A Aston Martin encerrou a primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1 com apenas um ponto conquistado, um resultado muito abaixo das expectativas que cercavam a equipe antes do início do novo regulamento técnico. Ao longo das onze primeiras etapas, o desempenho do time britânico foi acompanhado de perto, principalmente porque a Aston Martin era vista como uma das equipes que poderiam dar um salto significativo nesta nova era da categoria.
Nos últimos anos, a equipe investiu de forma agressiva para se consolidar entre as principais forças do grid e construir uma estrutura capaz de disputar títulos mundiais. O projeto envolveu uma série de contratações estratégicas, reunindo alguns dos profissionais mais disputados da Fórmula 1, incluindo Adrian Newey, que deixou a Red Bull para assumir um papel central no desenvolvimento técnico da Aston Martin.
Paralelamente às mudanças no quadro de funcionários, a equipe também promoveu uma profunda modernização de sua infraestrutura. A construção de uma nova fábrica e a ampliação dos recursos tecnológicos acompanharam a ambição do projeto, evidenciando que a Aston Martin não mediu esforços para criar as condições necessárias para lutar no topo da Fórmula 1. O desempenho em pista, porém, ainda está distante do investimento realizado e das expectativas criadas em torno da equipe.

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A primeira fase da pré-temporada, realizada em Barcelona, já indicava que a Aston Martin enfrentaria um início de campeonato bastante complicado. A equipe britânica chegou ao circuito com atraso e, logo nos primeiros testes, os problemas relacionados à nova unidade de potência ficaram evidentes.
Para a estreia do regulamento de 2026, a Aston Martin encerrou sua longa parceria com a Mercedes e iniciou uma nova fase ao lado da Honda. A escolha parecia natural: a fabricante japonesa vinha de anos de sucesso ao lado da Red Bull, desempenhando papel fundamental em um novo período dominantes da equipe austríaca.
No entanto, a expectativa rapidamente deu lugar à preocupação. A falta de potência do motor e, principalmente, as fortes vibrações comprometeram o desenvolvimento inicial do AMR26. Fernando Alonso e Lance Stroll relataram repetidamente o desconforto provocado pelo comportamento do carro, que vibrava de forma intensa, dificultando a pilotagem e até causando desgaste físico durante as sessões.
Em determinados momentos, os pilotos sequer conseguiam completar stints mais longos devido ao nível de vibração. Antes mesmo de pensar em extrair desempenho do conjunto, Aston Martin e Honda precisaram concentrar esforços em solucionar esse problema básico de confiabilidade. Entre as primeiras medidas adotadas esteve a instalação de novos calços e ajustes na fixação da unidade de potência, na tentativa de reduzir as vibrações e permitir que o carro pudesse, ao menos, ser guiado de forma consistente.
Foi apenas após o GP do Japão, aproveitando a pausa inesperada provocada pelo cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, que a Honda conseguiu mergulhar de vez nos problemas enfrentados pela Aston Martin. A equipe britânica deixou um chassi do AMR26 para a fabricante japonesa, permitindo que os engenheiros investigassem de perto a origem das fortes vibrações que comprometiam o desempenho e a dirigibilidade do carro.
Enquanto esse trabalho era realizado, outro problema se tornava cada vez mais evidente: a falta de potência e performance da unidade de potência japonesa. Apesar do sucesso conquistado ao lado da Red Bull nos últimos anos, a Honda havia decidido deixar a Fórmula 1, durante esse processo, fez uma grande mudança em parte de sua estrutura de desenvolvimento de motores.
Quando firmou a parceria com a Aston Martin para 2026, a realidade encontrada era bastante diferente. Na prática, a Honda precisou reconstruir seu programa de motores, reorganizando equipes, recuperando funcionários que estiveram em outro momento vinculados a operação de motores na F1, sem falar nos processos e infraestrutura para tentar atingir o nível de desempenho esperado pela fabricante britânica.
Os problemas, no entanto, não estavam restritos à unidade de potência. O próprio AMR26 revelou-se um projeto muito mais problemático do que a equipe imaginava. Meses depois, Adrian Newey admitiu que encontrou uma série de deficiências ao assumir um papel mais ativo no desenvolvimento do carro. Segundo o projetista, parte das dificuldades da Aston Martin foi consequência tanto de sua chegada tardia ao comando técnico quanto de limitações estruturais da própria fábrica.
Embora, inicialmente, a equipe tenha tentado minimizar a gravidade da situação, o desempenho em pista acabou expondo as dificuldades internas. Faltava competitividade, mas também clareza sobre a origem de tantos problemas.

Com o passar das corridas, Newey revelou que a Aston Martin enfrentava falhas de calibração em equipamentos fundamentais para o desenvolvimento do carro. A correlação entre os dados obtidos no simulador, no túnel de vento e na pista simplesmente não funcionava como deveria, comprometendo a eficácia das atualizações. Além disso, o AMR26 também nasceu acima do peso mínimo estabelecido pelo regulamento, outro fator que limitou significativamente o potencial do projeto desde o início da temporada.
Newey também revelou que o AMR26 foi desenvolvido sob um cronograma extremamente apertado, o que comprometeu a exploração completa dos conceitos idealizados para o projeto. Segundo o britânico, a equipe não teve tempo suficiente para validar soluções e amadurecer o carro antes de sua estreia, fazendo com que diversos problemas fossem descobertos apenas ao longo da temporada.
Diante desse cenário, a Aston Martin optou por uma estratégia conservadora. Em vez de investir em pequenas atualizações ao longo das primeiras corridas, a equipe decidiu concentrar seus recursos enquanto aguardava que a Honda também tivesse condições de introduzir melhorias em sua unidade de potência.
A principal evolução do AMR26 só chegou no GP da Hungria, como resultado do trabalho amplo do time de engenharia. Em um circuito travado, onde a potência do motor tem impacto relativamente menor, a equipe apresentou um robusto pacote de atualizações, composto por 16 modificações, alterando praticamente todas as áreas do carro. Na prática, tratava-se de uma versão profundamente revisada do projeto original.
As mudanças surtiram efeito imediato, com componentes mais leves e uma plataforma aerodinâmica mais eficiente, a Aston Martin conseguiu dar um pequeno passo à frente no pelotão, ultrapassando a Cadillac em desempenho. Fernando Alonso, inclusive, alcançou o Q2 pela primeira vez na temporada, um resultado que simbolizou a evolução do carro, ainda que o desempenho continuasse distante das equipes da frente.
Embora Alonso ainda esteja tomando uma decisão sobre disputar ou não a próxima temporada, o espanhol foi fundamental neste momento de dificuldade da equipe. O bicampeão mundial tentava ficar o máximo de tempo em pista com o carro, passar um feedback completo para o time e acompanhar os processos de evolução.
A expectativa agora recai sobre a próxima etapa do campeonato. A Honda prepara uma atualização para a unidade de potência que será introduzida no GP da Holanda, em Zandvoort. A combinação entre o novo pacote aerodinâmico e a evolução do motor alimenta a esperança da Aston Martin de disputar posições mais competitivas na segunda metade da temporada e, finalmente, transformar essa evolução em pontos no campeonato.
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