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GP da Bélgica: pneus, Virtual Safety Car e as estratégias que decidiram a corrida

Corrida em Spa-Francorchamps contrariou as previsões da Pirelli, foi definida por apenas uma parada nos boxes. O Virtual Safety Car foi bem aproveitado pela Ferrari e a Audi, rendendo mais alguns pontos

O GP da Bélgica marcou a sexta vitória de Andrea Kimi Antonelli na temporada e foi definido por uma combinação entre gerenciamento de pneus, neutralizações em momentos decisivos e estratégias muito diferentes entre os principais concorrentes. Embora a Pirelli previsse uma corrida de duas paradas, as condições encontradas em Spa-Francorchamps permitiram que praticamente todo o grid concluísse a prova com apenas uma visita aos boxes.

Ao longo de todo o fim de semana, as equipes lidaram com a ameaça de chuva e com temperaturas que variavam ao longo das sessões. Durante os treinos livres, as equipes trabalharam principalmente com os pneus médios e macios, visando uma corrida com uma única parada.

Porém, para o domingo a Pirelli inicialmente esperava que os times trabalhassem com estratégias de duas paradas, por conta da degradação térmica. Com temperaturas de pista mais baixas do que as registradas nos treinos livres, a degradação térmica foi significativamente menor. Isso permitiu que praticamente todo o grid estendesse os stints, transformando uma corrida inicialmente prevista para duas paradas em uma disputa de apenas uma visita aos boxes.

Para o início da prova, grande parte dos pilotos apostou nos pneus médios para largada. No entanto, Lando Norris que realizaria uma corrida de recuperação e largava da 13ª colocação apostou nos pneus duros; a estratégia ainda acompanhou as escolhas de Sergio Pérez, Lance Stroll, Isack Hadjar e Fernando Alonso, enquanto Valtteri Bottas e Carlos Sainz iniciaram o evento com pneus macios.

A primeira volta foi marcada por alguns incidentes, George Russell acabou tocado por Lewis Hamilton e foi parar na brita, abandonando a prova na sequência. Mais tarde o heptacampeão mundial acabou punido com cinco segundos, impactando diretamente na sua prova.

Ainda no primeiro giro, Esteban Ocon foi abalroado por Carlos Sainz e Oliver Bearman, desta forma o francês recorreu aos boxes no primeiro giro para trocar os pneus médios por compostos duros.

O Safety Car apareceu na pista por conta do incidente com George Russell, permitindo que pilotos como Oliver Bearman, Valtteri Bottas, Sergio Pérez e Isack Hadjar substituíssem os seus pneus, para instalar os compostos duros e fazer um stint maior. A exceção foi Hadjar que largou com os médios, cumpriu a parada obrigatória na primeira volta e foi uma segunda vez aos boxes para instalar um segundo jogo de pneus duros.

Falando sobre a prova do francês, apesar de pouco mostrado pela transmissão, Hadjar fez uma grande corrida. Punido pelas trocas de motor que foram realizadas pela Red Bull, o competidor sabia que no domingo precisaria enfrentar uma corrida de recuperação. Hadjar ganhou 15 posições ao longo da corrida e construiu basicamente a sua corrida nos pneus duros, já que a sua outra troca de pneus aconteceu na volta 20, quando ele instalou pneus duros já usados – em decorrência daquela troca inicial.

Estratégias trabalhadas ao longo do GP da Bélgica – Foto: divulgação Pirelli

Quando a largada aconteceu, existia a ameaça de chuva e a possibilidade de ela atingir a pista nos minutos iniciais. Porém, com o avançar da prova, as chances se dissiparam.

Sem a necessidade de adotar pneus de chuva ou compostos mais macios, as equipes seguiram com a intenção de concluir o evento realizando apenas uma parada.

A primeira troca de pneus no pelotão intermediário aconteceu com Pierre Gasly e Carlos Sainz na volta 14, depois disso aos poucos outros pilotos foram as boxes providenciando as suas trocas.

Kimi Antonelli, líder da corrida fez sua troca na volta 18, em um breve período de Virtual Safety Car – que apenas o italiano conseguiu aproveitar. Três voltas depois, a direção de prova precisou neutralizar a corrida mais uma vez por conta de detritos de pista – neste outro mais pilotos conseguiram aproveitar, como a dupla da Ferrari e os pilotos da Audi.

Para Charles Leclerc significou a oportunidade de trocar os seus pneus e retornar na ponta, com oportunidade de lutar por uma vitória. Porém, para Lewis Hamilton foi o momento de cumprir uma punição e perder posições importantes no grid. O heptacampeão ainda teve o seu pit-stop marcado por um acidente, já que acertou um dos mecânicos responsáveis por alterar a configuração das asas dianteiras. A comunicação da Ferrari falhou e o incidente no pit aconteceu, em partes pela liberação sem segurança do carro e a ordem de mudança da configuração que tardou para acontecer – porém, o mecânico nãos se feriu, apesar do susto.

A estratégia da Ferrari também foi condicionada pela penalização de Lewis Hamilton e pela investigação inicial envolvendo Charles Leclerc após um toque com Oscar Piastri — investigação que acabou sem consequências para o monegasco. Já Hamilton recebeu cinco segundos de punição e, mesmo exibindo ritmo superior após ultrapassar Piastri e alcançar o monegasco, não teve o caminho liberado pela equipe. A Ferrari preferiu manter as posições, entendendo que a penalidade do britânico tornaria qualquer inversão pouco vantajosa do ponto de vista estratégico. Com isso, Leclerc permaneceu à frente para seguir na disputa pelas primeiras posições, enquanto Hamilton precisou administrar sua prova.

A parada na volta 20 para Gabriel Bortoleto significou a oportunidade de terminar a prova na 8ª colocação e somar mais pontos para Audi pela segunda corrida consecutiva. O brasileiro batalhou pela zona de pontuação com a Alpine e a Racing Bulls e conseguiu se confirmar na oitava colocação com a troca realizada durante a neutralização da prova. Infelizmente Nico Hülkenberg não teve a mesma sorte que o companheiro de equipe.

Os pneus macios fizeram parte principalmente da estratégia de Carlos Sainz, que completou 14 voltas com os compostos, em busca de galgar posições no começo da corrida por ter mais aderência. No entanto, o espanhol terminou a prova fora da zona de pontuação e atrás de Alexander Albon.

Os pneus macios foram usados no segundo stint de Fernando Alonso com a Aston Martin, mas a equipe não tinha como se sair bem neste traçado, não apenas pela configuração do mesmo, mas pelas características e problemas do carro. Valtteri Bottas, por sua vez voltou aos pneus macios no final do evento, no giro 32 até a conclusão da prova.

O desgaste dos pneus foi menor do que aquele apresentado nos dias anteriores, pois as temperaturas de pista eram menores. Com essa característica, todos os pilotos conseguiram alongar algum dos seus stints, especialmente aqueles que desencadearam as paradas no começo da prova.

Apesar de Leclerc liderar a corrida por algumas voltas por conta do undercurt, Antonelli conseguiu recuperar o ritmo e atacar o piloto da Ferrari para recuperar a primeira colocação. Apesar da batalha deles apresentar um desenvolvimento, quando o italiano conseguiu a ultrapassagem, controlou a ponta e não perdeu mais.

Pneus usados ao longo do GP da Bélgica – Foto: divulgação Pirelli

A Ferrari chegou a alimentar a expectativa de disputar a vitória enquanto Leclerc liderava a corrida após a sequência de paradas. No entanto, o ritmo do Mercedes de Antonelli se mostrou superior, e o monegasco rapidamente passou a administrar a segunda colocação, sem condições de responder aos ataques do líder.

Max Verstappen esteve envolvido em alguns confrontos ao longo de toda corrida, inicialmente com Antonelli – quando roubou a liderança da corrida na largada e conseguiu salvar um terceiro lugar com a Red Bull.

A McLaren apostou em uma estratégia alternativa para Norris, que largava apenas em 13º após a punição no grid. O britânico iniciou a corrida com pneus duros para alongar o primeiro stint e evitar o tráfego do pelotão intermediário. A estratégia funcionou e o colocou na disputa pelas primeiras posições, mas um pit-stop lento na volta 30 comprometeu a recuperação e limitou o resultado ao 7° lugar.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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