Durante o GP de Mônaco, Andrea Kimi Antonelli conduziu como um piloto experiente e cravou a 5ª vitória consecutiva na Fórmula 1. O italiano conseguiu um ritmo forte ao longo de toda corrida e novamente manteve o controle, enfrentando duas relargadas, para vencer a prova no Principado com folga.
O evento no circuito de rua, foi a primeiro depois de uma sequência de provas Sprint, que forneceu para as equipes um campo para avaliar os carros, durante três sessões de treinos livres. No entanto, os carros em Mônaco têm uma configuração especial, já que uma configuração de mais downforce se faz necessária.
O equipamento passa por toda uma revisão, desde asas, até suspensão e outros ajustes no conjunto aerodinâmico para favorecer as características do traçado. Desta forma, quando as equipes chegaram ao Principado eles precisaram trabalhar para se adequar a outro fim de semana um tanto limitante.
A Ferrari começou o fim de semana na liderança, mas a Mercedes recuperou a força no sábado, especialmente com Andrea Kimi Antonelli – que travou uma batalha pela ponta contra Max Verstappen e Lewis Hamilton.
No entanto, um pouco antes disso, as equipes realizaram as suas verificações, tentando atestar o conjunto aerodinâmico escolhido, mas também em busca de validar a eficiência dos pneus. Porém, a sexta-feira e o sábado tiveram temperaturas mais “amenas”, comparadas ao cenário do domingo. Foi durante a corrida que alguns pilotos relataram problemas relacionados ao desgaste dos compostos médios e duros.
A corrida em Mônaco nos últimos anos foi pautada pela estratégia de apenas uma parada. Em 2024, uma bandeira vermelha logo depois da largada, abriu espaço para que os competidores realizassem as suas trocas obrigatórias de pneus e assim eles completaram a corrida fazendo uso de um único composto ao longo de 78 giros.
Geralmente o desgaste dos pneus em Mônaco é baixo, mas no domingo alguns pilotos apresentaram um desgaste importante nos compostos, especialmente nos pneus traseiro, como foram os casos de George Russell e Isack Hadjar.
Dos 22 pilotos, apenas três competidores escolheram iniciar a corrida com os pneus macios, foram eles: Valtteri Bottas e Sergio Pérez (dupla da Cadillac) e Gabriel Bortoleto (Audi) que enfrentou problemas e largou dos boxes.
Com a possibilidade de um Safety Car pintar na corrida, os competidores oparam por iniciar com esses pneus, fazer a troca obrigatória ainda no início da corrida e galgar posições conforme o restante do pelotão fosse aos boxes. Pela dificuldade de ultrapassar em Mônaco, é possível optar por uma estratégia um pouco mais ousada, tentando se beneficiar de ocorrências ao decorrer da prova.

Conforme a corrida foi avançado, as equipes levaram em consideração a situação dos pneus dos seus pilotos, mas também a evolução da prova com relação as punições.
O GP de Mônaco foi pautado por algumas punições atreladas ao limite de velocidade nos boxes – por conta de como a medição é feita, combinada com uma alteração no pit-lane para comportar os boxes da Cadillac, alguns pilotos ao cumprir as suas paradas obrigatórias, foram surpreendidos com uma punição de 5 segundos.
As corridas de Pierre Gasly, George Russell e Lewis Hamilton movimentaram o evento por conta dessas punições, no entanto, foi o abandono de Lance Stroll que ‘deu um efeito’ para essas punições.
Ao receberem cinco segundos de punição era esperado que esse tempo fosse acrescentado ao tempo final dos competidores ao término da prova. Porém, quando Lance Stroll bateu e trouxe o Safety Car para pista, os pilotos ganharam uma nova chance de parar nos boxes.
A Ferrari optou por cumprir a punição de Lewis Hamilton, livrando o competidor da penalidade e dando a chance dele e de Charles Leclerc se enfrentarem em pista por uma melhor posição nos boxes. Como o heptacampeão estava à frente do monegasco, parou primeiro, cumpriu a punição e recebeu os novos pneus. Mas Leclerc perdeu tempo em sua troca de pneus; a Ferrari ainda sendo Ferrari, fez com que o monegasco basicamente cumprisse a mesma punição que Hamilton, mesmo não tendo uma.
Dentro da Ferrari isso trouxe uma divergência. Leclerc que tinha parado na volta 35, quando o acidente de Stroll aconteceu no giro 60, não achava necessária uma troca extra de pneus. O competidor reclamou da estratégia da equipe, mas mesmo assim acabou cumprindo a parada. Na relargada que ocorreu na volta 68, o monegasco bateu no mesmo ponto que Stroll e trouxe uma bandeira vermelha. O dono da casa culpabilizou os freios do SF-26 pelo abandono.
Quando a corrida foi neutralizada na volta 60, alguns pilotos – como foi o caso de Russell e Gasly – não cumpriram as punições. Na Mercedes a equipe se atrapalhou e ninguém recordou que o competidor tinha uma punição, por isso fizeram a troca de pneus normalmente, pois viram uma oportunidade de manter viva a disputa de Russell com Isack Hadjar da Red Bull.
Nos boxes da Alpine, a equipe não cumpriu a punição, pois acreditava que ela estava errada, já que carros de diferentes equipes foram punidas pelo mesmo motivo. O time francês ao final da corrida entrou com um recurso para revisar a punição, pois acreditam que o pódio perdido, deve retornar para equipe francesa.
Após a bandeira vermelha, a Mercedes chamou Russell aos boxes para cumprir a punição – o movimento tirou o piloto da frente de Pierre Gasly e sem Leclerc em pista, o competidor entrou no duelo pelo pódio. Para Russell, cumprir a punição tardiamente, contribuiu para que ele perdesse o pódio, assim como a chance de pontuar na prova.
Gasly que contava com duas punições por excesso de velocidade no pit-lane, teve 10 segundos acrescentados ao tempo final da sua corrida e caiu de terceiro, para sétimo lugar. Pérez que vinha de uma corrida também marcada por investigações e punições, recebeu uma nova punição ao final da corrida – por posição incorreta na relargada – e perdeu o primeiro e único ponto da Cadillac.
A punição do mexicano liberou espaço para Fernando Alonso com a Aston Martin, faturar o único ponto da equipe britânica até este momento na temporada 2026.
Apesar da Audi com Bortoleto investir em uma parada na primeira volta da corrida e instalar os pneus duros para o final da prova, o brasileiro parou uma segunda vez no giro 43 para colocar pneus médios e novamente na 59 para colocar pneus macios – motivado pela entrada do Safety Car. Apesar do reagrupamento do grid, o brasileiro não conseguiu chegar na zona de pontuação.
Nico Hülkenberg também fez a sua primeira parada muito cedo, na volta 12 e só trocou os compostos novamente na bandeira vermelha provocada pelo acidente de Leclerc, mas o alemão ficou ainda mais distante de pontuar.
Em teoria, grande parte das equipes tentou seguir com a estratégia de apenas uma parada. Andrea Kimi Antonelli foi o que parou mais tarde entre os ponteiros, sua troca ocorreu no giro 37. Em um momento da prova, quando Peter Bonnington, engenheiro do italiano mencionou uma segunda parada para Antonelli – em caso de entrada de Safety Car, o italiano tentou impedir essa ideia.
Porém, do lado da Mercedes, o carro de George Russell apresentava um desgaste elevado dos pneus e com o reagrupamento do grid, seria ruim para o líder ficar com pneus duros, contra adversários de pneus macios mais novos. Mas Antonelli quase perdeu a oportunidade de trocar os pneus em Safety Car, já que tinha passado da entrada dos boxes quando a corrida foi neutralizada. Graças a sua vantagem para os rivais, no giro seguinte (61) ele fez a troca de pneus.
O final da prova, por conta da bandeira vermelha gerou uma corrida Sprint, mas Antonelli tinha todo o domínio sobre a sua prova.
Os três tipos de pneus foram usados nessa corrida, mas foi preferível deixar os pneus macios para o final da corrida. Fernando Alonso e Lance Stroll foram os competidores que investiram em uma estratégia em que o pneu macio seria usado por mais de 50 voltas. A escolha da Aston Martin mostrou que esses compostos também eram válidos para corrida e poderiam entrar na estratégia de outros competidores.

A melhor volta da corrida foi de Andrea Kimi Antonelli, o competidor usou os três tipos de pneus em sua corrida e conseguiu ser o mais rápido com todos os compostos.
O conjunto traseiro de pneus foi o que apresentou o desgast mais elevado, por conta das inúmeras fases de tração durante a corrida e também estava mais propenso ao desgaste.
Ainda sobre a escolha de Hamilton com a Ferrari, o heptacampeão parou cedo – ainda no giro 28, levando o piloto questionar essa parada tão cedo, quando comparado com o líder e os rivais que estavam perto. Essa troca de pneus antecipada e a parada de Leclerc no giro 35, permitiu uma aproximação do companheiro de equipe e se a corrida tivesse seguido sem a intervenção do Safety Car, Hamilton corria a chance de ser superado por Leclerc.
A ultrapassagem do monegasco ainda seria difícil, por ser um circuito estreito, mas Hamilton ainda tinha a punição de cinco segundos para cumprir.
O asfalto na curva 19, do trecho que foi recapeado começou a se soltar com o decorrer da prova e contribuiu para o acidente de Stroll e Leclerc. Apesar do problema naquela parte da pista, o ritmo normal da corrida foi estabelecido e eles fizeram uma “mini-sprint” em Mônaco.
Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!
O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!
Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.
Descubra mais sobre Boletim do Paddock
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





