A Fórmula 1 anunciou nesta terça-feira (13) um acordo de dez anos para levar o campeonato de volta ao continente africano, com a realização do GP da África em Ruanda prevista para o início da década de 2030. A prova será disputada em um circuito permanente construído especialmente para receber a categoria na região de Bugesera, próxima à capital Kigali.
O retorno marcará a primeira corrida da F1 na África desde 1993, quando o campeonato passou pelo circuito de Kyalami, na África do Sul. A iniciativa faz parte dos planos da categoria de ampliar sua presença global e se aproximar de novos públicos, mas a estreia em Ruanda ainda depende da conclusão do autódromo e de outras etapas de desenvolvimento do projeto.
O acordo de longo prazo foi firmado entre a Fórmula 1, o governo ruandês e o Conselho de Desenvolvimento de Ruanda. A expectativa é que a nova etapa integre um projeto mais amplo de desenvolvimento esportivo, turístico, comercial e de infraestrutura no país.
Nos últimos anos, com a expansão do calendário, a Fórmula 1 é cobrada por não ter nenhuma prova no continente africano, especialmente quando os Estados Unidos têm três corridas. A pauta também é defendida por Lewis Hamilton, o heptacampeão cobrou por várias vezes a necessidade de o calendário incluir a África.
Cogitaram a possibilidade da Fórmula 1 retornar à África por meio do Circuito de Kyalami, mas a categoria também analisava outras vias para conseguir uma prova no continente.
Circuito será construído próximo ao novo aeroporto de Kigali
O autódromo ficará em Bugesera, aproximadamente 40 quilômetros ao sul de Kigali e ao lado do novo Aeroporto Internacional de Kigali. O traçado será desenvolvido para atender aos padrões de homologação Grau 1 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), requisito necessário para receber provas da Fórmula 1.
Segundo o anúncio, o projeto pretende aproveitar as variações de elevação do terreno e se integrar à paisagem natural da região, oferecendo desafios técnicos aos pilotos e boas oportunidades de visibilidade para o público. Ainda não foram divulgados o desenho definitivo da pista, o cronograma detalhado das obras ou a data exata da primeira corrida.
A estrutura também deverá funcionar fora dos fins de semana de Grande Prêmio. A proposta prevê a utilização do espaço para outras categorias do automobilismo, grandes eventos, conferências e atrações de entretenimento, com o objetivo de manter a atividade econômica ao longo do ano.
A Fórmula 1 enxerga potencial para realização de provas na África, com mais de 100 milhões de fãs que já acompanham a categoria em todo continente, e quase 60% dos faz nos principais mercados da África Subsaariana com menos de 35 anos.
O presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, classificou o anúncio como um marco para o campeonato e destacou o alcance geográfico da iniciativa.
“Hoje é um momento histórico para a Fórmula 1”, disse.
“Com a entrada de Ruanda no calendário a partir da próxima década, nosso esporte terá corridas em todos os continentes habitados, aproximando o Campeonato Mundial como nunca antes dos fãs em todo o mundo.”
“A África sempre fez parte do futuro da Fórmula 1 e, desde o início, estávamos determinados a retornar da maneira correta, com o parceiro certo, um compromisso de longo prazo e uma visão clara para gerar um impacto significativo.”
“Gostaria de agradecer a Sua Excelência Paul Kagame, Presidente da República do Ruanda, ao Governo do Ruanda, ao Conselho de Desenvolvimento do Ruanda, ao Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e a todos cuja dedicação e colaboração tornaram isto possível.”
“Isto vai muito além de sediar um Grande Prêmio. Juntos, podemos criar benefícios econômicos e sociais duradouros por meio do turismo, investimento, desenvolvimento de habilidades e crescimento dos negócios locais, garantindo que o impacto positivo deste evento seja sentido por gerações.”
“Para os nossos fãs, este é um momento especialmente emocionante. A África abriga mais de 100 milhões de fãs de Fórmula 1, e esse número continua a crescer rapidamente. Estamos trazendo a emoção, a energia e o drama da Fórmula 1 para mais perto de milhões de pessoas que esperaram muito tempo para ver o nosso esporte retornar ao continente, e estamos ansiosos para escrever juntos um novo e emocionante capítulo.”
O presidente de Ruanda, Paul Kagame, celebrou o acordo e destacou a importância de o continente voltar a receber uma etapa da principal categoria do automobilismo mundial após mais de três décadas.
“Hoje pertence à África. Por mais de três décadas, o principal campeonato mundial de automobilismo foi disputado sem este continente, e isso muda com este acordo.”
“Ruanda se orgulha de sediar o Grande Prêmio da África de Fórmula 1 e de compartilhar este momento com mais de 100 milhões de fãs em toda a África, muitos deles jovens que merecem ver o esporte em casa e se verem nele: como engenheiros, técnicos, empreendedores e, um dia, pilotos.”
“Esta parceria de 10 anos é também um investimento no futuro do Ruanda. O circuito de Bugesera, juntamente com o novo aeroporto internacional, trará empregos, capacitação, turismo e novos negócios para o nosso país e para a nossa região durante décadas, porque o nosso objetivo nunca foi apenas um fim de semana de corrida, mas sim um benefício duradouro para o nosso povo.”
“Agradeço a Stefano Domenicali, à Fórmula 1 e a Mohammed Ben Sulayem pelo trabalho que nos trouxe até aqui. Estamos ansiosos para receber o mundo em Ruanda para o Grande Prêmio da África.”
Ruanda já recebeu eventos internacionais de diferentes áreas, incluindo o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada da UCI, a Basketball Africa League, o Congresso da Fifa de 2023 e reuniões oficiais da FIA em 2024. A realização da Fórmula 1 representa mais um passo na tentativa de consolidar o país como destino para grandes eventos esportivos e de negócios.
Embora o acordo de dez anos já tenha sido anunciado, a Fórmula 1 informou que divulgará posteriormente mais detalhes sobre a data da primeira edição, as etapas de construção do circuito e a programação do fim de semana de corrida.
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