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GP do Azerbaijão: pneus, temperatura e Safety Car podem definir estratégia em Baku

F1 retorna ao circuito de rua com compostos C3, C4 e C5, enquanto equipes precisam lidar com longas retas, variação de temperatura e possibilidade de neutralizações

A Fórmula 1 desembarca nesta semana no Azerbaijão, com a corrida sendo disputada no sábado. A prova também marca o início de uma rodada tripla, com as provas da Malásia e em Singapura acontecendo na sequência.

Sobre os pneus, o Circuito do Baku já faz parte do calendário da Fórmula 1 e as equipes têm muitos dados sobre ele. A pista de rua mais uma vez receberá a gama macia de pneus, formada pelos compostos C3 (duro – faixa branca), C4 (médio – faixa amarela) e C5 (macio – faixa vermelha).

No ano passado a fornecedora italiana de pneus acabou usando uma combinação ainda mais macia, com o fornecimento dos pneus C6, mas o composto não foi mantido para seleção desse ano.

Ao apresentar a escolha de pneus de 2025, com o C6, a Pirelli tinha como intenção ampliar as estratégias e que o composto mais macio fosse usado. No entanto, Max Verstappen venceu a corrida completando 40 voltas com os pneus duros e apenas 11 com os compostos médios. O pneu C6 foi descartado para corrida e apesar dos pilotos fazerem diferentes estratégias em suas paradas, tanto o composto duro quanto o médio foram trabalhados em stints longos.

Alguns trechos das ruas que integram o circuito passaram por recapeamento antes da etapa. As intervenções foram realizadas especificamente nas regiões das curvas 2, 3 e 4. Apesar da aplicação do novo asfalto, a expectativa é de que as mudanças não provoquem alterações significativas no comportamento dos pneus. Como é comum em circuitos de rua, a pista deve apresentar inicialmente níveis de aderência mais baixos, que tendem a evoluir conforme a borracha dos carros se deposita no traçado.

A variação da temperatura ao longo do dia exerce influência direta sobre o comportamento e a operação dos pneus. Por isso, as equipes precisam monitorar constantemente as condições da pista para evitar que os pilotos submetam os compostos a temperaturas inadequadas ou a um nível excessivo de desgaste.

Algum nível de granulação pode ser observado, principalmente durante as sessões iniciais, quando os níveis de aderência ainda são baixos, mas não se espera que seja um fator decisivo em termos de desempenho.

Em um circuito de rua, esse cenário se torna ainda mais complexo. A incidência de luz solar muda conforme o dia avança, criando áreas de sombra que mantêm o asfalto mais frio e alteram tanto a temperatura dos pneus quanto o nível de aderência disponível. As longas retas, outra característica do traçado, também contribuem para o resfriamento dos compostos antes das zonas de frenagem.

A mudança na iluminação ao longo do dia ainda interfere na percepção do piloto. As referências visuais e o comportamento do asfalto podem se transformar de uma sessão para outra, exigindo adaptações constantes durante as voltas.

Outro fator importante é a evolução da pista. À medida que os treinos livres avançam, o traçado tende a ganhar aderência com o acúmulo de borracha sobre o asfalto. A presença da Fórmula 2 também contribui para esse processo, aumentando o emborrachamento do circuito ao longo do fim de semana.

No evento deste ano no Azerbaijão, a Fórmula 2 estará mais tempo em pista, por conta das duas classificações e das duas corridas principais que serão disputadas, isso também pode influenciar na forma como os pneus da Fórmula 1 vão se comportar.

No entanto, assim como acontece em Mônaco, existe uma particularidade nos circuitos de rua: quando as atividades de pista são encerradas, o traçado volta a ser utilizado no fluxo normal da cidade. Com isso, parte da borracha acumulada pode ser perdida, fazendo com que as condições encontradas no início da sessão seguinte sejam diferentes das observadas no fim da anterior.

Os pneus são submetidos a um nível elevado de exigência neste circuito. As altas velocidades alcançadas na longa reta principal aumentam as cargas aplicadas aos compostos, especialmente quando combinadas com a força descendente gerada pelos carros atuais. Ao mesmo tempo, os diferentes setores apresentam características distintas, obrigando as equipes a buscar um acerto que encontre o equilíbrio entre desempenho, estabilidade e preservação dos pneus.

A temperatura da pista também é um fator determinante. Além de influenciar diretamente o nível de degradação dos compostos, ela pode alterar o comportamento do carro e criar diferentes cenários para a estratégia. Por isso, as equipes precisam considerar as condições previstas para definir tanto o pneu utilizado na largada quanto o momento ideal para realizar a parada nos boxes.

Outro elemento que pode interferir diretamente na estratégia é a possibilidade de uma neutralização. Por se tratar de um circuito de rua, com pouco espaço de escape em determinados pontos, qualquer incidente pode resultar na entrada do Safety Car ou até mesmo em uma bandeira vermelha.

As rajadas de vento também representam um desafio adicional para os pilotos. A mudança repentina na direção ou na intensidade do vento pode comprometer a estabilidade dos carros e provocar perdas de controle. Dependendo do local onde o incidente acontece e da posição do carro na pista, a retirada do veículo pode exigir uma neutralização mais longa ou até a interrupção da sessão ou da corrida.

Até a temporada passada, a estratégia de uma única parada aparecia como a alternativa mais rápida e eficiente para completar a prova. Com as condições deste ano, porém, as equipes terão novamente de avaliar o comportamento dos compostos e a evolução da pista antes de definir a estratégia ideal.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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