Apesar de reconhecer que a Ferrari não chega como favorita às 6 Horas de São Paulo, Antonio Giovinazzi acredita que fatores como a previsão de chuva e uma abordagem estratégica mais agressiva podem abrir caminho para um bom resultado em Interlagos.
O piloto italiano afirmou que a equipe ainda avalia diferentes opções de pneus para a corrida e destacou que, diferentemente da temporada passada, a Ferrari tem mais liberdade para assumir riscos na disputa pelo Campeonato Mundial de Endurance (WEC).
Em 2025, a Ferrari chegou a São Paulo, após emplacar quatro vitórias na sequência, incluindo Le Mans, com o trio do #83. Na época, a Ferrari lutava para conquistar o título de pilotos e o de Construtores da temporada. Desta forma, apesar do domínio inicial, as etapas que se sucederam foram disputadas com o intuito de conquistar o máximo de pontos possíveis e administrar a vantagem inicial.
Na última 6 Horas de São Paulo, apenas o carro #83 terminou dentro do Top-10.
Estratégia de pneus ainda está em aberto
Questionado sobre o uso dos pneus duros, testados por algumas equipes durante os treinos, Giovinazzi afirmou que, por enquanto, a Ferrari não considera essa opção como prioridade.
A equipe pretende analisar cuidadosamente os dados das simulações de corrida e observar o desempenho dos rivais que utilizaram esse composto antes de tomar qualquer decisão.
Para a etapa em São Paulo, os pneus duros e médios foram selecionados pela Michelin. A fornecedora de pneus optou por esses compostos, pois os pneus médios conseguem atender às variações e exigências do traçado. Por outro lado, os pneus duros são ideais para as condições de pista mais quente, enfrentadas especialmente no sábado.
“Até agora, não. No domingo, esperamos uma pista bem mais fria. Além disso, há previsão de chuva. Mas vamos ver. Acho que precisamos analisar melhor os dados da simulação da corrida de hoje. E ver como os caras com pneus duros se saíram. E talvez considerar usá-los na corrida de domingo”, falou Giovinazzi aos veículos de imprensa presentes em Interlagos, incluindo o Boletim do Paddock.
Chuva pode embaralhar a disputa
A aposta maior é na previsão de chuva. Desde o início da semana, as equipes estão trabalhando com essa hipótese. No entanto, embora o equilíbrio das forças possa mudar em uma condição de chuva, a preocupação também surge, por conta da possibilidade de acidentes, assim como a chance de bandeiras amarelas e a presença do Safety Car, que limitam muito o desenvolvimento da prova e a busca por ultrapassagens.
Quando Giovinazzi foi questionado sobre ‘torcer pela chuva’, o piloto disse: “Quero dizer, a chuva pode mudar tudo muito rápido, quem será o mais rápido. Com estratégia, talvez a pista fique úmida em alguns trechos. Isso pode tornar a corrida bem diferente do que vimos nos últimos três anos, onde foi apenas uma corrida com bandeira verde. Uma corrida sem incidentes. Então, espero que possamos ter mais oportunidades nessas condições.”
Ferrari pode ser mais agressiva na estratégia
Atualmente perseguindo a Toyota na classificação do campeonato, a Ferrari entra na segunda metade da temporada em uma situação diferente da vivida em 2025. Giovinazzi acredita que isso permite à equipe correr mais riscos.
“Acho que, comparado ao ano passado, quando estávamos liderando os dois campeonatos, isso não seria ideal. Este ano estamos com menos pressão. Então podemos ser mais agressivos na estratégia e em tudo mais. Mas acho que agora precisamos focar na nossa estrutura.”
“Para termos um carro melhor para amanhã e, principalmente, para domingo. Para a fase de corrida. Se precisarmos correr alguns riscos no domingo, nós os correremos.”
“Não somos pilotos que precisam ser mais conservadores na estratégia. Podemos arriscar um pouco mais e talvez induzir nossos concorrentes a cometerem alguns erros.”
Mesmo reconhecendo que a vitória parece improvável, Giovinazzi acredita que um lugar entre os três primeiros é um objetivo realista para esse evento. O objetivo da Ferrari é superar os últimos resultados em São Paulo e celebrar um pódio.
“Um pódio é sempre possível. Principalmente porque, como mencionei, domingo será uma corrida complicada com chuva e tudo mais. Além disso, acho que estamos em uma melhor preparação em comparação com o ano passado. Mas para vencer, precisamos ser perfeitos para termos uma chance.”
Giovinazzi explicou que a dificuldade para ultrapassar estará diretamente ligada ao nível de degradação dos pneus. Se o desgaste for elevado, pilotos com compostos mais novos terão maior facilidade para atacar. Caso contrário, as ultrapassagens tendem a ser bastante complicadas.
“Se a degradação for baixa, será realmente muito difícil ultrapassar. É um circuito muito estreito.”
Se a previsão se mantiver para o domingo, nublada e com chuva, a briga por posições se torna mais desafiadora.
Ao final da entrevista, Giovinazzi ressaltou que um dos maiores desafios das corridas de endurance é o gerenciamento do tráfego.
Além de dividir o carro com outros dois pilotos durante uma prova de seis horas, os Hypercars também precisam lidar constantemente com carros mais lentos da classe LMGT3.
“Compartilhamos a pista com cerca de 20 carros GT. Em um circuito apertado como Interlagos, ultrapassar esses carros torna tudo muito mais difícil.”
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