Os novos regulamentos técnicos da Fórmula 1 vão muito além da introdução de uma nova geração de carros e motores. Para Stefano Domenicali, CEO e presidente da categoria, as mudanças também representam uma oportunidade de simplificar a Fórmula 1. O dirigente mantém a visão de que a maior parte do público não acompanha o esporte pelos detalhes técnicos, mas pelas disputas em pista e pelo espetáculo proporcionado pelas corridas.
Nos últimos anos, a Fórmula 1 passou a ouvir com mais atenção o perfil do seu novo público. Parte significativa dessa audiência foi conquistada por meio da série Drive to Survive, da Netflix, que aproximou a categoria de fãs que antes não acompanhavam o automobilismo.
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Paralelamente, a Fórmula 1 expandiu sua presença para diferentes segmentos, como moda, entretenimento, colecionáveis e produtos licenciados, fortalecendo a marca e ampliando o engajamento dos torcedores dentro e fora das pistas.
A mudança no perfil do público também passou a influenciar os debates sobre o futuro da categoria. A Fórmula 1 já discutiu ampliar o número de corridas Sprint, considerando que esse formato concentra mais ação e tem sido bem recebido por parte da audiência. Também já levantaram a possibilidade de reduzir a duração das corridas, argumentando que os hábitos de consumo de conteúdo mudaram e que um formato mais dinâmico poderia atrair e manter o interesse de uma parcela maior do público.
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Ao mesmo tempo, um tema que tem gerado críticas entre os fãs é a quantidade de informações disponibilizadas durante as transmissões. A Fórmula 1 optou por não exibir os níveis de carga das baterias dos carros, reduzindo a transparência sobre um dos aspectos mais importantes da estratégia no atual regulamento.
Quando perguntado sobre essas questões Domenicali disse: “Acho que a verdade é exatamente o oposto. Porque ninguém está interessado em como você dirige seu carro. As pessoas estão interessadas se você está ultrapassando ou não”, falou.
“Essa é a grande maioria das pessoas. Concordo que certas pessoas estão focadas nisso, e isso é muito importante. É como quando estavam implementando o DRS, as pessoas não estavam interessadas na cauda específica da ultrapassagem”, seguiu.
Em algumas ocasiões, as imagens são interrompidas quando os carros percorrem retas mais longas, evitando mostrar a queda de potência provocada pelo gerenciamento de energia. Outro ponto recorrente é a direção de transmissão, que por vezes deixa de exibir bandeiras amarelas, incidentes ou disputas importantes, alimentando as reclamações de parte do público sobre a cobertura das corridas.
Domenicali ainda mencionou uma conversa que teve com o diretor de cinema, George Lucas sobre a Fórmula 1. A lenda de Hollywood, fã da competição e apoiador de Lewis Hamilton forneceu ao CEO da F1 um insite sobre a categoria.
“Tive uma conversa incrível e interessante com George Lucas no sábado. E ele me deu uma visão incrível de como os novos fãs assistem à F1. E acho que isso nos deu uma clareza para ver como podemos realmente simplificar as coisas, porque os novos fãs não entendem de verdade – o que acontece nos bastidores. Eles ficam fascinados pelo fato de haver muita ação.”
“Então, definitivamente existe a necessidade de que aqueles que estão focados nisso, tenham as informações corretas. Mas para a grande maioria das pessoas, acredite em mim, elas só querem ver o que está acontecendo na pista. [Eles] não estão interessados no ângulo do acelerador, ou pela porcentagem da pressão do freio que o piloto usa para ultrapassar.”
Foi citado como exemplo a ultrapassagem dupla realizada por Max Verstappen em Liam Lawson e Lewis Hamilton.
“Se você pensar na ultrapassagem incrível entre Max [Verstappen] e Lewis Hamilton] na Curva 1, na Hungria, aquilo é uma obra de arte que as pessoas querem ver, algo que está diretamente ligado à qualidade dos pilotos.”
“No fim das contas, trata-se de uma estratégia que o piloto utiliza para maximizar o desempenho do carro, seja na frenagem ou na potência de aceleração gerada pela eletrificação. É isso que está acontecendo. Claro, para um nicho dos nossos fãs, esses dados são relevantes e, naturalmente, estão disponíveis. Mas como eu disso, para grande maioria é essa a informação que chega.”
A introdução dos novos regulamentos da Fórmula 1, trouxeram algumas críticas por parte dos pilotos, especialmente de Verstappen, que tem mostrado a sua insatisfação com os novos carros, desde os testes de pré-temporada – quando falou que a F1 atual era uma “Fórmula E com esteroides”.
É interessante que com o passar dos meses, quando cada vez mais foram citados os problemas com o ‘super-clipping’, quando uma parcela de fãs demonstrou descontentamento com os novos motores, aos poucos os gráficos sumiram.
A diferença na transmissão é sentida tanto pelos que assinam a F1 TV e tem o serviço para obter mais informações, como por aqueles que acompanham a categoria em canais abertos.
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