Após o GP de Mônaco, Jerome d’Ambrosio, vice-chefe de equipe da Ferrari, mencionou os problemas de correlação entre os dados obtidos no simulado e o desempenho em pista do SF-26.
D’Ambrosio substituiu Frédéric Vasseur nas entrevistas do pós-corrida, pois o francês não estava se sentindo bem e ter sido hospitalizado para realizar alguns exames no sábado.
Antes do GP do Canadá, Lewis Hamilton abandonou o uso do simulador da Ferrari, por estar sentindo uma grande diferença do simulador, para o comportamento do SF-26 em pista.
“Não há correlação de 100% entre o que esperávamos em certas corridas e o que realmente aconteceu em pista”, confirmou D’Ambrosio.
“Não devemos criar muitas expectativas, caso contrário, corremos o risco de reagir mal durante o fim de semana. Devemos manter o foco e a neutralidade para aproveitar doas as oportunidades”, seguiu.
As declarações do belga confirmam de forma oficial que a equipe de Maranello tem enfrentado problemas. Hamilton já tinha levantado essa preocupação anteriormente e isso estava impactando no trabalho de pista da equipe, mas principalmente como ele se sentia guiando o SF-26.

Os simuladores são extremamente importantes para o desenvolvimento dos carros e preparações para os eventos, já que os testes são muito limitados na Fórmula 1 moderna. Porém, para que o simulador seja eficiente, depende muito da qualidade dos dados que são inseridos no sistema. O modelo virtual do carro, assim como o mapeamento matemático do circuito deve ser igualmente fiel.
Pequenos detalhes na qualidade desses dados conseguem impactar diretamente para que esses dados sejam inconsistentes.
Os pneus
Embora a equipe tenha recebido avaliações positivas sobre o comportamento aerodinâmico do carro, os dados coletados em pista continuam revelando discrepâncias entre as previsões do simulador e a realidade, especialmente no que diz respeito ao gerenciamento dos compostos da Pirelli.
O SF-26 tem demonstrado dificuldade para sustentar um desempenho consistente durante stints mais longos, operando de forma competitiva apenas em intervalos muito específicos da corrida. Esse comportamento está diretamente ligado à forma como os pneus evoluem termicamente, um dos parâmetros mais complexos de serem reproduzidos nos modelos virtuais utilizados pelas equipes.
Os engenheiros trabalham cruzando informações obtidas em seus próprios simuladores com os dados fornecidos pela Pirelli, mas reproduzir com precisão a evolução da temperatura dos pneus — tanto na superfície quanto na estrutura interna da carcaça — continua sendo um enorme desafio. Pequenas variações no asfalto, nas condições climáticas ou até mesmo no estilo de pilotagem podem alterar significativamente esse comportamento, levando os compostos para fora da faixa ideal de operação.
Quando isso acontece, a aderência pode cair de forma repentina, criando uma diferença entre o comportamento previsto pelas ferramentas de simulação e aquilo que os pilotos encontram na pista. Em Mônaco, por exemplo, Lewis Hamilton relatou dificuldades relacionadas ao superaquecimento dos pneus traseiros logo nas primeiras voltas da corrida, um indício de que os modelos utilizados pela Ferrari podem não estar reproduzindo com total fidelidade as condições reais enfrentadas durante os finais de semana de Grande Prêmio.
Essa falta de correlação entre simulador e pista tem sido apontada como uma das principais limitações da equipe, dificultando tanto a definição dos acertos quanto a compreensão das oscilações de desempenho apresentadas pelo carro ao longo das corridas.
A Ferrari tem trabalhado para corrigir os problemas, já que não se trata apenas da total falta de correlação, mas dessa sobreposição incorreta de variáveis que resulta no comportamento distorcido do carro, levando o time ao erro.
É neste momento que o feedback dos pilotos sobre o modelo em pista, com mais detalhes pode colaborar para que os engenheiros consigam replicar matematicamente essa dirigibilidade para calibrar o modelo virtual do carro.
Embora Hamilton tenha abandonado completamente o uso do simulador, apesar de colaborar com o seu desenvolvimento, Leclerc foi categórico quando perguntado sobre essa ferramenta da equipe.
“Isso [a opinião de Hamilton sobre o simulador] não afeta em nada a minha preparação. No fim das contas, acho que todos temos nossas preferências. Para mim, o simulador tem funcionado muito bem”, falou o monegasco durante a etapa de Mônaco.
“É o que venho fazendo desde que cheguei à Fórmula 1. Não vou mudar isso porque tem sido uma ferramenta muito poderosa para mim no passado. Além disso, muitas vezes fazemos alterações no carro com base no que testamos no simulador, então isso faz parte do processo de desenvolvimento do carro. Sim, funciona para mim, então vou continuar assim.”
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