ColunistasDestaquesFórmula 1Post

Como funcionam as férias da Fórmula 1? Entenda as regras que obrigam equipes a parar

Regulamento da FIA determina paralisação de 14 dias para impedir o desenvolvimento dos carros, controlar custos e garantir descanso aos profissionais antes da reta final do campeonato

As férias de verão da Fórmula 1 representam um dos momentos mais aguardados da temporada, tanto para pilotos quanto para as equipes. Após meses de viagens constantes e um calendário cada vez mais intenso, o campeonato entra em uma pausa obrigatória prevista pelo Regulamento Esportivo da FIA, interrompendo praticamente todas as atividades ligadas ao desenvolvimento dos carros.

Mais do que um simples período de descanso, o chamado summer break (pausa para o verão) é uma ferramenta criada para preservar o equilíbrio esportivo, controlar custos e oferecer uma pausa aos milhares de profissionais envolvidos na categoria.

O que diz o regulamento?

O artigo 24.1 do Regulamento Esportivo da Fórmula 1 determina que todas as equipes devem cumprir 14 dias consecutivos de paralisação durante os meses de julho ou agosto.

Durante esse período, fábricas deixam de desenvolver seus carros e qualquer atividade relacionada ao desempenho dos monopostos é proibida. Caso alguma equipe desrespeite a determinação, poderá sofrer sanções da FIA.

A regra vale para praticamente todos os departamentos envolvidos diretamente na competição, incluindo engenharia, aerodinâmica, pesquisa e desenvolvimento, design, produção, construção de componentes e operações de pista.

Na prática, isso significa que engenheiros não podem desenvolver novas soluções, elaborar projetos ou analisar dados visando melhorar o desempenho dos carros.

Até mesmo comunicações internas sobre desenvolvimento entram na restrição. E-mails, reuniões virtuais, telefonemas e discussões técnicas relacionadas ao desempenho do carro ficam proibidos durante a paralisação.

A pausa obrigatória surgiu para evitar que as equipes trabalhassem continuamente durante toda a temporada. Se não tiver uma interrupção determinada pelo regulamento, os times continuariam o seu desenvolvimento, especialmente aqueles que tem mais recursos.

Antes da introdução do teto orçamentário e da regulamentação das férias coletivas, as maiores equipes possuíam recursos praticamente ilimitados e mantinham seus departamentos funcionando praticamente sem interrupção, aumentando ainda mais a diferença para os adversários que são menores.

Hoje, embora exista o limite de gastos imposto pela FIA, o período de paralisação continua sendo considerado essencial para impedir que equipes utilizem sua estrutura para obter vantagens competitivas durante o campeonato.

Além disso, o recesso também ajuda a preservar a saúde física e mental dos funcionários, que passam boa parte do ano viajando entre continentes para acompanhar um calendário que atualmente conta com 24 etapas.

As fábricas fecham completamente?

Não exatamente.

Embora praticamente todo o desenvolvimento esportivo seja interrompido, algumas áreas continuam funcionando normalmente.

Departamentos comerciais, financeiros, jurídicos e administrativos permanecem em atividade, já que não possuem influência direta sobre o desempenho dos carros.

Segundo Rob Thomas, diretor de operações da Mercedes, esse período também é utilizado para realizar uma grande manutenção nas instalações da equipe.

Em entrevista ao Motorsport.com, Thomas explicou que aproximadamente 95% dos funcionários entram em férias, enquanto um planejamento realizado meses antes permite que empresas terceirizadas realizem reformas e revisões completas na fábrica.

“Cerca de 95% das pessoas estão na praia, mas muita coisa acontece e o público não percebe. Há um enorme trabalho de planejamento antes dessas duas preciosas semanas. É o único momento em que você consegue fazer coisas para as quais normalmente nunca há tempo, porque estamos trabalhando no limite o tempo todo”.

Entre os trabalhos realizados estão manutenção do túnel de vento, equipamentos industriais, sistemas de climatização, iluminação, rede elétrica, infraestrutura de tecnologia da informação e até pintura dos pisos das instalações.

Como a operação esportiva fica completamente interrompida, esse acaba sendo o único momento do ano em que essas intervenções podem ser realizadas sem comprometer o cronograma das equipes.

Essa manutenção das instalações também é importante, visando o retorno do campeonato, onde eles ainda têm basicamente metade das corridas para cumprir, seguindo com o desenvolvimento do carro atual e já pensando no próximo projeto.

Como a FIA fiscaliza as equipes?

Embora a fiscalização seja responsabilidade da FIA, controlar diretamente todas as atividades internas das equipes não é uma tarefa simples.

No entanto, é como muitas ouras coisas na Fórmula 1, embora seja difícil para FIA fazer esse policiamento, as equipes não querem comprometer a sua integridade.

Além disso, é meio que autofiscalizado, com existem funcionários mudando de um time para o outro, cometer essa infração, colocaria em risco os trabalhos, pois algum ex-funcionário poderia falar para um novo time.

Os regulamentos são essenciais nesse caso e a FIA deseja que os times sigam as regras, desta forma, existem algumas coisas que é difícil esconder nesse ambiente tão competitivo e de grande pressão.

A FIA também pode realizar as suas verificações periódicas, principalmente se desconfiar que algo – como o período de férias – não está sendo seguido.

Quando a Fórmula 1 retorna?

Após as duas semanas de paralisação, as equipes retomam normalmente seus trabalhos de desenvolvimento e preparação para a sequência do campeonato.

A partir daí começa uma das fases mais intensas do calendário, quando as equipes dividem esforços entre as atualizações finais do carro da temporada atual e o desenvolvimento do projeto do ano seguinte.

Além da pausa de verão, o regulamento ainda prevê outro período obrigatório de descanso no fim da temporada, com nove dias consecutivos de paralisação, iniciados na véspera do Natal e encerrados apenas no início de janeiro.

Lembrando que os mecânicos que trabalham nas corridas e viajam com as equipes, retornam para as fábricas após a disputa de cada etapa, esse é um grupo de pessoas que acaba tendo menos folgas, diferente do que acontece na rotina dos pilotos. Ao longo dos anos, existe uma discussão crescente sobre a saúde dessas pessoas, que passam tanto tempo longe de casa, em rotinas pesadas.

Alguns mecânicos e engenheiros preferem trabalhar dentro da fábrica, do que fazer as viagens, principalmente quando a categoria resolve optar por rodadas triplas ao longo de campeonato.

O GP da Holanda que será disputado entre os dias 21, 22 e 23 de agosto, está programado para o final do mês. Antes da próxima batalha, as equipes retornam aos seus centros, onde podem retomar os trabalhos em atualizações, para levar novidades para sequência do campeonato.

Os próximos eventos na Fórmula 1 serão ainda mais desafiadores, pois a categoria terá três rodadas triplas para o encerramento do campeonato – isso se não acontecer o cancelamento das corridas no Catar e em Abu Dhabi. A categoria deseja encerrar o campeonato com a disputa de ao menos 22 etapas em 2026.

Resultado após disputa do GP da Hungria – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo