ColunistasDestaquesFórmula 1Post

Após início promissor na F1, Lindblad revela os desafios da temporada de estreia

Jovem piloto da Racing Bulls destaca adaptação à Fórmula 1, parceria com Liam Lawson, convivência com Lewis Hamilton e explica por que não sente a pressão da categoria

Poucos pilotos chegam à Fórmula 1 cercados por tanta expectativa quanto Arvid Lindblad. Integrante do programa de jovens pilotos da Red Bull, o britânico de apenas 18 anos confirmou rapidamente que estava preparado para o desafio. Após onze etapas da temporada 2026, o estreante já soma presenças frequentes no Q3, resultados consistentes na zona de pontuação e tornou-se uma das principais revelações do campeonato.

Em entrevista ao site oficial da Fórmula 1, Lindblad fez um balanço de seus primeiros meses na categoria, comentou o processo de adaptação ao ambiente da F1, a parceria com Liam Lawson e revelou por que encara a temporada com naturalidade, mesmo convivendo com a pressão que cerca um piloto da Red Bull.

A estreia aconteceu no GP da Austrália e rapidamente mostrou que Lindblad não estava intimidado pelo novo ambiente. Logo na primeira classificação, alcançou o Q3 e, na corrida, chegou a disputar posições com nomes como Lando Norris e Lewis Hamilton logo nas voltas iniciais, terminando em oitavo lugar.

Desde então, o britânico acumulou outras sete participações no Q3 e engatou uma sequência consistente de resultados, pontuando consecutivamente entre os GPs de Mônaco e Hungria.

Para o competidor, no entanto, o maior significado vai muito além dos números.

“Com certeza, Melbourne foi o momento mais especial, simplesmente por ter sido o primeiro [Grande Prêmio], e pela forma como foi o fim de semana. Foi um daquele em que me emocionei um pouco antes da corrida”, afirmou Lindblad.

“Depois houve momentos em algumas das pistas novas [para mim], Xangai e Suzuka… enquanto eu pilotava, eu pensava: ‘Isso é muito legal. Eu já pilotei tantas vezes nos jogos de F1, e agora estou fazendo isso de verdade’. É muito mais preciso na vida real do que no jogo de F1!”

“Como eu disse, meu sonho era estar na F1 desde os cinco anos de idade. A cada ano, subindo na hierarquia desde o kart, eu me concentrava no momento presente e no aprendizado, mas era isso que eu tinha em mente.”

Silverstone também teve um significado especial para o jovem piloto, por ser a sua corrida em casa.

“Eu diria que o próximo momento verdadeiramente sentimental foi em Silverstone. Já assisti àquela corrida tantas vezes na TV em casa. Lembro-me de estar no grid, participando da corrida, e pensar: ‘Nossa, isso está realmente acontecendo’.”

O jovem competidor também já admirava Lewis Hamilton. Um dos momentos mais simbólicos da temporada aconteceu justamente na Austrália, quando dividiu a pista com o compatriota.

O heptacampeão mundial era um dos grandes ídolos de infância de Lindblad, que relembrou uma experiência semelhante ainda em 2025, durante seu primeiro treino livre pela Red Bull.

“Me lembro do ano passado, quando fiz meu primeiro TL1 [com a Red Bull em Silverstone], eu estava em uma volta de desaceleração e meu engenheiro disse: ‘Hamilton está logo atrás’”. Só de ouvir essa frase pela primeira vez, pensei: ‘Que legal’.”

“Compartilhar a pista com Lewis em Melbourne, correr lado a lado com ele, e até mesmo na conferência de imprensa antes do fim de semana, me sentar ao lado dele, conversar com ele e estar em sua presença… Ele era alguém que eu admirava quando criança, e o piloto para quem eu mais torcia, então foi muito especial para mim, aos cinco anos de idade.”

Lindblad é visto como um novo talento meteórico da Red Bull. O britânico além de conseguir uma vaga na Fórmula 1 com a Racing Bulls, pode se tornar titular na equipe austríaca, ocupando o posto de Max Verstappen – se o tetracampeão mundial realmente migrar para outro time.

Apesar da enorme expectativa criada em torno de sua chegada à Fórmula 1, Lindblad afirma que nunca enxergou isso como um peso. Segundo ele, a cobrança mais forte sempre veio de si próprio.

“Eu fico nervoso. Todos nós ficamos nervosos, porque quando você quer se sair bem, e é algo que você ama, você fica um pouco tenso às vezes antes.”

“Mas eu não diria que chamo isso de pressão. Diria que muito desse nervosismo e outras coisas vêm de dentro. Eu não tive muito treinamento mental nem nada do tipo – acho que é simplesmente o meu jeito de ser. Nunca senti pressão externa, em nenhuma categoria, e este ano não foi diferente.”

Segundo Lindblad, esse pensamento ajuda a manter a tranquilidade mesmo em um ambiente tão competitivo.

A adaptação à Fórmula 1 não envolveu apenas aprender a extrair desempenho dos novos carros.

O jovem piloto destaca que uma das maiores diferenças em relação às categorias de base foi aprender a trabalhar com uma estrutura muito maior.

Na Fórmula 2, ele estava acostumado a discutir os ajustes do carro com poucos engenheiros. Na Racing Bulls, são dezenas de profissionais no circuito e centenas trabalhando na fábrica.

“Do ponto de vista da pilotagem em si, eu diria que o que entendi, mas não dominei, foi o motor e como extrair o máximo dele com a bateria, já que a técnica é um pouco diferente”.

“Fora do carro, trabalhar com a equipe tem sido muito diferente. Estou acostumado com a F2 e a F3, onde havia quatro ou cinco engenheiros na sala, e agora temos 30 na pista e outros 500 no escritório. É uma dinâmica completamente diferente.”

Outro fator importante na evolução do britânico tem sido a convivência com Liam Lawson. Os dois vivem uma disputa equilibrada durante toda a temporada, ajudando a Racing Bulls a ocupar a quinta posição no Mundial de Construtores.

“Sinceramente, eu diria que temos um bom relacionamento. Acho que juntos fizemos um ótimo trabalho para ter uma boa dinâmica em geral, conseguindo realmente alternar entre o trabalho e o lazer.”

“Na pista, ambos queremos vencer o outro, e essa é a natureza do esporte, mas quando estamos fora do carro, temos um relacionamento genuíno e agradável, e existe uma dinâmica muito boa dentro da equipe. Isso torna tudo mais prazeroso.”

Lindblad ainda disse que essa competição interna tem estimulado os dois pilotos e ambos estão em busca de entregar performances melhores.

O piloto espera que nesse retorno das férias consiga manter a sua performance e contribuir para os resultados da Racing Bulls. Atualmente o britânico soma 23 pontos, enquanto Liam Lawson atingiu a conquista dos 43 pontos.

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo