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Série Circuitos da F1: Long Beach

Com inspiração em Mônaco, nasce o circuito de Long Beach, ajudando a movimentar o turismo e a economia local

A história do circuito de Long Beach começou com o agente de viagens inglês Chris Pook, um apaixonado por automobilismo que queria fazer uma corrida nas ruas da cidade nos anos 1970, tendo como inspiração a corrida de Mônaco.

Formado em marketing, Chris Pook se mudou da Inglaterra para a Califórnia, onde trabalhava como agente de viagens. Querendo promover a cidade e o automobilismo, acabou criando o circuito de Long Beach. – Foto: reprodução

A cidade, que fica a cerca de 40 km de Los Angeles, começou a ser criada em 1881, quando William Willmore comprou uma parte das terras da família Bixby para a criação de uma cidade. Até então, toda a região era usada para a criação de gado, desde que as terras foram dadas ao soldado mexicano Manuel Nieto, em 1784. A cidade de Willmore não deu certo, mas a Long Beach Land and Water Company comprou o local e mudou o nome da cidade para Long Beach em 1888. Uma disputa entre companhias de trens acabou atraindo moradores para a cidade e apesar de seu rápido desenvolvimento durante as décadas seguintes, ainda perdia para as vizinhas Los Angeles e San Diego em termos de atrativos turísticos. 

A zona de entretenimento Pike, em Long Beach, nos anos 1970. Ainda faltavam atrações para a cidade, se comparadas com cidades vizinhas, como Los Angeles. – Foto: reprodução

Isso não impediu Pook de continuar tentando trazer uma corrida para as ruas da cidade, buscando promover o turismo e também a economia local. Para isso, o agente de viagens agora organizador de corridas foi ao Conselho da cidade e disse que traria o apoio do piloto Dan Gurney, que criou a equipe All American Racers, com sede em Santa Ana, na Califórnia e era uma grande influência na cena automobilística da região. O Conselho gostou da ideia e resolveu dar uma chance a Pook, desde que ele trouxesse o apoio do piloto. O problema é que Pook não conhecia Gurney e só disse o nome dele durante a reunião num momento de improviso. Por sorte, o piloto gostou da ideia e se envolveu no projeto. 

Dan Gurney gostou do que ouviu quando Pook apresentou o projeto e passou a ajudar para que a corrida saísse do papel. – Foto: reprodução

Em 1975, a primeira corrida, na categoria F5000, foi realizada no centro da cidade, perto da orla. A corrida, vencida por Brian Redman, foi um sucesso, atraindo 46 mil espectadores. 

Primeiro traçado usado em Long Beach, que tinha 3,251 km de extensão. – Foto: reprodução
Brian Redman estava em 4º no começo da corrida, quando viu seus rivais abandonarem com problemas mecânicos, devido às características da pista. Redman teve que dosar no acelerador, quando o diferencial do seu carro quebrou. Mesmo assim, o piloto saiu com a vitória na primeira corrida disputada nas ruas de Long Beach. – Foto: reprodução

 

Quem não gostou muito da ideia foram os moradores por onde o traçado passava. A solução foi lotar ônibus com os insatisfeitos, para um passeio pela região enquanto a corrida era realizada.

Animado, Pook mirou mais alto e no dia 28 de março de 1976, a F1 desembarcou na Califórnia. A corrida foi vencida por Clay Regazzoni. 

A F1 desembarcou na Califórnia em 1976, sendo a segunda corrida disputada no país naquela temporada. – Foto: reprodução

Se as coisas já estavam indo bem, ficaram ainda melhores com a vitória de Mario Andretti na corrida de 1977, marcando a primeira vitória de um piloto estadunidense em um GP dos EUA. O marco acabou tornando a corrida famosa, o que facilitou que ela fosse realizada nos anos seguintes.

Mario Andretti se tornou o primeiro estadunidense a vencer em casa. O piloto também fez sucesso em Long Beach com a CART. -Foto: reprodução

Outra corrida marcante em Long Beach foi a de 1978, quando James Hunt bateu logo nas primeiras voltas da corrida, com o acidente ficando famoso. A corrida foi vencida por Carlos Reutemann.

James Hunt bate no muro e abandona a corrida de 1978. Das quatro corridas que o piloto disputou em Long Beach, ele só terminou uma. – Foto: reprodução

O circuito acabou passando por algumas mudanças durante os anos, para se adaptar ao desenvolvimento da região ao redor. Em 1982, os boxes foram mudados da Ocean Boulevard para a Shoreline Drive e o hairpin Queen foi removido. 

Traçado usado em 1982, que retirou o Queen’s hairpin e alargou as laterais do traçado, que passou a ter 3,428 km de extensão. – Foto: reprodução

Nos anos seguintes, novas mudanças vieram, principalmente no hairpin que tinha permanecido, que foi sendo diminuído durante os anos. Nos anos 2000, uma reforma na área da marina alterou o traçado para o formato que é usado hoje em dia, contornando uma fonte. 

Evolução dos traçados de Long Beach durante os anos, que chegou a ter menos de 3 km de extensão entre 1984 e 1999. – Foto: reprodução
Traçado atual, com 3,167 km, que ganhou uma extensão depois da reforma da marina. – Foto: reprodução
Com a reforma da marina, o circuito teve o traçado alterado e ganhou uma extensão, contornando uma fonte. – Foto: reprodução

Entrando nos anos 1980, as taxas cobradas pela FIA começaram a ficar pesadas demais para alguns circuitos. Na época, os Estados Unidos recebiam duas etapas, os GP dos EUA Leste e Oeste. Na costa Leste, Detroit entrou no lugar de Watkins Glen, que realizou sua última corrida em 1980. Long Beach ainda conseguiu se manter por mais um tempo, mas em 1983, a F1 disputou sua última corrida no circuito, depois que as taxas ficaram difíceis de serem pagas. Para se ter uma ideia, a corrida de 1976 custou a Long Beach cerca de 575.000 dólares e mesmo com casa cheia, os organizadores quase não lucraram com a corrida. Em 1983, essa taxa era de 1,75 milhão e apesar de ter o apoio da Toyota, era inviável conseguir essa quantia, já que as inúmeras atrações da região não permitiam que o preço do ingresso fosse elevado. 

A sorte de Long Beach é que a  Championship Auto Racing Teams (CART) assumiu o lugar da F1 e passou a disputar corridas de Champ Cars na pista californiana. E nada melhor do que o domínio dos pilotos estadunidenses no circuito. Logo na primeira corrida, Mario Andretti saiu vencedor, aumentando ainda mais o prestígio da prova. Mario ainda venceria mais duas vezes, enquanto que seu filho Michael venceu outras duas. Outra lenda do automobilismo estadunidense que também brilhou em Long Beach foi Al Unser Jr., que venceu a prova seis vezes, sendo quatro delas consecutivas. 

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Em 2005, os donos de equipe Kevin Kalkhoven e Gerald Forsythe compraram a Grand Prix Association of Long Beach, visando assegurar a continuidade das corridas no circuito. Três anos depois, a associação fechou um acordo com a IndyCar para que a categoria corresse na pista a partir de 2009. O circuito também começou a ser patrocinado pela Acura e as corridas da IndyCar ocorrem até hoje no circuito, que faz uma grande festa de três dias e duas noites com várias atrações e corridas também de outras categorias. A IMSA também faz parte do calendário do circuito.

Em 2015, a Formula E desembarcou no circuito, correndo um dia antes do Toyota GP. A categoria correu por duas temporadas no circuito, usando uma versão mais curta do traçado. E os brasileiros fizeram bonito, com Nelson Piquet Jr. vencendo a primeira corrida e Lucas di Grassi, que já tinha terminado em 3º em 2015, saiu com a vitória no ano seguinte. 

Traçado usado pela Formula E, mais curto do que o original, tendo 2,100 km. – Foto: reprodução

Já na F1, nenhum piloto conseguiu mais de uma vitória em Long Beach. Os vencedores foram Clay Regazzoni, Mario Andretti, Carlos Reutemann, Gilles Villeneuve, Nelson Piquet, Niki Lauda e John Watson. Em número de pódios, Lauda está disparado na liderança, com quatro. 

Entre os pilotos da casa, apenas quatro estadunidenses correram em Long Beach: Mario Andretti, que só não participou da última corrida, Brett Lunger, Eddie Cheever e Danny Sullivan. Entre os quatro, Andretti foi o mais bem sucedido, com uma vitória em 1977 e um pódio no ano seguinte. 

Entre os brasileiros, seis pilotos (Emerson Fittipaldi, Carlos Pace, Alex Ribeiro, Nelson Piquet, Chico Serra e Raul Boesel representaram o país na pista californiana, com Piquet conseguindo a melhor colocação, ao vencer a corrida de 1980 e terminar em 3º em 1981.

Pódio duplo para o Brasil na corrida de 1980, com Nelson Piquet levando a vitória com direito a um Grand Chelem e Emerson Fittipaldi marcando seu último pódio na F1, ao chegar em 3º correndo com sua própria equipe. – Foto: reprodução
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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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