A Fórmula 1 chega à 16ª etapa da temporada para reencontrar um palco que já fez parte do calendário da categoria, mas em circunstâncias completamente diferentes das previstas originalmente. O destino da categoria será o Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, que volta a receber um Grande Prêmio após anos fora do calendário. Apesar do local, a prova será realizada oficialmente como GP do Bahrein, em uma compensação do calendário.
A etapa malaia foi inserida no cronograma após a impossibilidade de realização das provas previstas no Bahrein e na Arábia Saudita, em meio aos conflitos que afetam o oriente médio. Com a necessidade de reorganizar o calendário, a Fórmula 1 aproveitou a janela de 15 dias entre os GPs do Azerbaijão e de Singapura para levar a competição novamente a Sepang — circuito que recebeu a categoria regularmente entre 1999 e 2017.
E o retorno acontece em um momento importante da temporada. Kimi Antonelli chega à Malásia na liderança do campeonato, com 302 pontos, mas vê a vantagem diminuir após a etapa do Azerbaijão. George Russell, vencedor em Baku, soma 236 pontos e ocupa a segunda colocação, 66 pontos atrás do companheiro de Mercedes.
Em Baku, Russell teve um fim de semana de destaque desde a classificação e confirmou o bom desempenho na corrida. O britânico construiu uma vantagem confortável na primeira parte da prova, mas as intervenções do Safety Car alteraram completamente o cenário e permitiram que Max Verstappen se aproximasse nas voltas finais. Ainda assim, Russell resistiu à pressão e conquistou sua primeira vitória desde o GP da Áustria, antes da pausa da temporada.

O resultado também permitiu ao britânico reduzir a diferença para Antonelli. O italiano terminou o GP do Azerbaijão na quinta posição, depois de largar apenas em 16º, e manteve a liderança graças à vantagem construída nas etapas anteriores.
Atrás dos dois pilotos da Mercedes, Lewis Hamilton aparece em terceiro, com 199 pontos, seguido por Lando Norris, com 186, e Charles Leclerc, com 179. Norris deixou Baku sem pontuar após ser envolvido no acidente provocado por Franco Colapinto durante a relargada, enquanto Leclerc terminou a prova na quarta posição.
Max Verstappen, por sua vez, chega a Sepang com 163 pontos e novamente como um dos protagonistas da disputa. O piloto da Red Bull foi quem mais pressionou Russell pela vitória no Azerbaijão e terminou a corrida apenas 0s196 atrás do vencedor. Logo depois aparece Oscar Piastri, com 120 pontos, após perder posições em Baku por conta de um erro durante a corrida.
O Circuito de Sepang
O retorno da Malásia ao calendário marca também a volta da Fórmula 1 ao Circuito Internacional de Sepang pela primeira vez desde 2017. A relação do país com a categoria, porém, começou ainda na década de 1990, quando o então primeiro-ministro Mahathir Mohamad impulsionou a construção de um autódromo de padrão internacional.
Projetado pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, o circuito começou a ser construído em 1997 e recebeu seu primeiro Grande Prêmio em 1999. Naquela estreia, Eddie Irvine venceu pela Ferrari, em uma corrida que ajudou a estabelecer Sepang como uma das pistas mais rápidas e desafiadoras do calendário.
Desde então, o traçado também passou a servir como referência para uma nova geração de autódromos construídos especificamente para a Fórmula 1.
Com 5.543 km de extensão, Sepang combina longas retas, fortes zonas de frenagem e curvas de alta velocidade. O desenho favorece um ritmo fluido, mas exige bastante dos pilotos, principalmente nas mudanças de direção e na capacidade de manter o equilíbrio do carro em curvas rápidas.

A Curva 1 é uma das principais zonas de frenagem do circuito. A pista é bastante larga no trecho, permitindo diferentes traçados, mas o piloto precisa retardar a frenagem e buscar um ápice tardio para conseguir uma boa saída da curva 2.
O segundo setor é marcado por uma sequência de curvas de alta velocidade. A Curva 5 exige uma entrada comprometida e estabilidade aerodinâmica, enquanto a mudança de direção para a Curva 6 acontece em uma região em que o traçado apresenta uma leve queda. É justamente nesse trecho que os carros atingem algumas das maiores velocidades em curva de todo o circuito.
Depois de uma passagem um pouco mais lenta pela Curva 7, o piloto entra novamente em uma sequência que exige precisão para transformar a saída em uma oportunidade de aceleração.
As frenagens das Curvas 11 e 14 também estão entre os pontos mais delicados da volta. Na 14, especialmente, existe o risco de travamento da roda dianteira direita. A saída é importante porque antecede a última grande frenagem do circuito e a principal oportunidade de ultrapassagem da volta, na Curva 15.
Em resumo, Sepang exige um carro equilibrado em diferentes faixas de velocidade: eficiência aerodinâmica nas retas, estabilidade nas curvas rápidas, boa tração nas saídas e controle da degradação dos pneus.
A volta de Sepang também cria uma situação incomum no grid atual. Apenas 10 dos pilotos que disputam a temporada de 2026 já correram no circuito, todos eles há quase uma década.
Isso significa que nomes como Lewis Hamilton e Fernando Alonso, que acumularam experiência em Sepang durante a passagem anterior da Fórmula 1 pelo circuito, terão referências que os pilotos mais jovens não possuem. Ao mesmo tempo, a distância de quase nove anos desde a última corrida faz com que essa vantagem não seja absoluta.
Além disso, a mudança na geração de carros, pneus e regulamentos torna os dados históricos menos diretamente aplicáveis aos atuais monopostos. Na prática, todos os pilotos terão uma curva de aprendizado importante ao longo do fim de semana, especialmente durante os treinos livres.
Calor, umidade e chuva: os outros desafios de Sepang
Se o traçado já impõe dificuldades suficientes, o clima da região adiciona outra variável importante.
Sepang é conhecida pelas temperaturas elevadas, alta umidade e mudanças repentinas nas condições meteorológicas. As fortes pancadas de chuva podem aparecer rapidamente e transformar completamente o comportamento da pista, criando situações em que equipes e pilotos precisam reagir em poucos minutos.
A combinação entre calor e umidade também aumenta o desafio físico para os pilotos e interfere no gerenciamento dos pneus. Em uma pista abrasiva e com curvas de alta velocidade, o controle da temperatura dos compostos será fundamental para preservar o desempenho ao longo dos stints.
Pneus
Para o retorno da Fórmula 1 a Sepang, a Pirelli definiu uma seleção intermediária da gama de compostos: C2 (duro – faixa branca), C3 (médio – faixa amarela) e C4 (macio – faixa vermelha). A escolha é mais agressiva do que a utilização dos três compostos mais duros disponíveis e busca ampliar as possibilidades estratégicas ao longo da corrida.

A combinação coloca à disposição das equipes uma diferença maior de desempenho entre os compostos, mas também aumenta a importância do gerenciamento dos pneus. Em uma pista que exige bastante dos carros nas curvas de alta velocidade e possui longas zonas de aceleração, encontrar o equilíbrio entre desempenho e durabilidade será fundamental.
O asfalto de Sepang é considerado relativamente abrasivo, com características de severidade comparáveis às encontradas em circuitos como Spa-Francorchamps e Xangai. A pista também apresenta uma exigência térmica significativa, especialmente diante das temperaturas elevadas esperadas para o fim de semana.
Por isso, a evolução das condições do asfalto será outro fator importante. Com a passagem dos carros ao longo das sessões, a tendência é que a pista ganhe aderência progressivamente, à medida que a borracha se acumula no traçado. Para as equipes, isso significa que os dados obtidos na sexta-feira precisarão ser interpretados levando em consideração essa evolução.
Asfalto renovado aumenta as incógnitas
O circuito também passou por intervenções desde a última passagem da categoria. Trechos entre as Curvas 6 e 12 foram recapeados em 2023, com trabalhos adicionais nas proximidades da Curva 9. Mais recentemente, a partir do início de setembro, novas intervenções foram realizadas para nivelar a superfície, reduzir irregularidades e limpar o asfalto.
As mudanças tornam ainda mais difícil utilizar os dados históricos como referência direta. Mesmo as equipes que possuem informações anteriores sobre Sepang precisarão reconstruir parte da compreensão do circuito, especialmente no que diz respeito ao comportamento dos pneus sobre a superfície atual.
Por isso, os treinos livres terão importância elevada. As primeiras sessões servirão não apenas para encontrar o acerto ideal do carro, mas também para entender a evolução da pista, comparar os compostos e estimar os níveis de degradação em diferentes condições de carga de combustível.
Curiosidades sobre Sepang
- Lewis Hamilton e Michael Schumacher dividem o recorde de poles em Sepang, com cinco cada.
- O circuito foi o primeiro projeto de Fórmula 1 construído do zero por Hermann Tilke. Antes dele, o alemão havia trabalhado na modernização do atual Red Bull Ring, na Áustria.
- A vitória mais recente da Ferrari em condições de chuva aconteceu na Malásia, em 2012, quando Fernando Alonso venceu largando da oitava posição.
- A edição de 2026 será a 22ª vez que o GP do Bahrein é disputado, mas a primeira fora do Circuito Internacional do Bahrein, em Sakhir.
- A mudança de sede não é inédita na história da Fórmula 1. O GP de San Marino foi disputado na Itália entre 1981 e 2006, enquanto as edições de 1997 e 1998 do GP de Luxemburgo aconteceram na Alemanha. Já o GP da Suíça de 1982 foi realizado na França.

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