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Lewis Hamilton critica inconsistência da FIA após sequência de punições

Piloto da Ferrari assume responsabilidade por alguns erros, mas questiona decisões dos comissários após punições em Mônaco, Grã-Bretanha, Bélgica e Hungria

Lewis Hamilton fez duras críticas à atuação dos comissários da FIA após acumular uma sequência de punições nas últimas etapas da Fórmula 1. Embora tenha assumido responsabilidade por parte dos incidentes, o piloto da Ferrari acredita que algumas decisões foram inconsistentes e acabaram comprometendo seu campeonato.

Nas três últimas etapas antes das férias de verão — Grã-Bretanha, Bélgica e Hungria — além do GP de Mônaco, Hamilton recebeu punições. Foram quatro penalidades de cinco segundos durante as corridas e uma perda de três posições no grid, aplicada após a classificação do GP da Hungria.

O britânico reconhece que alguns dos erros partiram dele, mas argumenta que as interpretações dos comissários nem sempre seguem um padrão.

Essa, inclusive, é uma reclamação recorrente entre pilotos e equipes nas últimas temporadas. Como os comissários esportivos são convidados e variam de um evento para outro, a interpretação dos incidentes nem sempre segue um padrão, gerando críticas pela falta de consistência na aplicação das punições.

Em Mônaco, Hamilton foi punido pelo excesso de velocidade no pit-lane, prova que vários pilotos também foram punidos. A FIA depois explicou que para essa punição é calculado o tempo que o piloto leva do ponto A ao ponto B para percorrer o pit-lane. Se ele fizer o percurso em um tempo menor, entende-se que ele superou a velocidade no pit e a punição é aplicada.

Mais tarde, a Alpine recorreu dessa decisão, já que Pierre Gasly recebeu duas punições por excesso de velocidade no pit-lane. A equipe francesa comprovou que o carro estava na velocidade correta e existia uma divergência na medição do pit-lane, provocando a enchorrada de punições no evento. Como alguns pilotos cumpriram a punição durante a corrida e suas equipes não recorreram da decisão, apenas Gasly conseguiu o resultado desejado e recuperou o pódio.

Para Hamilton uma nova punição aconteceu no GP da Grã-Bretanha, quando Hamilton foi declarado que o heptacampeão mundial teve uma falsa largada. O piloto movimentou o carro antes do apagar das luzes, mas não chegou a deixar sua posição no grid. Mesmo assim, recebeu cinco segundos de penalidade e terminou a corrida na terceira colocação.

Segundo o heptacampeão, o assunto foi debatido posteriormente com os comissários durante o briefing dos pilotos.

“As duas últimas corridas [antes da Hungria] foram bastante ruins da minha parte”, disse Hamilton à imprensa.

“A culpa foi minha em Silverstone; nós conversamos na reunião de pilotos sobre o fato de eles serem inconsistentes com essas coisas.”

Hamilton afirma que existem precedentes em que outros pilotos realizaram movimentos semelhantes sem receber punição.

“Já vimos pilotos se moverem antes da largada e não foram punidos. Discutimos que, desde que o carro não esteja se movendo quando as luzes se apagam, isso não deveria gerar uma penalidade. Eu não havia saído da minha posição, e eles concordaram em reavaliar esse procedimento.”

Dependendo do caso que o carro acaba se mexendo, o piloto acaba tendo mais desvantagem do que uma vantagem, pois por poucos segundos eles perdem a reação na largada. Além disso, nos colchetes que os pilotos posicionam os carros, existe um sensor que costuma acusar a queima de largada.

Na etapa seguinte, em Spa-Francorchamps, Hamilton voltou a ser punido após um toque com George Russell logo na primeira volta da corrida. O incidente rendeu mais cinco segundos ao piloto da Ferrari, apesar de Russell considerar a disputa um simples incidente de corrida.

No mesmo evento, Charles Leclerc e Oscar Piastri se tocaram; essa batida não gerou nenhuma punição, mas dias depois, os comissários reconheceram que o monegasco também merecia uma punição de cinco segundos.

O heptacampeão acredita que essa punição na Bélgica foi desnecessária. Lewis foi ainda mais prejudicado nessa corrida, por conta das decisões da Ferrari, baseadas em sua punição.

“Então eles estão investigaram isso, e [em Spa], até o piloto com quem colidi disse que foi apenas um incidente de corrida, e eles aplicaram [uma penalidade] que não era necessária, e isso me custou muitos pontos”.

O atual vice-líder do campeonato, sente que perdeu muito com essas punições ao longo das últimas etapas. Acumuladas elas realmente prejudicaram alguns resultados de Hamilton e pontos que podem fazer a diferença até o final do campeonato.

O fim de semana na Hungria também terminou de forma frustrante para o britânico. Os pontos são extremamente importantes, mas Hamilton também perdeu chances e a oportunidade de aumentar as suas marcas – já expressivas – na categoria.

Na classificação, Hamilton perdeu três posições no grid por atrapalhar Oscar Piastri durante uma volta rápida no Q3. Já na corrida, recebeu mais cinco segundos por exceder o limite de velocidade no pit lane em apenas 0,1 km/h, caindo da quarta para a quinta posição após a aplicação da penalidade.

Sobre o incidente com Piastri, Hamilton admitiu que a responsabilidade final foi sua, embora tenha citado uma falha de comunicação da equipe.

“Foi uma situação realmente infeliz. Assumo a responsabilidade porque deveria ter olhado nos retrovisores, mas achei que todos já estariam concluindo a primeira volta rápida. Também houve um erro de comunicação.”

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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