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Hamilton encontrou uma solução na Ferrari? Leclerc seguirá caminho do companheiro enquanto Brembo reage

Após reclamar do comportamento dos freios e abandonar o GP de Mônaco, Charles Leclerc adotará a configuração utilizada por Lewis Hamilton na Espanha em busca de respostas para os problemas que têm comprometido seu desempenho

Depois de mais um fim de semana abaixo das expectativas, Charles Leclerc anunciou que adotará a configuração de freios utilizada por Lewis Hamilton na no GP da Espanha em uma tentativa de recuperar a confiança ao volante do SF-26. O piloto da Ferrari tem enfrentado problemas de desempenho nas últimas corridas, situação que o levou a buscar alternativas dentro da própria equipe.

Curiosamente, os freios também foram um dos principais temas abordados por Hamilton desde sua chegada à Ferrari. O britânico explicou diversas vezes ao longo do último ano que, além das diferenças em relação à unidade de potência da Mercedes, o comportamento do sistema de frenagem representou um dos maiores desafios em seu processo de adaptação ao carro italiano.

Após duas décadas com a Mercedes, além de uma carreira toda com os motores da fornecedora alemã, 2025 se tornou um desafio gigantesco para carreira de Hamilton. Uma das suas maiores dificuldades esteve relacionada ao conjunto de freios da Brembo utilizados pela Ferrari. Na Mercedes, os discos de freio eram da Carbone Industrie, enquanto as pinças dos freios são fornecidos pela Brembo.

Ao longo dos anos, Hamilton se tornou aquele piloto que freia tardiamente e sua forma de guiar foi aprimorada com o uso dos discos da Carbone Industrie e da confiança que ele tinha de ir um pouco além. Foi por esse motivo que no ano passado o heptacampeão trouxe várias vezes o tema em suas falas.

“Eu nunca usei freio-motor antes. Nos últimos doze anos, simplesmente não usávamos isso. Aqui, usamos muito no carro”, afirmou Hamilton em entrevista à imprensa no final de semana no Bahrein em 2025.

“Os freios são muito diferentes do que eu estava acostumado. Eles se movimentam mais, e na última parte da corrida precisei usar os traseiros para ajudar a virar o carro. Mas em outros momentos, é preciso colocar todo o peso nos dianteiros”, explicou o piloto.

Porém, para 2026, Hamilton buscou algumas mudanças para tornar a sua forma de guiar o SF-26. No último fim de semana em Miami, Leclerc deu uma pista do que provavelmente mudou na Ferrari e conseguiu recuperar a confiança do heptacampeão mundial.

“Temos uma solução. Temos configurações diferentes entre os carros [da Ferrari], e acho que encontramos uma solução, então isso é positivo”, falou o monegasco ao final do GP de Mônaco, depois que abandonou a corrida por conta de uma batida.

“Eu realmente não queria fazer mudanças neste fim de semana, e talvez a culpa seja minha por ter pensado que, em uma pista como esta, em Mônaco, seria bom começar com freios que eu já conhecia.”

“Considerando os problemas que enfrentei e o fato de não haver soluções em uma pista como essa, não há muito o que dizer.”

Acredita-se que Hamilton conseguiu convencer a Ferrari de usar os discos de freio da Carbone Industrie em seu carro, como uma forma de recuperar aquela “mordida” precisa dos freios, a previsibilidade e também a sensibilidade, levando em consideração que esse também é um carro que os pilotos precisam trabalhar a regeneração de energia.

“O piloto britânico da Mercedes enfrenta uma sensação inteiramente original com seu carro. Ele quer se concentrar inteiramente no eixo dianteiro. Seu estilo de condução agressiva significa muitas vezes que bloqueie as rodas”, a Brembo em 2015 comparou os estilos de pilotagem de vários pilotos. A forma de descrever Hamilton não mudou até hoje.

“Lewis é extremamente reativo quando começa a frear. Por isso, ele muitas vezes excede os limites de aderência do pneu e, só então, após exercer uma pressão sobre o pedal, ele começa a controlar a ação do sistema de freios.”

“O piloto inglês quer o controle perfeito quando entra em uma curva, muitas vezes acelerando dentro da curva. De fato, a primeira parte da freada termina ao entrar na curva, o que e aumenta a probabilidade de travamento da roda dianteira interna”, o comentário foi até resgatado em uma matéria do The Race do ano passado.

O competidor estaria com essa configuração desde o Japão, após testes que foram realizados no Bahrain e convenceu o time de engenharia da Ferrari pela mudança. Além disso, antes do Canadá, Hamilton optou por não utilizar mais o simulador do time de maranello em suas preparações para o evento, pois o competidor estava sentindo uma diferença muito grande do carro em pista e a versão no simulador – por conta dos dados de correlação.

A escolha de Hamilton explicaria o bom desempenho tanto no Canadá como em Mônaco. Charles Leclerc, por sua vez, estaria isolado com as especificações padrões de fábrica, a mesma que levou aos problemas relatados no Canadá e em Mônaco – onde ele abandonou a corrida.

Durante o campeonato, os engenheiros do Grupo Brembo colaboram com soluções de frenagem na Brembo ou pela AP Racing (empresa britânica especializada em freios e embreagens para os carros de corrida, parte do Grupo Brembo) para todas as 11 equipes do grid. Além disso, nas equipes têm a variação dos conjuntos, podendo ser como a Ferrari que opera com o combo ou a Mercedes que faz uso dos discos da Carbone Industries.

Especificações do W17, carro de 2026 da Mercedes, mas é igual aos carros antecessores e da época de Hamilton com o time alemão – Foto: site Mercedes
Especificações do SF-26, carro de 2026 da Ferrari – Foto: release do site da Ferrari
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Após as consideráveis reclamações de Leclerc, que até mesmo deixou o carro em Mônaco falando: “Eu não vou assumir a culpa por isso. É culpa desses malditos freios,” acabou gerando um comunicado da fornecedora de freios da Ferrari.

“O Grupo Brembo expressa grande consternação pelo que aconteceu a Charles Leclerc durante o Grande Prêmio de Mônaco e está muito surpreso com as declarações feitas pelo piloto após a corrida.”

“A parceria entre a Brembo e a Scuderia Ferrari se estende por mais de 50 anos e abrange também outras marcas do Grupo, como as embreagens AP Racing e os amortecedores Öhlins, confirmando a solidez e a amplitude da colaboração.”

“A empresa não conhece, no momento, as causas dos problemas encontrados por Charles Leclerc e considera, portanto, prematuro formular avaliações técnicas definitivas antes da análise dos dados disponíveis. Em casos como este, é de fato necessário examinar os dados de telemetria juntamente com os engenheiros da equipe para identificar com precisão a origem do incidente”.

“A Brembo é uma referência na Fórmula 1 e está presente em todos os carros do grid por meio de suas tecnologias de frenagem. Ao longo dos anos, as equipes de F1 continuaram a escolher as soluções da Brembo, reconhecendo sua confiabilidade, inovação e desempenho de classe mundial.”

“O grupo continuará investindo em inovação, confiabilidade e desempenho, mantendo ao mesmo tempo sua colaboração com a Scuderia Ferrari e todas as outras equipes de F1.”

Não existem garantias que ao usar a configuração de Hamilton, Leclerc se sentirá mais seguro na Espanha, mas a utilização desses discos de freios, fazem diferença para Lewis por conta do tempo que ele passou guiando de uma maneira específica.

Além disso, a maior parte do sistema de freios do carro de Hamilton, permanece sendo produzida pela empresa italiana, parceira há mais de cinco décadas da Ferrari. Em contrapartida, Leclerc já estaria habituado a forma como a Ferrari trabalha e com o conjunto que a equipe utiliza em seus carros – pois sempre usou eles, desde a sua chegada ao time.

Trocar os discos de freio pode até mesmo atrapalhar ainda mais a forma como Leclerc guia e sua persepção sobre o carro, pois ele construiu o seu estilo de frenagem sob o conjunto da Brembo, mas a Ferrari poderá avaliar a situação. O circuito de Barcelona seria um dos melhores locais para teste por conta das características do circuito e por ser um traçado “completo”, com áreas de escape generosas.

 

O heptacampeão conseguiu pódios no Canadá e em Mônaco, enquanto Leclerc vem lidando com problemas desde Miami. Atualmente Hamilton assumiu a vice-liderança do mundial de pilotos, com 90 pontos, contra 75 de Leclerc.

O relato sobre a troca dos discos de freio no carro de Hamilton não foi confirmada oficialmente pela Ferrari ou pela Carbone Industries, mas é algo que está sendo especulado desde o Japão.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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