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McLaren encerra primeira metade de 2026 em alta após reação e vitória na Hungria

Após um início turbulento com os novos regulamentos e problemas envolvendo a unidade de potência Mercedes, equipe evoluiu o MCL40 e encerrou a primeira metade de 2026 com vitória de Lando Norris na Hungria

A McLaren ocupa atualmente a 3ª posição no Mundial de Construtores, com 220 pontos. Os atuais campeões mundiais não começaram a temporada no topo da tabela, mas conseguiram reagir ao longo das primeiras 11 etapas e chegaram às férias de verão com uma vitória que recolocou a equipe no centro das atenções.

Durante as nossas lives, quando comentamos que a “impressão que fica” é aquela deixada pela última etapa antes das férias, pode parecer exagero. Mas, depois da vitória de Lando Norris no GP da Hungria, uma pergunta passou a rondar novamente o paddock: a McLaren está de volta ao topo?

O início do campeonato esteve longe de ser perfeito para a equipe de Woking. O MCL40 apresentava potencial, mas não era um carro que chamava tanta atenção quanto outros projetos do grid. A equipe, então, concentrou seus esforços no desenvolvimento e passou a incorporar ao monoposto algumas das soluções que considerava mais eficientes dentro da interpretação do novo regulamento.

Um dos primeiros grandes pacotes de atualização foi introduzido em Miami. Alguns eventos depois, a McLaren voltou a apresentar novidades importantes na Hungria, justamente quando precisava transformar a evolução técnica em resultado. O trabalho culminou na vitória de Norris, que voltou a colocar o campeão de 2025 no degrau mais alto do pódio.

Um começo turbulento com os motores Mercedes

A mudança radical no regulamento técnico de 2026 também trouxe dificuldades para a McLaren. Embora a equipe utilize as unidades de potência da Mercedes, o início da nova era foi marcado por problemas de confiabilidade e por questionamentos relacionados ao desempenho do conjunto.

A McLaren chegou a demonstrar preocupação com o fluxo de informações envolvendo a unidade de potência e com a diferença de ritmo em relação ao próprio equipamento utilizado pela Mercedes. A Williams também enfrentou dificuldades semelhantes durante o começo do campeonato.

O reflexo desse cenário apareceu logo nas primeiras etapas. Oscar Piastri abandonou a primeira corrida do ano, enquanto, na China, a dupla da McLaren sequer conseguiu largar.

A partir daí, porém, o foco passou a ser o desenvolvimento do MCL40. A equipe começou a estudar não apenas o próprio projeto, mas também as soluções apresentadas pelos rivais, buscando compreender como cada concorrente havia interpretado as novas regras.

BUDAPEST, HUNGARY – JULY 26: Oscar Piastri of Australia driving the (81) McLaren MCL40 Mercedes leads Lando Norris of Great Britain driving the (1) McLaren MCL40 Mercedes on track during the F1 Grand Prix of Hungary at Hungaroring on July 26, 2026 in Budapest, Hungary. (Photo by Sona Maleterova/Getty Images)

Essa capacidade de desenvolvimento voltou a ser um dos principais trunfos da McLaren.

As atualizações chamam ainda mais atenção porque acontecem em um momento no qual a Ferrari também tem levado novidades constantemente para a pista, tentando reduzir a diferença para a Mercedes. Mesmo assim, a McLaren conseguiu encontrar caminhos próprios para recuperar competitividade.

A vitória na Hungria foi especialmente simbólica. Além de recolocar Norris no topo, garantiu à equipe a terceira vitória consecutiva no circuito, reforçando a relação de competitividade da McLaren com o traçado húngaro.

Agora, o grande teste será justamente o retorno das férias. Em Zandvoort, será possível entender se o desempenho apresentado na Hungria representa uma tendência ou se foi favorecido pelas características específicas do circuito.

O desenvolvimento do MCL40 ainda precisa ser administrado com cuidado. A McLaren não pode simplesmente abandonar o projeto atual, mas também precisa direcionar recursos para o carro de 2027.

Nos últimos anos, a equipe mostrou que consegue extrair muito de seus pacotes de atualização. O problema agora é encontrar o equilíbrio entre continuar reagindo aos rivais e não comprometer o desenvolvimento do próximo equipamento.

Andrea Stella já havia comentado sobre a dificuldade de administrar esse processo em 2025, quando a equipe precisou lidar com a aproximação da Red Bull e de Max Verstappen na reta final daquele campeonato.

Embora 2027 não represente uma ruptura regulatória tão grande quanto a transição de 2025 para 2026, o próximo carro ainda precisará receber ajustes importantes. A McLaren não pode se dar ao luxo de iniciar uma nova temporada novamente precisando recuperar terreno.

A McLaren decidiu manter Lando Norris e Oscar Piastri para 2026, apesar dos rumores envolvendo uma possível saída do australiano e até uma eventual chegada de Max Verstappen. Oficialmente, a equipe segue demonstrando confiança na dupla.

Os números, entretanto, mostram que os pilotos atravessaram momentos diferentes na primeira metade do campeonato.

Norris ocupa a 5ª posição no Mundial de Pilotos, com 128 pontos, mesmo tendo enfrentado três abandonos. O britânico está atrás de Charles Leclerc, que soma 138 pontos com uma Ferrari considerada mais competitiva em parte da temporada.

O campeão de 2025 ainda tem uma missão importante pela frente, aproveitar a evolução do MCL40 e sua experiência para reduzir a diferença para os líderes e, quem sabe, voltar à disputa pelo título com Andrea Kimi Antonelli.

Piastri, por sua vez, aparece na 7ª posição, ainda abaixo dos 100 pontos. O australiano também acumulou três abandonos nas primeiras 11 etapas, incluindo o GP da Hungria, justamente em uma corrida na qual a McLaren tinha potencial para conquistar uma dobradinha.

Além dos abandonos, Piastri também terminou fora da zona de pontuação no Canadá e na Inglaterra.

A diferença entre os dois pilotos não está apenas nos resultados. Norris demonstrou uma adaptação mais rápida às características dos novos carros, enquanto Piastri precisou de mais tempo para construir confiança com os monopostos de 2026.

A menor aderência e o nível reduzido de downforce exigiram uma adaptação importante no estilo de pilotagem. Para Piastri, esse processo parece ter sido mais complexo.

A vitória na Hungria certamente mudou a percepção sobre a McLaren. A equipe chegou às férias mostrando que o desenvolvimento do MCL40 funcionou e que ainda possui ferramentas para enfrentar Mercedes, Ferrari e os demais concorrentes.

Para voltar definitivamente ao topo, a McLaren precisa transformar a velocidade apresentada na Hungria em uma sequência de resultados consistentes. E, principalmente, precisa fazer com que os dois carros estejam constantemente na disputa pelas primeiras posições.

Se Norris conseguir manter o ritmo e Piastri encontrar maior regularidade, a equipe poderá aumentar significativamente sua pontuação no Mundial de Construtores.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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