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Extreme E: os preparativos para o Ocean X Prix em Dakar, no Senegal

A segunda etapa da categoria seguirá a programação original com 4 equipes disputando a final e terá o "Super Setor" com pontuação extra

Dakar. Você certamente associa esse nome a carros percorrendo as areias em alta velocidade durante provas de rally, certo? Pois é aproveitando essa memória que a Extreme E está se preparando para o Ocean X Prix. A etapa acontece neste fim de semana (29 a 30 de maio) em Lac Rose, Dakar, na costa senegalesa da África Ocidental. 

A Rosberg X Racing (RXR) conquistou a vitória na primeira corrida no mês passado, mas possui apenas sete pontos de vantagem para a terceira colocada no campeonato, a X44. Por isso, o Ocean X Prix promete uma corrida emocionante em uma região que tem o automobilismo como parte dela.

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As corridas off-road voltam às suas raízes

Situada a 37 km da capital Dakar, as margens de Lac Rose sediaram o final do mais famoso rally cross-country do mundo – o Paris-Dakar – em inúmeras ocasiões entre 1979 e 2007, e será palco do Ocean X Prix neste fim de semana.

No percurso, os pilotos enfrentarão novamente um terreno mais arenoso, embora um desafio e localização muito diferente do deserto da Arábia Saudita em um percurso que será revelado nos próximos dias.

Nove equipes e 18 pilotos vão atrás da vitória, dessa vez, com uma pequena mudança no formato da corrida: a final será uma batalha de quatro carros, com duas equipes de cada uma das duas semifinais avançando para a última disputa do fim de semana.

Sábado, 29 de maio

QUALI: as equipes serão divididas em dois grupos por sorteio e cada uma delas faz a sua tomada de tempo. 

Todas as corridas contam com duas voltas, sendo uma conduzida pelo piloto homem e a outra, pela pilota mulher. A ordem dos pilotos é definida por cada equipe.

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Domingo, 30 de maio

As equipes se classificam de 1º a 9º com base no tempo combinado das duas corridas do sábado.

  1. As três primeiras vão para a semifinal 1 e as duas melhores conquistam vagas na Final do Ocean X Prix.
  2. O meio do pelotão (4º, 5º e 6º) disputam a semifinal 2 e novamente as duas mais rápidas avançam para a final.
  3. As três últimas equipes (7º, 8º e 9º) vão para o Shoot Out, para definirem a pontuação do campeonato.
  4. A última corrida do dia conta com quatro carros: os dois primeiros colocados de cada semifinal.

As equipes também utilizam o HyperDrive – energia extra disponível para cada piloto em cada volta que dura alguns segundos. Ele é ativado por um botão no volante.

A novidade para o Ocean X Prix é o “Super Setor” – uma parte do percurso onde o piloto mais rápido nessa seção durante o fim de semana ganhará cinco pontos para sua equipe. Isso garante que qualquer posição em que as equipes se encontrem há sempre um incentivo para chegar ao limite, já que há pontos valiosos em jogo.

GridPlay

A votação do GridPlay já começou,nela os fãs têm a chance de votar em seu time favorito e influenciar a formação inicial para a Final.

Você pode votar aqui: GRIDPLAY FROM EXTREME-E

Por que Senegal?

Os oceanos do mundo estão em crise. Metade dos recifes de corais e um terço dos manguezais e capim-marinhos já foram perdidos, deixando as comunidades costeiras vulneráveis à erosão, danos causados pela tempestade e escassez de alimentos. 

Os estoques cruciais de peixes estão no ponto de colapso, ameaçando não apenas a segurança alimentar para a população humana que depende deles, mas de toda a cadeia alimentar. 

Plásticos, derramamentos de óleo e agrotóxicos estão destruindo ambientes oceânicos e contaminando cadeias alimentares. A mudança climática está causando o aquecimento de nossos oceanos, tornando-os recifes de corais mais ácidos e branqueados, derretendo o gelo nos pólos e colocando em risco a vida que eles suportam.

Acima de tudo, o aquecimento global faz com que os oceanos se aqueçam e se expandam, colocando algumas ilhas e costas em risco de desaparecer completamente. O nível do mar tem subido cerca de 30 milímetros a cada 10 anos.

A Extreme E escolheu Lac Rose no Senegal para destacar essas questões.

Lac Rose em si é um rosa vibrante devido à bactéria Dunaliella Salina, que é atraída pelo teor de sal do lago. As bactérias produzem um pigmento vermelho para absorver a luz solar, dando assim ao lago sua cor única. No entanto, os níveis de água caíram drasticamente nos últimos quarenta anos devido à super exploração da mineração de sal e do bombeamento de água.

Além disso, a poluição plástica é outro grande problema que afeta o Senegal, com a montanha de plástico de uso único lavando-se nas costas crescendo dia a dia e ameaçando espécies marinhas e a saúde humana. Estima-se que 32% de todas as embalagens plásticas usadas globalmente não sejam recicladas ou descartadas adequadamente e 80% do plástico encontrado no oceano vem deste lixo não gerenciado em terra. 

Se não for controlada, quatro bilhões de toneladas de poluição plástica entrarão em nossas terras e oceanos até 2050.

Deixando um legado positivo de longa duração

A conservacionista Sheena Talma se juntará à categoria no Senegal para sediar palestras sobre essas questões e apoiar o Programa Legado.

Assim como em cada uma de suas localidades, a Extreme E está lançando programas para apoiar a luta contra a crise climática e as comunidades locais que sofrem devido às muitas questões trazidas.

No Senegal, a Extreme E está apoiando dois projetos. O primeiro é a ONG local Oceanium, que vai plantar um milhão de manguezais no Senegal em 60 hectares com o objetivo de reflorestá-los, proporcionar educação às populações locais e melhorar a coesão social.

Já o segundo é o Projeto EcoZone, um laboratório vivo que aborda as necessidades primárias da comunidade Lac Rose, preservando o meio ambiente através da aprendizagem experiencial, agricultura regenerativa e uma economia circular. Como parte disso, foi lançado o Desafio EcoBrique, que encarregou a comunidade de criar tijolos para construção a partir de resíduos plásticos.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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