpando uns aos outros. Para mim, devemos aprender com os erros e o paddock inteiro ficará melhor”, finalizou o português que acabou sendo desclassificado da corrida. 

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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