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Wolff nega favorecimento a Antonelli e garante igualdade na Mercedes

Chefe da equipe garante igualdade de oportunidades entre o italiano e George Russell e explica a decisão de usar especificações diferentes dos carros em Singapura

Toto Wolff reagiu duramente às acusações de que a Mercedes estaria favorecendo Andrea Kimi Antonelli em detrimento de George Russell na temporada 2026 da Fórmula 1. O chefe da equipe classificou as suspeitas como “completamente sem sentido” e afirmou que os dois pilotos recebem tratamento igual, apesar de o italiano estar em vantagem na disputa pelo título.

Antonelli lidera o campeonato com 84 pontos de vantagem sobre Russell, diferença ampliada após o abandono do britânico no GP da Malásia, em Sepang, causado por um problema na unidade de potência. A quebra marcou o terceiro abandono de Russell na temporada e alimentou especulações sobre as decisões da Mercedes em relação à dupla.

Questionado sobre as acusações durante a sexta-feira do GP de Singapura, Wolff não escondeu a irritação com os comentários.

“Eles são uns idiotas. Quem pensa isso… É um completo absurdo. Já tivemos isso antes com os fãs do Lewis Hamilton. Não sei o que está acontecendo. Será que eles acham que eu tenho um botão que diz ‘George, falha no motor agora’? Ou que estou prejudicando um piloto em relação ao outro, quando estamos lutando pelo Campeonato de Construtores?”

“Sempre tivemos a mentalidade de fornecer conteúdo igual para todos, mas acho que é para isso que as redes sociais estão caminhando hoje em dia. As pessoas se escondem atrás de suas telas e depois reagem com agressividade. Há muita polarização acontecendo.”

“Mas na verdade, zero compreensão e respeito por quem cria essas coisas. Em vez de assistirem à Fórmula 1, deveriam assistir aos Teletubbies ou, sei lá, algum desenho do Mickey Mouse.”

Wolff atribuiu parte das acusações ao comportamento nas redes sociais, onde, segundo ele, usuários fazem ataques sem compreender o funcionamento interno das equipes. O austríaco também afirmou que já enfrentou situações semelhantes envolvendo torcedores de Lewis Hamilton.

O dirigente reiterou que oferecer condições equivalentes aos pilotos é um princípio que procura manter desde que começou a trabalhar na Fórmula 1. Para explicar a importância da transparência, Wolff relembrou uma conversa que teve com Alain Prost quando ainda era novato no paddock.

“Desde que entrei na Fórmula 1, mesmo nos meus tempos na Williams , sempre tentei ser o mais equilibrado e transparente possível com os pilotos”, explicou.

“Lembro-me de ser um completo novato e encontrar Alain Prost no grid de uma corrida, e eu disse: ‘Só por curiosidade, por que as coisas deram tão errado entre você e [Ayrton] Senna ?’ E ele respondeu: ‘Porque nunca soubemos o que a equipe representava.'”

“Você se sentia o queridinho do momento em uma época, e dois meses depois, achava que a política estava contra você. Havia diferentes situações em que você tinha a sensação de que realmente não era bem-vindo. Então, encarei como meu desafio manter sempre o equilíbrio.”

A experiência influenciou a maneira como o austríaco passou a conduzir suas relações com os competidores.

Wolff também citou o período em que Hamilton e Nico Rosberg dividiram a Mercedes, reconhecendo que manter o equilíbrio nem sempre foi simples. Ainda assim, insistiu que a integridade no tratamento dos pilotos é um compromisso central da equipe.

“Não foi fácil com Lewis e Nico [Rosberg] naquela época, e é por isso que as pessoas podem pensar o que quiserem, mas a integridade nesse aspecto é algo importante para mim, e os pilotos sabem disso.”

O dirigente mantém uma relação de longa data com Antonelli, que faz parte do programa da Mercedes desde os 11 anos. Ao mesmo tempo, destacou a proximidade com Russell, que chegou à estrutura da equipe aos 17 anos.

“É muito bom ver Kimi crescer e chegar a uma posição em que disputa um campeonato tão jovem. [Russell] é alguém por quem sinto muita compaixão. Somos muito próximos. É por isso que é tão irritante ter alguns lunáticos que não entendem nada sobre como funcionam os relacionamentos fazendo esse tipo de acusação.”

Para Wolff, as acusações ignoram a relação construída com os dois pilotos e não refletem a maneira como a equipe trabalha. Ele afirmou que o mais importante é que Russell e Antonelli conheçam as intenções da Mercedes e saibam que terão oportunidades equivalentes.

A divisão de atualizações entre os carros da Mercedes em Singapura também contribuiu para as especulações. Antonelli está utilizando o pacote mais recente, enquanto Russell voltou a uma especificação do W17 semelhante à utilizada no GP do Azerbaijão.

Wolff argumentou que a escolha tem finalidade técnica: a equipe ainda não sabe qual configuração oferece melhor desempenho no circuito de Marina Bay e pretende comparar as duas soluções antes de definir os próximos passos.

“Não há nenhuma grande estratégia política por trás disso. E quando se trata de corridas, como as regras da McLaren, sempre deixamos muito claro que não estamos atrapalhando um ao outro.”

“Não gostamos daquela disputa acirrada que pode custar a posição se alguém estiver perto demais, e o carro mais rápido, se estiver atrás, sempre terá uma vantagem, e isso pode ir para qualquer lado. Não importa. Mesmo que agora seja mais realista para Kimi ganhar um campeonato em termos de pura probabilidade matemática, ainda daríamos a George as mesmas oportunidades.”

“E isso é importante. Essa é a filosofia e a integridade com que a equipe tem operado desde 2013, desde que cheguei, e queríamos manter isso, e então as pessoas podem pensar o que quiserem.”

 

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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