A pressão sobre Frédéric Vasseur voltou ao centro das atenções no fim de semana do GP do Bahrein, disputado em Sepang. Os rumores ganharam força após declarações de Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, que afirmou que teria interesse em trabalhar na Ferrari. A possibilidade alimentou especulações sobre uma eventual mudança no comando da equipe italiana.
Sem conquistar novos títulos e por enfrentar os mesmos problemas corriqueiramente, a posição do chefe de equipe na Ferrari é sempre ameaçada. Não é de agora que equipe italiana é cobrada para conquistar pódios e vitórias.
O trabalho realizado pela McLaren, acaba se tornando a comparação mais palpável, quando fazemos uma comparação direta com a Ferrari e suas diversas tentativas nos últimos anos de superar não apenas a Mercedes, como a Red Bull.
A permanência de Vasseur na equipe italiana já foi questionada em outro momento, mas os rumores retornaram, após o ex-chefe de equipe da Red Bull, demonstrar interesse.
A Ferrari, porém, tratou de afastar publicamente a hipótese. Antes do início das atividades em Sepang, a equipe conversou com a imprensa para reforçar que Vasseur conta com o apoio do presidente John Elkann e do CEO Benedetto Vigna.
O francês também recebeu apoio dos pilotos, Charles Leclerc classificou as discussões sobre o futuro de Vasseur como “desagradáveis” e “desrespeitosas”, enquanto Lewis Hamilton definiu o chefe da equipe como um “líder fantástico”.
Questionado sobre a necessidade de a Ferrari ter feito uma manifestação pública sobre sua permanência, Vasseur afirmou que o excesso de especulações estava prejudicando o ambiente interno.
Segundo o chefe da equipe, a prioridade neste momento é recuperar tranquilidade e concentração para que a Ferrari possa trabalhar no desenvolvimento do carro.
“Quando você vê todo o barulho e os rumores na imprensa durante a semana toda, acho que, como equipe, precisamos trabalhar com serenidade. E definitivamente não foi o caso.”
“E eu acho que a declaração era necessáaria, ou poderia ter sido a mesma coisa neste fim de semana. Mas, honestamente, a grande questão que temos hoje é trazer estabilidade, serenidade para a equipe, o foco que precisamos ter – e não ter esse tipo de pergunta o dia todo.”
A mídia italiana é famosa por cobrar ferozmente uma reação da Ferrari, enquanto acompanha religiosamente todos seus passos. Apesar de algumas melhoras nítidas em 2026, com uma velocidade maior para atualização do carro, a equipe ainda peca em algumas decisões de pista e no gerenciamento dos pilotos.
Apesar de defender o chefe da equipe, Hamilton também reconheceu que existem pontos na estrutura da Ferrari que poderiam ser aprimorados. O britânico afirmou que faria algumas mudanças, mas preferiu não detalhar quais seriam.
A declaração levou Vasseur a ser questionado sobre a necessidade de alterações também nos níveis abaixo de sua posição. Embora, o mais comentado, é a forma como o alto escalão da Ferrari é tão engessado, que acaba atrapalhando o desenvolvimento interno da equipe.
O francês reconheceu que uma equipe de Fórmula 1 precisa estar em constante evolução. Para Vasseur, recrutamentos e ajustes estruturais fazem parte de um processo permanente, independentemente do momento vivido pela equipe.
Ele, no entanto, evitou transformar eventuais problemas em uma discussão sobre indivíduos.
“Em primeiro lugar, a estrutura da equipe, como o Flavio disse antes, pelo menos no recrutamento individual, é uma grande história”, insistiu. “Acho que é preciso melhorar. Acho que está no DNA do que fazemos não encarar um sucesso como algo definitivo, mas sim tentar melhorar nos bons e nos maus momentos.”
“E, honestamente, a dinâmica que temos é que contratamos muitos membros, assim como as outras equipes.”
“Sobre o comentário de Lewis, acho que seria um erro apontar o dedo para alguém ou algo do tipo. Nos bons momentos, estamos vencendo como um time; nos momentos ruins, estamos sofrendo como um time, e não quero falar sobre um indivíduo específico ou algo assim.”
“Tivemos um bom começo de temporada. Mas, com certeza, não é o suficiente. Queremos mais, queremos vencer mais, queremos ganhar o campeonato. Mas, no fim das contas, tivemos um início positivo, estamos com dificuldades nas últimas corridas, mas esperamos voltar a melhorar com o desenvolvimento.”
A expectativa de Vasseur é que os próximos desenvolvimentos do carro permitam à Ferrari recuperar terreno na disputa.
Questionado diretamente sobre sua relação com a cúpula da Ferrari, Vasseur foi categórico ao dizer que mantém uma boa relação com Elkann e Vigna.
O chefe da equipe afirmou que mantém contato diário com os dois e que não tem reclamações em relação à organização.
Ao mesmo tempo, ressaltou que o desejo de melhorar constantemente é inerente à Fórmula 1 e não representa, necessariamente, uma indicação de que exista um problema no comando da equipe.
“Honestamente, o relacionamento que tenho com meus chefes, Benedetto e John, é muito bom. Mantemos contato diário e não tenho nenhuma queixa da organização.”
“Mas com certeza, você sempre quer mais. Você sempre quer fazer mais. Você sempre quer obter mais. Mas acho que isso vale para mim, e vale para todos na equipe, que você sempre quer fazer mais por causa do DNA do que fazemos. Mas, honestamente, isso não tem nada a ver com a organização.”
A exposição que acompanha o cargo de chefe da Ferrari não é novidade para Vasseur. O francês reconheceu que sabia da dimensão da pressão quando assumiu a posição, mas fez uma distinção entre as críticas ao trabalho e os ataques direcionados à pessoa.
Vasseur afirmou que seu papel também envolve proteger os integrantes da equipe quando os resultados não aparecem. Na visão do francês, o princípio deve funcionar nos dois sentidos: os funcionários defendem o chefe nos momentos difíceis, enquanto ele protege a equipe das críticas.
O problema, segundo Vasseur, aparece quando a cobrança ultrapassa o âmbito profissional.
“Quando você assume o cargo, você conhece o lado positivo e o negativo do trabalho”, disse ele. “Eu esperava algo assim. Às vezes é um pouco injusto, e quando você coloca alguém em maus lençóis, eu também estou lá para defender minha equipe, meus companheiros. Como eu disse antes, quando estamos vencendo, estamos vencendo como um time.”
“Mas quando estamos em dificuldades, estou lá para defendê-los, a todos eles. E acho que é a atitude correta de todos, deles defenderem o chefe da equipe, e minha defendê-los quando estamos em dificuldades.”
“Sinceramente, eu sabia o que ia acontecer [com este trabalho], não estou nada surpreso. Mas às vezes os ataques são um pouco pessoais – e isso não é bom.”
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