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Red Bull mostra evolução com Verstappen e Hadjar, mas ainda busca o salto de desempenho em 2026

Equipe austríaca ocupa a quarta posição no Mundial de Construtores, ainda busca a primeira vitória do ano e tenta equilibrar a evolução do RB22 com o desenvolvimento do projeto para 2027

A Red Bull ocupa atualmente a quarta colocação no Mundial de Construtores, com 177 pontos. Diferentemente de Mercedes, Ferrari e McLaren, a equipe austríaca ainda não venceu em 2026, e seu primeiro pódio da temporada veio apenas no GP do Canadá, com Max Verstappen.

A mudança radical no regulamento técnico, acompanhada pela introdução das novas unidades de potência, também provocou uma transformação importante dentro da estrutura da Red Bull. Diante da participação volátil da Honda na Fórmula 1, a equipe decidiu aproveitar a nova era para assumir o desenvolvimento de seus próprios motores e se tornar, de fato, uma equipe de fábrica.

A parceria com a Ford surgiu como parte de um projeto ambicioso, mas cercado de incertezas. A decisão de investir na produção própria de unidades de potência permitiu à Red Bull assumir maior controle sobre o desenvolvimento do conjunto, mas também colocou a equipe diante de um desafio considerável: competir com fabricantes que acumulam décadas de experiência no desenvolvimento de motores para a Fórmula 1.

Apesar das dificuldades enfrentadas no início do projeto, especialmente relacionadas ao desenvolvimento e ao comportamento do chassi, a Red Bull Ford Powertrains apresentou um desempenho competitivo. A unidade de potência foi apontada pela FIA como referência no início da temporada, servindo inclusive como parâmetro para o processo de equalização entre os motores do grid por meio do sistema ADUO.

Diante de uma mudança tão profunda no regulamento, era esperado que a Red Bull enfrentasse dificuldades no início da temporada. O novo conjunto trouxe problemas de desempenho e confiabilidade, e nas primeiras etapas Haas e Alpine chegaram a desafiar a equipe austríaca em determinadas condições. Com o passar das corridas, porém, a Red Bull conseguiu encontrar mais ritmo e começou a recuperar terreno.

BUDAPEST, HUNGARY – JULY 25: Max Verstappen of the Netherlands driving the (3) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford Powertrains on track during final practice ahead of the F1 Grand Prix of Hungary at Hungaroring on July 25, 2026 in Budapest, Hungary. (Photo by Guido De Bortoli/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202607250264 // Usage for editorial use only //

Ainda assim, a posição atual no Mundial de Construtores chama atenção por outro motivo. Em diversos momentos da temporada, Red Bull e Racing Bulls apresentaram desempenhos bastante próximos, especialmente pela regularidade da equipe italiana na soma de pontos. A diferença entre as duas estruturas poderia ser ainda menor não fosse a recuperação de Max Verstappen, que voltou a frequentar o pódio na segunda metade desse primeiro trecho do campeonato.

A mudança na liderança também trouxe uma nova abordagem. Com a saída de Christian Horner, Laurent Mekies assumiu o comando da Red Bull e passou a defender um projeto capaz de oferecer um carro mais equilibrado para os dois pilotos. A ideia representa uma mudança em relação à filosofia adotada anteriormente, na qual o desenvolvimento do equipamento acabava sendo fortemente direcionado às características de Verstappen.

O tetracampeão mundial, aliás, foi um dos principais críticos do RB22 desde os testes de pré-temporada. Acostumado a explorar um estilo de pilotagem bastante particular, Verstappen encontrou dificuldades com a dirigibilidade do novo carro, especialmente nas entradas e saídas de curva.

O que antes era uma característica marcante de sua pilotagem — a capacidade de controlar o carro mesmo em situações-limite — passou a ser colocado à prova com mais frequência. Correções de trajetória, perda de aderência e erros que eram pouco comuns na condução de Verstappen se tornaram mais recorrentes ao longo das primeiras etapas.

Diante desse cenário, o piloto passou a cobrar publicamente uma reação da equipe. Verstappen insistiu na necessidade de tornar o RB22 não apenas mais rápido, mas também mais previsível e fácil de conduzir. A Red Bull respondeu com uma sequência de atualizações e, aos poucos, o progresso começou a aparecer nos resultados.

A evolução ficou evidente no desempenho do próprio Verstappen. Embora ainda não tenha conquistado uma vitória em 2026, o holandês terminou o GP do Canadá no terceiro lugar, garantindo seu primeiro pódio da temporada. Depois, foi segundo colocado na Áustria e na Hungria, além de terminar em terceiro na Bélgica.

Ao fim das primeiras 11 etapas, Verstappen ocupa a sexta posição no Mundial de Pilotos, com 109 pontos, resultado que ainda está distante do padrão estabelecido pelo piloto nos últimos campeonatos, mas que demonstra a recuperação da Red Bull depois de um início complicado.

A insatisfação de Verstappen, entretanto, vai além do desempenho do RB22. O piloto tem sido bastante crítico em relação à própria filosofia dos novos carros, principalmente ao impacto dos sistemas de recuperação de energia sobre a maneira como os competidores precisam conduzir os monopostos.

Ainda durante a pré-temporada, o holandês classificou os novos carros da Fórmula 1 como uma “Fórmula E com esteroides”. Desde então, suas críticas ao regulamento têm sido constantes e chegaram a alimentar especulações sobre uma possível saída da categoria.

O mais impressionante na campanha da Red Bull é a capacidade de Max Verstappen continuar extraindo desempenho do RB22, mesmo diante das limitações apresentadas pelo carro ao longo da temporada. O tetracampeão segue encontrando maneiras de maximizar o equipamento, mantendo a equipe competitiva mesmo quando o pacote técnico não corresponde às expectativas.

Um dos problemas que marcou a primeira metade do campeonato foi a chamada “asa macarena”, solução desenvolvida pela Red Bull como resposta à asa traseira utilizada pela Ferrari. A novidade, entretanto, apresentou inconsistências e acabou trazendo consequências para o comportamento do carro.

Verstappen sofreu acidentes na Áustria e na Grã-Bretanha, episódios que aumentaram as preocupações da equipe em relação à peça. Diante das questões de segurança, a Red Bull precisou reavaliar o projeto e trabalhar em alternativas para evitar que a busca por desempenho comprometesse o controle do monoposto.

Hadjar ganha confiança ao lado de Verstappen

Se Verstappen tem sido responsável por extrair o máximo do carro, Isack Hadjar representa uma das principais apostas positivas da Red Bull para o futuro. Promovido à equipe principal nesta temporada, o francês começou 2026 diante de um dos maiores desafios possíveis para um jovem piloto que é dividir o boxe com Verstappen.

A estreia, inclusive, foi marcada por um momento difícil. Na Austrália, Hadjar abandonou antes mesmo da largada, mas o piloto conseguiu evoluir gradualmente à medida que ganhou experiência com o RB22.

A partir do GP do Canadá, o francês passou a aparecer com maior frequência na zona de pontuação. O sexto lugar conquistado na Bélgica foi o principal resultado dessa evolução até aqui, especialmente pela recuperação construída durante a corrida após largar no fim do grid.

BUDAPEST, HUNGARY – JULY 25: Isack Hadjar of France driving the (6) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford Powertrains on track during qualifying ahead of the F1 Grand Prix of Hungary at Hungaroring on July 25, 2026 in Budapest, Hungary. (Photo by Guido De Bortoli/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202607250346 // Usage for editorial use only //

O desempenho de Hadjar também dá à Red Bull uma perspectiva importante para o futuro, especialmente enquanto Verstappen ainda ameaça deixar o time austríaco. Enquanto a equipe trabalha para recuperar a competitividade do projeto, o francês começa a demonstrar que pode se consolidar como uma peça importante dentro da estrutura.

O primordial para o time que quer fazer frente aos rivais, é pontuar com regularidade e por enquanto, a Red Bull tem cumprido esse quesito com a sua dupla de pilotos.

Para a segunda metade da temporada, a Red Bull pretende manter o desenvolvimento do RB22, embora o trabalho deva ser gradualmente limitado pela necessidade de direcionar recursos para o projeto do próximo carro. Com a temporada de 2027 já entrando no radar das equipes, será necessário encontrar um equilíbrio entre corrigir as deficiências atuais e preparar o futuro.

Ainda assim, existe uma meta que permanece em aberto, pois a Red Bull busca sua primeira vitória em 2026. Depois de anos acostumada a disputar o topo do grid, voltar ao degrau mais alto do pódio seria não apenas um resultado importante, mas também um símbolo da recuperação da equipe após um início de nova era técnica mais complicado do que o esperado.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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