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Preview do GP do Azerbaijão: pneus, estratégias e os desafios do circuito de Baku

15ª etapa do campeonato abre uma sequência de três corridas, com Kimi Antonelli na liderança e o desafiador circuito de rua de Baku como palco da disputa

A Fórmula 1 chega a Baku para a 15ª etapa da temporada 2026, dando início a uma sequência de três Grandes Prêmios consecutivos. O GP do Azerbaijão abre uma fase decisiva do campeonato, com nove etapas ainda previstas pela programação atual e pouco espaço para recuperação ou erros na disputa pelas primeiras posições.

O circuito de rua de Baku acrescenta um elemento de imprevisibilidade à disputa. Com 6.003 km de extensão, a pista combina longas retas, trechos de alta velocidade e passagens estreitas pela região histórica da cidade. O traçado também é conhecido pelas fortes rajadas de vento, que podem alterar o comportamento dos carros e aumentar a dificuldade para os pilotos.

Depois de 14 etapas, Kimi Antonelli chega ao Azerbaijão na liderança do campeonato com 292 pontos. O italiano ampliou sua vantagem no GP da Espanha, disputado no novo circuito de Madring, em Madri, ao conquistar sua oitava vitória na temporada. O resultado colocou Antonelli 81 pontos à frente de seu companheiro de equipe, George Russell.

Russell aparece na segunda posição, com 211 pontos. O britânico venceu na Austrália e na Áustria, mas não voltou ao topo do pódio desde a etapa austríaca. Nas últimas corridas, o piloto da Mercedes viu a diferença para Antonelli aumentar, embora permaneça como seu principal concorrente na classificação.

A terceira colocação pertence a Lewis Hamilton, com 191 pontos. O piloto da Ferrari ficou fora da pontuação na Espanha após abandonar a corrida, encerrando uma sequência em que havia marcado pontos em todas as etapas anteriores. Hamilton está 20 pontos atrás de Russell e cinco à frente de Lando Norris.

O piloto da McLaren ocupa a quarta posição, com 186 pontos, apenas cinco atrás de Hamilton. Norris chega a Baku depois de terminar o GP da Espanha em terceiro, resultado que interrompeu a possibilidade de reduzir ainda mais a distância para Antonelli, mas o manteve próximo da disputa pelas primeiras posições do campeonato.

Na sequência aparecem Charles Leclerc, com 167 pontos, Max Verstappen, com 145, e Oscar Piastri, com 120. A diferença entre o quinto e o sétimo colocados mantém uma disputa relativamente apertada no grupo que ainda busca avançar na classificação.

A situação de Antonelli chama atenção não apenas pela liderança, mas também pela sequência de resultados. O italiano soma oito vitórias em 14 corridas, enquanto a Mercedes venceu dez das 14 etapas realizadas até aqui e lidera o Mundial de Construtores com 503 pontos.

Isack Hadjar retorna ao grid após ficar três provas fora do grid se recuperando de uma lesão no punho. Desta forma a Red Bull terá sua formação original, enquanto Liam Lawson retorna para Racing Bulls ao lado de Arvid Lindblad.

A etapa de Baku também terá uma programação diferente do habitual. Os treinos livres serão realizados na quinta-feira, a classificação acontece na sexta-feira e o Grande Prêmio será disputado no sábado, 26 de setembro. A alteração foi feita para evitar conflito com o Dia da Lembrança, celebrado no Azerbaijão em 27 de setembro.

O Circuito

O circuito de rua de Baku é conhecido por produzir corridas difíceis de prever, principalmente pela combinação de longas retas de alta velocidade com algumas das curvas mais lentas e estreitas do calendário da Fórmula 1. Encontrar o equilíbrio entre velocidade de reta e confiança para atacar os trechos mais técnicos será um dos principais desafios para equipes e pilotos.

A principal oportunidade de ultrapassagem aparece no fim da enorme reta dos boxes. Com 2,2 km de extensão, o trecho permite que os pilotos aproveitem o vácuo antes de chegarem à forte frenagem da curva 1, uma tomada de 90 graus. O espaço na entrada é relativamente amplo e permite que até três carros percorram a curva lado a lado, tornando o ponto um dos melhores lugares para ganhar posições — especialmente para quem estiver disposto a retardar a freada e assumir o risco.

GP do Azerbaijão – Circuito do Baku – Foto: reprodução Fórmula 1

As curvas que antecedem a reta principal também têm papel importante. Uma boa saída da última curva permite ao piloto ganhar velocidade e chegar à curva 1 em melhores condições para atacar o adversário. A curva 16 exerce função semelhante na outra extremidade da volta, já que uma saída eficiente pode determinar o desempenho do carro nas retas seguintes.

Em Baku, portanto, não basta apenas frear bem e contornar as curvas lentas. A velocidade construída nas saídas é fundamental, já que cada quilômetro por hora ganho nesses pontos pode fazer diferença nas longas retas que vêm na sequência.

Fora das principais zonas de ultrapassagem, o circuito exige precisão constante. O trecho do Castelo é extremamente estreito, enquanto a sequência de curvas lentas de 90 graus exige uma combinação eficiente de capacidade de frenagem e tração. No outro extremo do traçado, as rápidas curvas 13 e 14 levam os pilotos até a difícil zona de frenagem em descida da curva 15, outro ponto que exige bastante controle do carro.

É muito comum ver ao longo das sessões batidas, com várias interrupções acontecendo principalmente na classificação, quando os pilotos estão em busca de extrair a melhor volta na pista. Esse ano, apenas Lindblad é o novato no grid, o piloto apesar de muito rápido, cometeu um erro no TL2 na Espanha, que atrapalhou a sua performance pelo restante do evento.

Baku é um verdadeiro desafio de acerto para os engenheiros. O circuito combina curvas fechadas com longas retas e zonas intensas de frenagem, exigindo escolhas estratégicas. As equipes precisam buscar um equilíbrio: reduzir o arrasto ao máximo para aproveitar a velocidade e o vácuo nas retas, mas, ao mesmo tempo, garantir que os carros mantenham boa aderência nas partes estreitas do traçado e consigam lidar com as fortes rajadas de vento.

Pneus

Para o GP do Azerbaijão, a Pirelli selecionou os três compostos mais macios de sua gama: C3 como duro, C4 como médio e C5 como macio. A escolha representa uma mudança em relação a 2025, quando a fornecedora levou uma gama um degrau mais macia, incluindo o C6, que acabou não sendo utilizado durante a corrida.

Segundo a Pirelli, alguns trechos do circuito passaram por recapeamento nas curvas 2, 3 e 4. A expectativa é de que o novo asfalto não altere significativamente o comportamento dos pneus, embora a pista deva apresentar baixo nível de aderência no início do fim de semana. A evolução do traçado tende a ser importante à medida que a borracha dos carros se acumular sobre o asfalto.

O piso relativamente liso e pouco abrasivo deve resultar em baixos níveis de desgaste e degradação, colocando a estratégia de uma parada como a possibilidade mais provável. O C5, inclusive, pode ser capaz de completar stints longos, enquanto o composto duro corre o risco de ser pouco utilizado durante a prova. O graining pode aparecer principalmente nas primeiras sessões, quando a aderência ainda estiver baixa, mas não é esperado que tenha impacto decisivo no desempenho.

Outro ponto de atenção será o controle da temperatura dos pneus. A longa reta de Baku, que liga a última curva à curva 1, mantém os carros em aceleração máxima por um período prolongado e favorece o resfriamento dos pneus. Esse efeito pode aumentar o risco de travamento das rodas durante as fortes frenagens, especialmente no eixo dianteiro.

Apesar do clima geralmente quente de Baku, os prédios ao redor do circuito criam diversas áreas de sombra, reduzindo o aumento da temperatura do asfalto ao longo das sessões.

As características do circuito de rua costumam contribuir para corridas movimentadas e difíceis de prever em Baku. Nas nove edições do GP do Azerbaijão realizadas até agora, o Safety Car foi acionado 12 vezes, reforçando a importância de manter flexibilidade na estratégia. Uma neutralização pode alterar rapidamente as condições da prova, influenciando o ritmo dos pilotos, o momento das paradas e as decisões das equipes.

Programação – Horários do GP do Azerbaijão – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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