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Ferrari acerta no desenvolvimento do SF-26, mas erros e punições impedem avanço maior

Subtítulo: Vice-líder do Mundial de Construtores, equipe italiana mostra evolução do SF-26 e melhora sua operação, mas ainda precisa reduzir a vantagem da Mercedes para voltar à disputa pelo topo.

A Ferrari ocupa atualmente a vice-liderança do Mundial de Construtores de 2026, com 307 pontos, contra 379 da Mercedes. Embora a equipe alemã tenha apresentado um desempenho superior e mantenha a liderança do campeonato, a Ferrari segue próxima e não pode ser descartada na disputa, especialmente no Mundial de Pilotos.

Antes mesmo do início da temporada, a Mercedes já aparecia como uma das principais favoritas para 2026. A expectativa era de que a equipe apresentasse uma das unidades de potência mais competitivas da nova era, combinada a um projeto aerodinâmico eficiente. Ao longo das 11 primeiras etapas, porém, a Ferrari mostrou capacidade de reagir e passou a pressionar os rivais, conquistando pontos importantes em diferentes momentos do campeonato.

A equipe italiana chega a 2026 tentando deixar para trás um difícil 2025. No último ano do regulamento anterior, a Ferrari decidiu introduzir um novo carro justamente quando o ciclo técnico se aproximava do fim. Após um 2024 muito promissor, a Ferrari acreditava que no ano seguinte conseguiria quebrar o seu jejum de títulos, mas foi o completo oposto. O projeto não apresentou o desempenho esperado e, diante das dificuldades, a equipe optou por interromper o desenvolvimento mais cedo e concentrar seus esforços no novo regulamento de 2026.

A temporada passada também marcou a chegada de Lewis Hamilton à Ferrari. O heptacampeão mundial enfrentou um primeiro ano sem vitórias ou pódios e terminou o campeonato em meio a uma sequência particularmente complicada nas classificações. O desempenho abaixo das expectativas levantou questionamentos sobre a adaptação do piloto à equipe italiana e até sobre sua capacidade de repetir o nível apresentado durante os anos de Mercedes.

O cenário mudou com o início de 2026. Hamilton apareceu no pódio logo nas primeiras etapas e passou a pontuar com regularidade. O britânico também conquistou em Barcelona sua primeira vitória pela Ferrari e, atualmente, soma 169 pontos, ocupando a vice-liderança do Mundial de Pilotos.

44 HAMILTON Lewis (gbr), Scuderia Ferrari SF-26, action during the Formula 1 Belgian Grand Prix 2026, 10th round of the 2026 Formula One World Championship from July 17 to 19, 2026 on the Circuit de Spa-Francorchamps, in Stavelot, Belgium – Photo Eric Alonso / DPPI

Ao longo dos últimos meses, Hamilton também passou a destacar sua participação no desenvolvimento do SF-26. O piloto contribuiu com relatórios técnicos, apresentou suas impressões sobre o comportamento do carro e indicou à equipe quais características considerava importantes para tornar o monoposto mais competitivo.

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A Ferrari também modificou sua estratégia de desenvolvimento. Em vez de concentrar os esforços em grandes pacotes de atualização introduzidos de uma só vez, a equipe passou a levar novas peças para praticamente todas as etapas, trabalhando em um processo de evolução contínua para reduzir a diferença em relação à Mercedes.

A abordagem é diferente daquela adotada pela Ferrari em temporadas anteriores e, até aqui, os resultados indicam que a estratégia vem funcionando. A equipe conseguiu manter uma evolução constante do SF-26 e se posicionar como a principal perseguidora da Mercedes na primeira metade do campeonato.

Outro ponto que chamou a atenção foi o desenvolvimento da asa traseira apelidada de “asa macarena”. A solução criada pela Ferrari rapidamente despertou o interesse do restante do grid e chegou a ser estudada por equipes como Red Bull e McLaren, que buscaram adaptar o conceito aos seus próprios projetos.

Porém nestas últimas etapas o que tem realmente impedido a Ferrari de ter resultados melhores, são justamente as punições aplicadas para Hamilton – desde o GP de Mônaco. O heptacampeão poderia estar ainda mais próximo de Antonelli se não fosse essa circunstância e alguns erros da Ferrari.

O time merece o reconhecimento pelo chassi e pela construção de um carro confiável, que já colocou eles em uma situação muito melhor do que a dos rivais. Porém, o motor ainda é um problema, mas eles estão fazendo o possível para aumentar a potência e ser mais competitivos. Esse também é um fator que atrapalhou a equipe em alguns momentos nestas 11 etapas, já que não tiveram um ritmo forte em todos os traçados.

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Quando se olha para a hierarquia das unidades de potência, a Ferrari ainda não ocupa o topo. O motor de combustão interna da fabricante italiana aparece atualmente como o terceiro mais competitivo do grid e registra uma desvantagem superior a 4% em relação ao parâmetro de referência. Esse cenário, dentro do sistema ADUO, garante à Ferrari duas oportunidades adicionais de atualização da unidade de potência em 2026.

Algo que também merece destaque na campanha da Ferrari é a evolução da operação da equipe. Ao longo das primeiras etapas, o time mostrou uma postura mais flexível na tomada de decisões, passando a considerar diferentes cenários estratégicos em vez de ficar preso a um único plano de corrida. Essa capacidade de adaptação tem sido importante para aproveitar as oportunidades que surgem durante os GPs.

Charles Leclerc ocupa atualmente a 4ª posição no Mundial de Pilotos, com 138 pontos. O monegasco enfrentou dois abandonos na primeira metade da temporada, em Mônaco e Barcelona, ambos em meio a dificuldades relacionadas aos freios. A Ferrari precisou trabalhar no problema e promoveu mudanças para devolver ao piloto a confiança e o ritmo que haviam sido comprometidos.

Em Mônaco, Leclerc apontou o sistema de freios como um dos fatores que contribuíram para o abandono, depois de já ter enfrentado dificuldades semelhantes no Canadá. Pelos relatos do piloto, Hamilton havia passado anteriormente por uma alteração no sistema, o que teria ajudado o britânico a ganhar confiança com o comportamento do carro. Após as mudanças, o desempenho dos dois pilotos apresentou uma evolução mais consistente.

Ainda assim, as duas vitórias conquistadas pela Ferrari em 2026 precisam ser analisadas dentro do contexto das corridas. Em Barcelona, por exemplo, uma estratégia de três paradas por parte da Mercedes, aliada a uma disputa interna menos desgastante entre seus pilotos, poderia ter mudado o resultado. Em Silverstone, o cenário também foi influenciado pelo abandono de Andrea Kimi Antonelli, que retirou da disputa um dos principais candidatos à vitória.

16 LECLERC Charles (mco), Scuderia Ferrari SF-26, action during the Formula 1 Belgian Grand Prix 2026, 10th round of the 2026 Formula One World Championship from July 17 to 19, 2026 on the Circuit de Spa-Francorchamps, in Stavelot, Belgium – Photo Eric Alonso / DPPI
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Isso não diminui a capacidade da Ferrari de transformar oportunidades em resultados, mas mostra que a equipe ainda precisa comprovar que possui ritmo suficiente para superar a Mercedes em condições normais de corrida.

Leclerc, por outro lado, também poderia ter acumulado uma pontuação maior. Além dos abandonos, o monegasco cometeu alguns erros ao longo do campeonato, envolveu-se em disputas que poderiam ter sido evitadas e, em determinadas situações, acabou comprometendo a vida útil dos pneus.

Em alguns momentos, Leclerc adotou uma postura mais agressiva, partindo para o tudo ou nada em um campeonato no qual a Ferrari vem conseguindo acertar em aspectos importantes da operação. Com os problemas enfrentados por George Russell, havia espaço para o piloto da Ferrari estar ainda mais próximo da disputa, caso tivesse conseguido transformar algumas dessas oportunidades em pontos.

Para a segunda metade da temporada, portanto, a Ferrari ainda tem trabalho pela frente. A equipe precisará equilibrar o ritmo de desenvolvimento do carro com a necessidade de reduzir a diferença para a Mercedes, sem comprometer a preparação para o futuro.

Hamilton ainda pode sonhar com o oitavo título mundial em 2026, mas, para manter essa possibilidade viva, a Ferrari terá de continuar evoluindo não apenas o SF-26, mas também sua execução nos fins de semana. Estratégias mais precisas, pit-stops eficientes e menos punições serão fundamentais para que a equipe consiga aproveitar qualquer deslize da Mercedes.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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