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Ferrari erra na estratégia, mas Hamilton e Leclerc recuperam terreno em Sepang

Equipe apostou nos pneus slicks em pista molhada, mas reagiu ao longo da prova; Hamilton terminou em terceiro e Leclerc em quarto

A Ferrari saiu do GP do Bahrein, disputado em Sepang, com sentimentos distintos. O terceiro lugar de Lewis Hamilton e a quarta posição de Charles Leclerc garantiram um resultado competitivo, mas também deixaram a sensação de que a equipe poderia ter brigado por posições ainda melhores caso tivesse acertado a escolha de pneus no início da corrida.

A decisão de largar com pneus slicks em uma pista ainda molhada colocou os dois carros em uma situação complicada logo nas primeiras voltas. A própria Ferrari reconheceu posteriormente que os pneus intermediários eram a opção mais adequada, mas a equipe acreditava que o traçado secaria rapidamente e poderia ter uma vantagem logo depois da largada.

A recuperação, entretanto, foi significativa. Hamilton e Leclerc conseguiram extrair bom desempenho do carro em condições bastante diferentes das encontradas durante os treinos e avançaram no grid ao longo da prova.

Hamilton fez os pneus macios duraram, depois de um início caótico, onde o asfalto permaneceu úmido por mais tempo do que a equipe esperava, tornando a decisão particularmente custosa.

“Acho que 50% dos carros optaram por pneus slick e 50% por pneus de chuva. Não dá para testar, você só pode olhar para o asfalto à sua frente no pit-lane, e com certeza não tínhamos um bom asfalto”, falou Vasseur, justificando as escolhas da Ferrari durante prova na Malásia.

“Não é que eu não tenha arrependimentos – com certeza, é claro que teria sido melhor começar como os adversários, mas fizemos a escolha com base nas informações que tínhamos.”

Vasseur explicou que a Ferrari considerou o histórico de Sepang e esperava uma secagem mais rápida da pista. A necessidade de uma parada adicional, porém, representou uma perda significativa, estimada em 26 segundos.

A corrida de Charles Leclerc ficou ainda mais complicada logo na largada. O monegasco teve contato com Nico Hülkenberg e precisou entrar nos boxes imediatamente para colocar pneus intermediários e trocar a asa dianteira.

Hamilton, por outro lado, permaneceu na pista com os pneus slicks e assumiu o risco de esperar por uma melhora das condições.

Vasseur afirmou que a decisão ficou nas mãos do piloto. Para o chefe da Ferrari, em uma situação tão dinâmica, cabe também a quem está dentro do carro avaliar as condições e decidir se a parada é necessária.

A escolha acabou funcionando. Hamilton conseguiu construir um stint extremamente longo com os pneus macios e administrou bem a degradação.

“Deixamos que ele tivesse a opção”, disse Vasseur. “No final, nessa situação, eles estão no carro. Quando dizemos que estamos prontos, é apenas para dizer que ele pode parar nos boxes se achar que é a decisão certa.”

“Ele fez uma corrida muito boa, com uma estratégia muito tranquila. Ele conseguiu fazer um stint extremamente longo com uma ótima gestão de pneus, usando os macios.”

O resultado foi uma recuperação que levou Hamilton ao pódio, mesmo depois de a Ferrari ter comprometido sua posição inicial com a escolha dos pneus.

A pergunta inevitável após a corrida foi sobre o potencial que Hamilton e Leclerc teriam apresentado se a Ferrari tivesse começado com os pneus intermediários. Vasseur, porém, evitou fazer uma estimativa.

“Não sei, porque a corrida com certeza é diferente quando você tem que ultrapassar 20 carros em vez de correr na frente. Mas eu não estava muito otimista depois da primeira volta! Nunca se sabe, também porque com o ar sujo é muito mais difícil, gerenciamento de energia e tudo mais.”

“Mas o ritmo era sólido, e quando Lewis estava no final de seu stint com os pneus macios, ele ainda estava fazendo um tempo de volta muito bom.”

A variedade de estratégias ficou evidente após a relargada de Safety Car, quando o grid chegou a apresentar aproximadamente sete carros com pneus macios, sete com médios e sete com duros.

Para a Ferrari, esse cenário tornou a corrida ainda mais imprevisível, mas também serviu para mostrar que o carro tinha desempenho consistente em diferentes condições.

“Mostramos o mesmo ritmo ontem”, disse Vasseur. “Estávamos na primeira fila, mas também estávamos na primeira fila em Baku. Só que o ritmo de corrida foi muito melhor neste fim de semana.”

“As condições são completamente diferentes. Nas últimas duas ou três corridas, não tivemos nenhuma degradação. Neste fim de semana, a corrida também foi difícil de administrar para os pilotos, porque fizemos todos os treinos livres com a temperatura da pista a 60 graus, e depois corremos com 30 graus a menos, o que torna a pista completamente diferente.”

“Estávamos todos um pouco perdidos. Acho que quando a corrida recomeçou após o Safety Car, em determinado momento tínhamos sete carros com pneus macios, sete com pneus médios e sete com pneus duros. Não é muito comum.”

A expectativa, porém, é positiva. Vasseur afirmou que a Ferrari esperava ter um bom desempenho em Sepang e acredita que a equipe também pode ser competitiva na etapa seguinte.

A grande incógnita será descobrir se o ritmo apresentado no GP do Bahrein representa uma tendência mais consistente ou se foi favorecido pelas características específicas de Sepang e pelas condições excepcionais encontradas durante a corrida.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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