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Vowles admite surpresa com retrocesso da Williams e explica crise da equipe em 2026

Chefe da equipe admite surpresa com o retrocesso da Williams após a chegada do novo regulamento, aponta limitações estruturais, defende o teto orçamentário e mantém como meta disputar títulos até 2030

A Williams viveu um claro retrocesso na temporada 2026. Os novos regulamentos técnicos, que eram vistos internamente como uma oportunidade para recolocar a equipe de Grove em uma trajetória de crescimento, acabaram produzindo o efeito oposto e escancararam as principais fragilidades da estrutura da equipe.

Na última etapa antes das férias da Fórmula 1, disputada na Hungria, Alexander Albon e Carlos Sainz foram eliminados ainda no Q1, evidenciando a perda de competitividade da Williams, que também viu a Aston Martin ganhar terreno após a introdução de um robusto pacote de atualizações.

Desde que assumiu o comando da equipe em 2023, James Vowles nunca escondeu que a reconstrução da Williams seria um projeto de longo prazo. O dirigente sempre destacou que a equipe acumulava atrasos em diferentes áreas da operação e que seria necessário reestruturar processos, modernizar departamentos e investir em infraestrutura para voltar a competir em alto nível.

No entanto, essa recuperação tem encontrado obstáculos importantes. As restrições impostas pelo teto orçamentário limitam o ritmo dos investimentos, enquanto a infraestrutura da Williams ainda passa por um amplo processo de transformação para alcançar o padrão exigido pela Fórmula 1 atual.

“Não estamos no nível de um campeão. Isso vem sendo dito nos meus comentários dos últimos três anos, e continua sendo assim hoje. Não estamos. Gostaria, que estivéssemos”, falou Vowles em entrevista para o site da Fórmula 1.

“Você fica vulnerável nessas grandes mudanças de regulamentação. Precisamos de uma equipe e uma estrutura de suporte de sistemas, processos e hardware ao nosso redor para que, quando as regras mudarem, como um conjunto de regulamentos, não fiquemos para trás.”

“O quanto retrocedemos é uma surpresa para mim, e eu teria sido claro ao comunicar isso caso contrário, mas o fato é que aconteceu.”

Com a estreia dos novos regulamentos a Williams notou o quão vulnerável eles estavam, pois muitos dos adversários, contando com instalações melhores, conseguiram explorar de uma melhor forma os novos regulamentos.

O FW48, carro construído pela equipe, nasceu acima do peso e com outros problemas que afetaram o seu desempenho. No entanto, essas questões poderiam ser resolvidas mais facilmente se eles não tivessem que poupar recursos e ainda investir em uma estrutura defasada.

“Nosso papel aqui é garantir que façamos um balanço, corrigir os problemas e seguir em frente. É simples assim. Estou confiante, assim como no ano passado, de que daremos um passo à frente. Não tenho a menor dúvida disso.”

Embora com Vowles no comando, ele já tenha melhorado vários sistemas, ele ainda toma a responsabilidade para si, por ser necessário ainda muito trabalho.

“A responsabilidade é minha. Não somos mais guiados por planilhas do Excel, o que é ótimo, mas ainda somos antiquados em termos de sistemas, processos e formas de trabalho.”

LEIA MAIS: Entre expectativas e limitações: o balanço da primeira metade da Williams em 2026

Do ponto de vista de James Vowles, o teto orçamentário representou um avanço importante para a Fórmula 1, sobretudo por reduzir a desigualdade financeira entre as equipes. Antes de sua implementação, algumas equipes operavam com recursos praticamente ilimitados, enquanto outras precisavam competir com orçamentos muito inferiores, o que ampliava ainda mais a diferença de desempenho no grid.

“O teto de custos é a melhor coisa que já foi implementada, continuo achando isso, mas também trouxe algumas ineficiências, e estamos tendo que nos esforçar muito para eliminá-las, ao mesmo tempo em que produzimos um carro que funciona na pista e o atualizamos.”

“Tomamos algumas decisões ousadas sobre o que faríamos com alguns dos nossos sistemas que simplesmente não estavam funcionando. Descontinuar alguns sistemas essenciais no meio do ano… Garanto que não há outra equipe no grid tentando fazer isso.”

“Também estamos tentando criar um chassi completamente novo no meio do ano. Costumava ser comum, mas não é mais. É uma baita trabalheira.”

Embora 2026 seja mais um capítulo desafiador na história da Williams, Vowles tem mirado tem mirado em 2028, estabelecendo-o como “um grande marco”, enquanto espera para 2030, disputar títulos.

“Sempre soube que teríamos nossos altos e baixos, e isso não muda nosso objetivo final”, afirmou.

A Williams ainda realizará algumas mudanças importantes no FW48, para o GP do Azerbaijão, a equipe espera um pacote que reduza o peso do carro, assim como a introdução de um novo chassi. Porém, o time já está mudando aos poucos o seu foco para 2027.

“O próximo ano já está sendo planejado, porque é a coisa certa a se fazer neste momento. Há alguns elementos do carro deste ano que não conseguiremos analisar com a perfeição que eu gostaria. Este ano, o foco é encontrar e corrigir algumas características de comportamento realmente problemáticas do carro, para criar a plataforma ideal para o futuro.”

“Com isso virá o desempenho, mas o importante mesmo é focar em acertar o básico para construir um futuro sólido.”

“Grande parte do que estamos fazendo agora está na direção certa. Embora nem tudo se traduza imediatamente em desempenho do carro, com o que estamos fazendo para reconstruir sistemas e estruturas, e focando em novas formas de trabalho que serão bastante interessantes, tudo dará certo.”

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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