Às vésperas das 6 Horas de São Paulo, quarta etapa do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), a Peugeot encara o retorno a Interlagos confiante para conseguir um bom resultado no Brasil. Para a equipe francesa, o traçado paulista reúne características favoráveis ao 9X8, mas a previsão de chuva para o domingo pode transformar completamente o cenário da corrida.
Malthe Jakobsen acredita que as condições climáticas serão um dos principais fatores para o resultado da prova. Embora a previsão ainda possa sofrer alterações, o dinamarquês avalia que uma corrida sob chuva não seria necessariamente um obstáculo para a Peugeot, lembrando o bom desempenho da equipe em condições semelhantes na temporada passada.
“Um dos fatores cruciais será o clima. Já demos uma olhada na previsão do tempo, não sou especialista em clima aqui no Brasil, então talvez ainda possa mudar, mas se chover, acho que definitivamente não será ruim para nós. A última corrida na chuva que tivemos foi em Austin, no ano passado, onde conquistei meu primeiro pódio no WEC e também o primeiro pódio da equipe na temporada de 2025. Então, acho que temos que manter a mente aberta e estar preparados para qualquer coisa que possa acontecer no domingo”, falou Jakobsen ao Boletim do Paddock.
“Mas, no fim das contas, também sabemos que Le Mans foi muito difícil para nós, então não acho que o objetivo seja estar na frente, mas sim ir passo a passo. Acho que não temos nenhuma pressão para defender o campeonato ou algo do tipo, então, vamos apenas tentar aproveitar e tirar o melhor proveito disso.”
Além das condições meteorológicas, Jakobsen reconhece que a Peugeot ainda busca recuperar competitividade após uma difícil participação nas 24 Horas de Le Mans. Segundo o piloto, o objetivo é seguir evoluindo etapa após etapa, sem estabelecer metas irreais para o fim de semana em São Paulo.

Loïc Duval compartilha da avaliação do companheiro e destaca que Interlagos marcou o início da recuperação da Peugeot na temporada passada. O francês lembra que foi justamente no circuito brasileiro que a equipe conseguiu reunir um bom desempenho tanto na classificação quanto na corrida, criando uma base importante para o restante do campeonato.
“Sim, quero dizer, o mesmo em relação ao clima, e acho que também vimos no ano passado que começamos a ganhar impulso, sabe, depois de Le Mans, foi aqui a primeira vez que tivemos uma classificação realmente boa, uma boa corrida, então sabemos que esta pista talvez se adapte um pouco melhor ao nosso carro, e temos algumas boas lembranças aqui, então, estou realmente ansioso pelo fim de semana.”
O experiente piloto também acredita que o traçado brasileiro oferece um desafio particular para pilotos e equipes. O circuito, um dos mais curtos do calendário do FIA WEC, exige atenção constante ao tráfego entre Hypercars e LMGT3, especialmente no miolo sinuoso de Interlagos.
“Quer dizer, claro, não é o lugar mais fácil, porque é uma pista tão curta, e no miolo, ela é muito estreita, tem muito tráfego, é um verdadeiro desafio, mas acho que também é algo que é muito divertido para os pilotos.”
Outro tema abordado com os pilotos durante a entrevista realizada pelo Boletim do Paddock foi a formação das equipes nas provas de seis horas. Diferentemente do que ocorre em alguns campeonatos de endurance, os times no FIA WEC têm preferência em ter três pilotos por carro durante toda a temporada, modelo defendido tanto por Jakobsen quanto por Duval.
“Depende muito. Na verdade, essa é uma pergunta muito boa e um assunto que acho que muitas equipes e pilotos discutem o tempo todo. É possível argumentar que, nos treinos, tudo fica muito mais flexível e mais fácil para seguir o programa de atividades e preparar todos os pilotos para a corrida quando você tem apenas dois pilotos.”
“Mas acho que uma das principais coisas que precisam ser consideradas nas corridas de seis horas é que, se você tem apenas dois pilotos, por exemplo em relação aos limites de pista, cada piloto tem uma restrição de tempo e na quinta hora, recebe uma penalidade de drive-through. Já com três pilotos, você tem uma distribuição melhor.”
Na avaliação de Jakobsen, apesar de uma dupla facilitar a divisão do tempo de pista durante os treinos, a manutenção de três pilotos proporciona maior continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo do campeonato. O piloto também lembra que ocorre uma melhor divisão do tempo que cada um permanece com o carro. Como explicou Theo Pourchaire é como se os pilotos realizassem uma Sprint.
Duval acrescenta que, embora a preparação durante os treinos seja mais simples com apenas dois pilotos, provas mais exigentes fisicamente, como as disputadas em altas temperaturas, tornam praticamente indispensável a presença de um terceiro integrante no carro.
Além disso, o francês considera fundamental que o trio trabalhe junto durante toda a temporada para chegar às 24 Horas de Le Mans totalmente integrado.
“Nós vimos isso, quer dizer, no ano passado aqui, na verdade, éramos só nós dois no carro. Com certeza, isso facilita muito o planejamento dos treinos, você tem mais tempo para se acostumar com o carro, para se atentar aos detalhes, para realmente entender o que está acontecendo. Para a corrida, como ele disse, isso complica um pouco as coisas em alguns aspectos. Um piloto está pilotando muito mais do que o outro, então às vezes, quando você vai para uma pista onde o aspecto físico pode influenciar, isso pode ser um problema.”
“Quando você vai para o Bahrein, por exemplo, no final do ano, e está muito, muito quente, talvez se fossem apenas dois pilotos seria difícil, mas acho que quando entrei para a equipe, mesmo sendo um campeonato mundial e cada corrida sendo importante, o principal objetivo são as 24 Horas de Le Mans e é super importante construirmos algo juntos, nós três, para termos a mesma sensação, nos sentirmos confortáveis da mesma forma e com a mesma experiência. Então, acho que para mim é o caminho certo manter três pilotos durante toda a temporada”, afirmou Duval.
Questionados sobre possíveis atualizações para as 6 Horas de São Paulo, os pilotos confirmaram que a Peugeot utilizará praticamente a mesma configuração técnica apresentada nas 24 Horas de Le Mans. Existe um rumor sobre uma mudança no projeto, para que o equipamento continue em evolução.
“É o mesmo carro que tínhamos em Le Mans, então conhecemos o conjunto, conhecemos esta pista. Comparado ao ano passado, são pneus diferentes, então talvez tenhamos que ajustar aqui e ali, colocar algumas coisas, mas tecnicamente não há nenhuma mudança importante.”
Segundo a equipe, a principal diferença para a etapa brasileira estará na adaptação aos pneus e às características específicas do circuito de Interlagos, sem a introdução de novos componentes no carro.
“Talvez no futuro tenhamos algumas diferenças, mas acho que a Peugeot Sports está mais apta a explicar as partes técnicas do que nós, pilotos, não temos informações sobre o futuro da parte técnica.”

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