Fernando Alonso não poupou críticas à atual geração de unidades de potência da Fórmula 1 após uma sexta-feira (05) complicada no GP de Mônaco. O bicampeão mundial classificou os carros atuais como os piores que já pilotou nas ruas de Monte Carlo e apontou a gestão de energia dos motores híbridos como um dos principais fatores para a perda de prazer e previsibilidade ao volante.
A Aston Martin teve um início de fim de semana difícil no Principado. Alonso lidou com uma batida no final do primeiro treino livre, enquanto ele e Lance Stroll figuraram entre os pilotos mais lentos tanto no TL1. A situação difícil da equipe britânica não mudou no decorrer da sexta-feira ou no sábado. Ao analisar o desempenho da equipe e as características dos carros atuais, o espanhol direcionou suas críticas ao regulamento técnico e à forma como a energia elétrica é utilizada durante as voltas.
A divisão de potência praticamente equilibrada entre o motor a combustão e o sistema elétrico tem sido alvo de reclamações ao longo da temporada, por conta das mudanças implementadas para 2026. Diversos pilotos já manifestaram incômodo com a necessidade de administrar constantemente a bateria, recorrendo ao chamado “superclipping” para evitar o esgotamento da energia disponível em determinados trechos da pista.
O efeito colateral dessa característica é a perda de potência em alguns momentos da volta e a necessidade de modificar a forma tradicional de pilotagem. Em vez de manter o acelerador totalmente pressionado, os pilotos precisam realizar ajustes constantes para otimizar o uso da energia elétrica.
Mônaco era apontado como uma exceção dentro do calendário. Por conta das baixas velocidades médias e das poucas retas longas, esperava-se que o circuito minimizasse os efeitos da gestão energética. No entanto, Alonso afirmou que o problema continua impactando diretamente o comportamento dos carros.
“Esta é provavelmente a pior geração de carros que já dirigi em Mônaco. A forma como você carrega a bateria, com a frenagem, a desaceleração e coisas do tipo, obviamente cria muita inconsistência na frenagem do motor do carro.”
O piloto da Aston Martin destacou ainda que, quando a bateria atinge sua capacidade máxima de armazenamento, o sistema deixa de recuperar energia, alterando novamente a resposta do carro nas entradas de curva.
“Às vezes temos menos, às vezes temos impulso e às vezes não. Se a bateria estiver completamente cheia, não a recarregamos, porque está cheia. Portanto, não temos frenagem do motor. É como se estivesse recebendo um impulso.”
“São simplesmente as regras. Os carros híbridos não deveriam competir. É tão simples quanto isso.”
Além das dificuldades enfrentadas ao longo da sexta-feira, Alonso também lidou com um problema na caixa de câmbio da Aston Martin. A falha é apontada como uma das possíveis causas do acidente no TL1, quando o espanhol atingiu o muro na entrada da chicane e quebrou a asa dianteira do carro.
“Agora, recuperamos muita energia durante a frenagem”, disse ele. “O eixo traseiro está carregando a bateria de forma massiva durante a frenagem.”
“E aí você tem essas reduções de marcha que exigem interação com a aceleração do motor para engatar a próxima marcha. Tem muita coisa acontecendo este ano e parece que ainda não estamos no nível ideal.”
O pior dessa situação é que a Fórmula 1 já precisará passar por novos ajustes no motor para 2027 – se as fabricantes concordarem – enquanto isso, a categoria também já orquestra um possível retorno do motor V8.
A Aston Martin segue sem pontuar em 2026, juntamente com a Cadillac, são as equipes que mais tem enfrentados problemas no campeonato.
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