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Pilotos e diretores de equipe refletem sobre a primeira rodada do Festival de Berlim

Na primeira folga da maratona de seis corridas em nove dias, equipes fazem primeira avaliação em coletiva de imprensa

Um dia de descanso no Festival de Berlim e por “descanso” entenda “sem atividades na pista, mas com muito trabalho a fazer”. Pilotos e chefes de equipe se reuniram para uma coletiva de imprensa virtual na qual avaliaram as duas primeiras rodadas da final da categoria. Participaram Sylvain Filippi, team principal da Virgin, James Barclay, team principal da Jaguar e Amiel Lindesday, chefe de operações da Porsche. Além dos pilotos Andre Lotterer (Porsche), Stoffel Vandoorne (Mercedes) e Edoardo Mortara (Venturi). 

De um modo geral, todos os dirigentes avaliaram como positivos os resultados obtidos nas duas primeiras corridas.

No entanto, Sylvain Filippi também destacou o desempenho da principal rival: “Claro que a Techeetah está bem à frente, mas como equipe fomos quem mais marcou pontos depois deles. Temos mais quatro corridas para voltar ao top 3, então temos que manter o foco nisso”. Falar o que precisa ser melhorado não é uma tarefa fácil para o diretor da Virgin: “Queria ter uma resposta simples para isso, mas com tantos traçados diferentes, temos que fazer diversos ajustes para cada um deles. Além disso, a previsão do tempo para o sábado é de 35ºC, então a questão da temperatura também. É justo dizer que nossos engenheiros estão bem ocupados agora”. 

A saída de Sam Bird da equipe também foi assunto: “Tenho grande respeito por Sam e agradeço tudo o que ele fez pela equipe nesses anos, mas é hora de ele seguir em frente, então desejo que ele faça um bom trabalho na Jaguar. Nick é um jovem talento muito promissor, por isso o escolhemos. Ele trabalhou bem conosco antes e tem feito um ótimo trabalho no Japão”. 

A Virgin declarou recentemente que se tornou neutra na emissão de carbono e agora é a equipe mais verde da categoria mais verde: “Estamos muito orgulhosos por essa conquista, falei para a equipe que não é algo que nos dá troféus, mas isso diz muito sobre nós mesmos, sobre nossos princípios. Trabalhamos duro por dois anos e conseguimos chegar nesse resultado. Não me importo muito por ter sido a primeira equipe a conseguir, quero que todas as equipes se inspirem e façam isso também, queremos ser exemplo”.

Etapa de Berlim - Foto: Virgin Media
Etapa de Berlim – Foto: Virgin Media

Na avaliação de James Barclay, os primeiros dois da Jaguar foram bem diferentes: “No primeiro, Mitch foi o segundo mais rápido do primeiro grupo, mas a diferença para da Costa era muito grande. Estávamos fazendo uma boa corrida, até os incidentes com Buemi e Guenther. Quando James saiu da garagem identificamos um problema no carro dele. Às vezes essas coisas acontecem, não importam o quanto a gente se prepare. Ontem andamos bem no treino livre, mas o resultado não veio como queríamos no Quali. Sabemos que o carro tem ritmo, precisamos trabalhar no que ainda temos dificuldades”. 

A Jaguar não deve ter muita folga na sexta-feira: “O que um time pode fazer em um dia? É sempre bom ter um tempo para parar e analisar as coisas com calma, nossa equipe vai ter uma chance de identificar onde podemos melhorar e trabalhar em cima disso”. O diretor continuou: “Tiro o chapéu para a Fórmula E por ter organizado essa final, mas para as equipes é difícil sim. Os prazos são muito apertados e não temos tanta gente disponível para corrigir erros, principalmente se tivermos problemas como os de quarta-feira. Realmente vai ser mais difícil se for assim nas próximas rodadas”.

James Calado - Foto: Jaguar Racing
James Calado – Foto: Jaguar Racing

Barclay ainda comentou sobre a Jaguar IPACE e Trophy que tem Cacá Bueno como líder do campeonato: “É um projeto do qual tenho muito orgulho. A Jaguar IPACE é uma excelente categoria suporte que nos proporcionou ótimas corridas e nos ajudou a desenvolver componentes importantes para os carros de rua, como o software a ser utilizado nos veículos dos clientes”.

Sérgio Jimenez (LAT Images - Jaguar I-PACE eTROPHY)
Sérgio Jimenez (BRA), ZEG iCarros Jaguar Brazil

A mudança de equipe de Sam Bird também foi assunto para o chefe da nova equipe do inglês: “Ele fala por si mesmo, basta olhar as corridas desses dois dias, ele teve ótimos resultados. Realmente precisamos ter dois pilotos que possam lutar por pódios e pensar no campeonato”.

Para o chefe de operações da Porsche, Amiel Lindesday, realizar seis corridas em nove dias é “Um grande desafio, com certeza”. E completou dizendo que “É difícil para todo mundo trabalhar tanto em tão pouco tempo, e nós somos os estreantes esse ano. A expectativa é de que a preparação que fizemos em casa se pague na pista, o que deu certo na primeira corrida, mas ainda existem áreas que precisamos melhorar juntos e estamos nos esforçando para que o rendimento de ninguém caia”.

André Lotterer tem dois segundos lugares pela equipe, e assim como o piloto, a Porsche ainda não conseguiu vencer na competição, mas de acordo com Lindesday, a chave da vitória parece ter sido encontrada: “O resultado da primeira corrida foi fantástico, mostra que temos ritmo, mas as coisas são complicadas na Fórmula E, porque qualquer erro te leva para fora do top 10. Mas nós temos uma boa ideia de onde estão nossos principais problemas e vamos nos concentrar em resolvê-los juntos”. 

Andre Lotterer - Foto: Porsche Media
Andre Lotterer  – Foto: Porsche Media

Mas apesar do primeiro lugar não ter vindo ainda, o desempenho da equipe na temporada é positivo: “Avaliando o desempenho geral, estou feliz com o que conquistamos. Claro que queríamos resultados melhores, mas a holding está satisfeita com o nosso desempenho. Nosso pódio na primeira corrida foi um sonho, claro que queremos que essas coisas aconteçam, mas fazê-las acontecer é outra história. Estamos motivados para terminar esse ano bem”. 

Entre os pilotos, Edoardo Mortara foi o primeiro a falar sobre sua performance: “Corridas difíceis, problemas técnicos nos dois dias que ainda não foram resolvidos, principalmente nos freios. O carro fica difícil de pilotar, o que é uma pena porque o ritmo não está ruim, mas marquei pontos mesmo assim. A pista é muito abrasiva, isso dificulta o gerenciamento dos pneus, sem falar nos contatos entre os carros durante as corridas, isso deixa detritos na pista, se você passar por cima de um deles, mesmo um pequeno, isso pode te custar um pneu”. 

O desempenho ruim de Felipe Massa tem sido assunto constante na imprensa, Mortara foi questionado se a diferença entre eles dois era a performance no Quali. O suíço respondeu categoricamente: “Falo apenas dos meus problemas. Felipe tem os dele e acho que cada piloto se preocupa apenas com seus próprios problemas. Acho que é difícil ir bem no Quali da Fórmula E porque o grid é muito forte. É uma questão de ter voltas perfeitas o tempo todo. Falando por mim, tenho tido voltas muito boas desde o começo da temporada, tem sido um fator chave para marcar pontos”.

Edoardo Mortara - Foto: Venturi Racing
Susie Wolff e Edoardo Mortara no Festival de Berlim – Foto: Venturi Racing

Embora o cronograma apertado tenha sido uma preocupação geral, Andre Lotterer mostrou que até agora não tem do que reclamar: “A rotina está mais tranquila do que eu pensava. As corridas normais são mais cansativas, porque temos que estar na pista muito cedo e os horários são apertados. E você sempre tem que ir bem, se não você se esforça pra nada. As coisas aqui estão mais leves, os treinos livres começam mais tarde, tem mais tempo entre o quali e a corrida. Dá pra tirar um cochilo entre as sessões porque tem mais tempo de uma pra outra”.

Stoffel Vandoorne chegou atrasado na coletiva, mas teve tempo para fazer sua avaliação: “Acho que a performance do time foi boa no geral. Não fui muito bem nos Qualis, então isso é algo que preciso trabalhar para as próximas corridas. Já consegui antes, por isso sei que é possível [largar na frente do grid]. A Fórmula E é uma competição muito difícil, a punição para qualquer erro é muito dura”. 

O belga também revelou que jogou a toalha em relação ao título e que vai manter o foco em se consolidar na 2ª posição: “Acho que ninguém está mais pensando no Antonio, ele está muito distante, é difícil alcançá-lo. Ele tem que fazer algo muito errado para alguém chegar nele. Marcar 68 pontos em 4 corridas é muito difícil. Meu objetivo é melhorar minha posição no quali e continuar marcando pontos, acho que fora isso não há muito mais o que fazer”.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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