Enquanto a maior parte do paddock da Fórmula 1 deixou a Malásia rumo a Singapura de avião após o GP do Bahrein, disputado em Sepang, Valtteri Bottas decidiu transformar o deslocamento entre as duas etapas em uma aventura. O piloto da Cadillac percorreu 419,67 km de bicicleta, divididos em vários dias, atravessando diferentes regiões da Malásia antes de chegar a Singapura.
A viagem começou poucas horas depois da corrida em Sepang, na qual Bottas abandonou. Em vez de seguir o caminho convencional até Marina Bay, o finlandês subiu na bicicleta e partiu para uma jornada que incluiu estradas pouco movimentadas, trechos de cascalho, caminhos naturais, áreas de plantação e até deslocamentos durante a noite.
Na quinta-feira, durante o dia de imprensa do GP de Singapura, a aventura naturalmente virou um dos assuntos do paddock.
“Estou muito feliz por ter feito isso, porque consegui ver praticamente toda a Malásia em poucos dias, incluindo o lado selvagem do país, como as selvas, as plantações e até mesmo alguns passeios noturnos. Feliz por estar aqui em segurança e tudo correu como esperado.”
A primeira etapa aconteceu ainda no domingo, depois da corrida. Bottas deixou Kuala Lumpur e percorreu 56,60 km até Port Dickson, trajeto que levou pouco mais de duas horas.
Na segunda-feira veio o trecho mais longo da aventura. Foram 161,91 km em quase seis horas, passando por Malaca antes da chegada a Muar.
O finlandês continuou a jornada na terça-feira, quando percorreu aproximadamente 161 km em mais de cinco horas. Nesse trecho, afastou-se novamente das rotas mais convencionais e seguiu pelo litoral, utilizando caminhos naturais e estradas de cascalho menos frequentadas.
O percurso passou por Batu Pahat e Senggarang, cidade que, segundo o relato de Bottas, está associada a uma lenda local envolvendo crocodilos. Depois, ele seguiu para regiões mais afastadas da costa, atravessou Kelapa Sawit e terminou o dia em Kulai.
Na quarta-feira, Bottas completou a última parte do trajeto. O trecho foi um pouco mais curto e levou o piloto finalmente a Singapura, encerrando uma viagem de 419,67 km.
Apesar da distância percorrida e das muitas horas sobre a bicicleta, Bottas afirmou que a viagem foi planejada justamente para não prejudicar sua preparação para o fim de semana de Fórmula 1.
“Tudo foi muito bem planejado”, garantiu o finlandês ao falar com a imprensa. “As distâncias para cada dia foram planejadas para que eu pudesse me recuperar para o fim de semana.”
“Então, ontem acabou sendo um dia bem curto, quase um dia de recuperação. Hoje é um dia tranquilo, e essas distâncias não são incomuns para mim. Faço pedaladas longas de vez em quando e sei como me recuperar.”
“E com certeza agora que me acostumei com o calor, eu suava muito e acho que dia após dia você começa a se sentir melhor no calor.”
A relação de Bottas com o ciclismo não é novidade. O finlandês já se envolveu em competições de gravel e, neste ano, garantiu uma vaga no Campeonato Mundial da modalidade ao terminar em quinto lugar em sua faixa etária em uma prova classificatória realizada na República Tcheca.
O Mundial, porém, acontece justamente neste fim de semana, o que impede sua participação enquanto ele disputa o GP de Singapura.
O finlandês já está acostumado com a bike, justamente por conta da sua companheira, a ciclista profissional australiana Tiffany Cromwell. A ideia de fazer essa viagem surgiu de uma brincadeira do casal, mas rapidamente ganhou força. Com Bottas sendo apaixonado pelo ciclismo gravel, o percurso foi elaborado.
Bottas não pretende embarcar imediatamente em outra aventura de proporções semelhantes, mas deixou aberta a possibilidade de repetir a dose no futuro.
O piloto da Cadillac ainda relatou alguns problemas que enfrentou no trajeto, como o calor da região – que de certa forma ele usou a travessia para se habituar as condições, além de se deparar com cobras e outros animais.
“Às vezes você simplesmente tem que se jogar de cabeça. Você tem que se arriscar, e foi isso que eu fiz. Parecia uma ideia um pouco maluca, mas acabou dando tudo certo.”
“Acho que superei alguns dos meus pequenos medos, porque não gosto muito de cobras, mas vi algumas e elas eram bem tranquilas!”
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