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As estratégias que decidiram o GP da Espanha e levaram Hamilton à vitória

Com três paradas, leitura precisa das neutralizações e ritmo superior de Lewis Hamilton, Ferrari supera Mercedes em Barcelona e encerra jejum de vitórias que durava desde 2024

O GP da Espanha de Fórmula 1 foi uma corrida decidida muito mais pela estratégia do que pelas ultrapassagens em pista (embora tenha sido movimentado). Em um circuito conhecido pelo desgaste elevado dos pneus e pela dificuldade de seguir outro carro de perto, as equipes apostaram em abordagens diferentes para tentar maximizar o resultado.

No fim, quem saiu vencedora foi a Ferrari. Com uma estratégia agressiva de três paradas e aproveitando perfeitamente os períodos de Virtual Safety Car, a equipe de Maranello conduziu Lewis Hamilton à sua primeira vitória junto ao time.

A corrida começou com George Russell mantendo a liderança conquistada na classificação, enquanto Hamilton permaneceu em segundo. Andrea Kimi Antonelli acompanhava de perto a dupla e dava à Mercedes a possibilidade de trabalhar estrategicamente com dois carros na disputa pelas primeiras posições.

Desde os treinos livres, o desgaste dos pneus já aparecia como um dos principais fatores para a corrida. Por isso, Ferrari e Mercedes seguiram caminhos diferentes. Enquanto o time alemão apostava em uma estratégia mais conservadora de duas paradas, a Ferrari acreditava que pneus mais novos no trecho final da prova poderiam ser decisivos.

Hamilton foi o primeiro dos líderes a parar, antecipando sua visita aos boxes e obrigando Russell a reagir, pois o ritmo to heptacampeão era muito forte. A movimentação permitiu que a Ferrari imprimisse um ritmo mais forte a cada novo stint, enquanto os adversários precisavam poupar um pouco mais de pneus – já que não tinham reservado um segundo jogo de médios para a prova e a degradação era acentuada.

Estratégias do GP de Barcelona – Foto: divulgação Pirelli

A Ferrari almejava a chance de obter a sua primeira vitória com Hamilton, mas o mais importante dentro dela, foi o heptacampeão acreditar que o resultado era possível. Além disso, volta, após volta, fazendo as suas trocas de pneus, o ritmo de Hamilton melhorava, quando comparado ao seu stint anterior. Desta forma, a perspectiva de atacar a Mercedes no trecho final da corrida era bem plausível.

A situação ficou ainda mais interessante quando Antonelli entrou definitivamente na disputa. Com um segundo carro competitivo, a Mercedes precisou não apenas prestar atenção no trabalho da Ferrari, mas entender que internamente também se desenhava um confronto.

Como Russell foi vendo a aproximação do italiano, com Norris no reboque, a preocupação do competidor mudou ao longo da corrida, já que a partir do giro 27 – com a segunda parada de Hamilton – foi o italiano que tratou de perseguir o companheiro de equipe.

O momento decisivo da corrida aconteceu na volta 44, quando Fernando Alonso abandonou a prova e provocou um período de Virtual Safety Car. A Ferrari reagiu imediatamente e chamou Hamilton para sua terceira e última parada, aproveitando a neutralização da corrida para ganhar uma parada nos boxes gratuita.

A neutralização reduziu significativamente o tempo perdido nos boxes, transformando uma estratégia agressiva em uma aposta praticamente perfeita. Hamilton retornou à pista à frente de Russell e com pneus mais novos para o restante da corrida.

A partir daquele momento, o britânico passou a controlar a prova. Com ritmo superior, abriu vantagem rapidamente e começou a construir uma diferença confortável para a Mercedes.

O que foi ótimo para Hamilton, já que ele não precisaria mais caçar a Mercedes. Inicialmente a Ferrari esperava um confronto com Russell, mas com Antonelli e Norris próximos, mesmo com pneus mais novos, o duelo seria muito mais complicado – quando o objetivo era faturar uma vitória.

Enquanto isso, a disputa interna da equipe alemã ganhava força. Antonelli pressionou Russell durante várias voltas e conseguiu ultrapassá-lo na volta 61, assumindo a segunda posição. Porém, a batalha durou pouco.

Logo na volta seguinte, o italiano sofreu uma falha mecânica e abandonou a corrida, encerrando uma sequência de cinco vitórias consecutivas e perdendo uma oportunidade importante de ampliar sua liderança no campeonato.

O abandono provocou um novo Virtual Safety Car, mas desta vez a Ferrari não precisou reagir e nem tinha necessidade de uma nova troca de compostos. A prova foi neutralizada bem no final, sem a necessidade de um Safety Car real. Com quase 20 segundos de vantagem para Russell, Hamilton permaneceu na pista e apenas administrou a diferença até a bandeirada.

Atrás dos líderes, a McLaren também apostou em uma estratégia conservadora para tentar maximizar os resultados de Lando Norris e Oscar Piastri. Norris conseguiu se manter próximo do ritmo da Mercedes durante boa parte da corrida e herdou o terceiro lugar após o abandono de Antonelli, enquanto Piastri completou a prova na quinta posição.

A Ferrari estabeleceu uma estratégia diferente para os seus pilotos, mesmo com Charles Leclerc começando a corrida da décima colocação – após bater no início do Q3. O monegasco lutava por uma sexta colocação, quando lidou com um novo abandono.

Pneus usados ao longo do GP de Barcelona – Foto: divulgação Pirelli

Grande parte do grid seguiu com a escolha de realizar duas paradas, se baseando na utilização de um pneu médio e dois conjuntos de pneus duros – já que usaram os seus compostos médios durante os testes do fim de semana.

A Red Bull, com Max Verstappen, também optou pela estratégia de três paradas, mas no caso do neerlandês, sua corrida foi baseada em dois pneus médios – o único competidor que tinha essa possibilidade, por poupar um desses conjuntos.

Isack Hadjar, companheiro de Verstappen, também fez três trocas de pneu, mas o piloto foi afetado por uma largada ruim, dessa forma, a sua estratégia se concentrou em recuperar posições. O abandono tanto de Antonelli como de Leclerc beneficiaram o francês, que conseguiu melhorar a sua posição de chegada.

Apesar da degradação acentuada, todos os pneus foram usados no evento. As temperaturas da pista atingiram a casa dos 53° C.

Um outro detalhe na vitória de Hamilton, o heptacampeão recebeu um novo conjunto de rodas traseiras, fabricadas pela BBS Japan. Coma liberação para explorar novamente as rodas, a Ferrari conseguiu desenvolver um conjunto que também contribuiu para controlar a degradação dos pneus.

Hamilton desencadeou o primeiro ciclo de paradas, mas os competidores que estavam na estratégia de duas paradas, retornaram aos boxes depois do giro 30, dependendo muito da posição de pista, assim como as batalhas no grid e o gap existente entre os rivais.

Embora a estratégia de duas paradas fosse a mais eficaz, foram as três paradas que pautaram a corrida em Barcelona.

A Ferrari soube interpretar melhor as oportunidades da corrida, reagiu rapidamente aos momentos de neutralização e transformou uma aposta de três paradas em sua primeira vitória desde o GP do México de 2024.

Para Hamilton, o triunfo encerrou um jejum de vitórias que durava desde o GP da Bélgica de 2024. Para a Ferrari, representou a confirmação de uma evolução recente que já vinha sendo percebida nas últimas corridas e que agora recoloca a equipe na disputa pelas vitórias em 2026.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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