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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Reims

Circuito tinha algo incomum para circuitos de rua e viu Jack Brabham entrar para a história

Ficha técnica

Nome do circuito: Circuito de Reims

Comprimento da pista: 8,302 km

Número de voltas: 48

Distância total: 398,496 km

Recorde da pista: 2:11.300, Lorenzo Bandini (1966)

Primeira corrida na F1: 1950

A história do automobilismo em Reims começou entre 1912 e 1913. Situada cerca de 150 km da capital Paris, a região de Champagne (sim, a terra onde se fabrica a bebida que leva seu nome) recebia competições de motociclismo já naquela época, numa pista de 225 km que levava o nome de Circuito de Champagne à Reims.

Nos anos 1920, Raymond ‘Toto’ Roche, por meio do Automobile Club de Champagne, começou a organizar o Grand Prix de la Marne. A primeira edição aconteceu no dia 2 de agosto de 1925, no circuito de Beine-Nauroy, que tinha 22 km de extensão e ficava a cerca de 10 km de Reims. O vencedor foi Pierre Clause, que completou as 10 voltas da corrida em 2:08:56.4.

Primeiro traçado utilizado em Reims, que tinha 22 quilômetros de extensão. – Foto: reprodução.

No ano seguinte, a corrida passou para o circuito de Reims-Gueux, que tinha 7,816 km e era formado pelas estradas da região. Mas ao contrário do era comum nos circuitos de rua da época, o Reims-Gueux tinha arquibancadas e boxes fixos.

As corridas passaram a ser disputadas no circuito de Reims-Gueux em 1926. – Foto: reprodução

As corridas eram um sucesso e o formato inicial de competições passou de Formula Libre para Grandes Prêmios em 1928, com a vitória do monegasco Louis Chiron.

Carros prontos para a largada da corrida em 1930. – Foto: reprodução

Em 1932, a corrida já estava tão popular que o Automobile Club de France (ACF) usou o circuito para a realização do GP da França (oficialmente chamado de XVIII Grand Prix de l’ACF).

Carros se alinham para o GP da França de 1932, o primeiro disputado em Reims. Apesar de ser um circuito de rua, toda a estrutura dos boxes e arquibancada principal eram fixos. – Foto: reprodução.

Depois de um pequeno hiato, o GP da França voltou a ser disputado em Reims em 1938/1939, dessa vez usando as regras dos Grandes Prêmios. Dez anos depois, o circuito recebeu uma rodada não-oficial da F1, feito repetido no ano seguinte.

Jean-Pierre Wimille foi o vencedor da 1ª corrida de F1 disputada em Reims, quando a categoria ainda se organizava para criar seu campeonato oficial, que seria lançado em 1950. – Foto: reprodução

Já o Grand Prix de la Marne foi descontinuado depois de 1937, fazendo apenas uma aparição em 1952, quando a F1 sofreu com a falta de equipes competitivas e correu com as regras da F2.

No dia 2 de julho de 1950, Reims recebeu sua primeira corrida oficial da F1, que fazia sua temporada de estreia. A corrida teve o domínio de Juan Manuel Fangio, que também fez a pole e marcou a volta mais rápida da prova.

Juan Manuel Fangio dominou o GP da França de 1950 e recebeu a bandeirada de vencedor. – Foto: reprodução

A Alfa Romeo fez dobradinha com Luigi Fagioli, sendo os dois os únicos a completar as 64 voltas da corrida. E com as corridas de F1, a figura de ‘Toto’ Roche também ficou conhecida. Era ele quem dava a bandeirada no início e término das corridas, mas com um jeitinho peculiar. Parado no meio da pista, ele tentava pegar os pilotos desprevenidos, acenando a bandeira de uma hora para outra e correndo para evitar ser atropelado.

‘Toto’ Roche fazia questão de dar a bandeirada inicial e final, sempre tentando pegar os pilotos de surpresa. Em 1960, Jack Brabham teve uma corrida tão tranquila e seu carro era tão rápido, que Roche não viu o piloto vencer a corrida, chegando tarde para dar a bandeirada ao vencedor. – Foto: reprodução

O traçado original do circuito passava pelo vilarejo de Gueux e, em 1952, os organizadores decidiram pular essa parte do traçado, para criar uma estrada que ligasse a linha de largada/chegada com a Virage de la Hovette. Essa nova seção faria parte da criação de uma parte permanente da estrada, que seria usada apenas para as corridas.

O novo traçado deixou de passar pela cidade de Gueux, passando a ter 7,152 km de comprimento. – Foto: reprodução

Nos anos seguintes, as reformas continuaram, com a construção de um novo hairpin na ligação com a RN 31 em 1953. Esse hairpin foi redesenhado em 1954, junto com a curva Virage de Thillois, para deixar a pista ainda mais rápida.

Mudanças no traçado incluíram a construção de um hairpin na Virage Muizon. A parte em cinza mostra o traçado que foi utilizado em 1953, antes do redesenho. – Foto: reprodução
Diferenças entre os traçados, que deixou de passar pela cidade de Gueux com a mudança de traçado feita em 1953. – Foto: reprodução

Em 1954, o circuito presenciou a volta da equipe Mercedes ao automobilismo depois de 15 anos afastada das pistas. As Flechas Prateadas terminaram a corrida com uma dobradinha de Juan Manuel Fangio em 1º e Karl Kling em 2º, exatamente 40 anos depois que a equipe conseguiu um pódio triplo na corrida em Lyon, na França, em 1914.

Karl Kling (carro número 20) e Juan Manuel Fangio (carro número 18), fizeram a dobradinha na volta da Mercedes às competições. – Foto: reprodução

Apesar de receber corridas de endurance, F2 e Motociclismo, a atração principal do circuito era a F1.  Mesmo recebendo a categoria nos anos 1960, Reims teve que enfrentar a concorrência de outras pistas que surgiam na França, como Rouen-les-Essarts e de Clermont-Ferrand, que se revezavam na realização da etapa francesa. No dia 3 de julho de 1966, foi disputada a última corrida de F1 no circuito, contando com a vitória de Jack Brabham. E o piloto australiano entrou para a história, sendo o primeiro a vencer pilotando um carro de sua própria equipe.

Toto Roche dá a bandeirada de partida para o último GP da França disputado em Reims. – Foto: reprodução
Jack Brabham comemora a vitória no GP da França de 1966. Essa foi a primeira vez que um piloto venceu pilotando um carro de sua própria equipe. – Foto: reprodução

As demais categorias ainda permaneceram por mais alguns anos, até o circuito ser completamente abandonado. As arquibancadas e boxes ainda existem e a organização Les Amis du Circuit de Gueux lutam para preservar o que restou do antigo circuito.

Arquibancadas e boxes abandonados são o que restou do circuito de Reims. -Foto: reprodução
Apesar de ser um circuito de rua, Reims tinha uma estrutura de boxes fixa, que ainda resiste. Uma organização está renovando as estruturas para manter viva a história do circuito. – Foto: reprodução

Dezoito pilotos franceses tiveram a oportunidade de correr em Reims. Só na corrida de 1950 foram oito: Raymond Sommer, Philippe Etancelin, que dividiu o carro com Eugène Chaboud, Charles Pozzi, que teve que dividir o carro com Louis Rosier, Yves Giraud-Cabantous, Pierre Levegh e Robert Manzon, esse último tendo o melhor resultado, ao chegar em 4º. Manzon divide com Jean Behra a melhor posição de chegada de um piloto francês em Reims. Os dois subiram ao pódio após terminarem em 3º. Manzon conseguiu a façanha em 1954 e Behra em 1956.

Jean Behra, junto com Robert Manzon, foi o piloto com a melhor colocação em Reims, conseguindo um pódio em 1956. – Foto: reprodução

Já o piloto Maurice Trintignant foi quem mais correu nessa pista. Foram nove participações no total (ele só não disputou a corrida inicial e a última), apesar de não ter tido muita sorte correndo em casa, somando seis abandonos e tendo o 8º lugar em 1963, como sua melhor posição de chegada.

Maurice Trintignant foi o piloto francês que mais correu em Reims, com nove participações nas onze corridas que a F1 realizou no circuito. – Foto: reprodução

Com o passar dos anos, o número de pilotos franceses do grid foi regredindo até que, na última corrida disputada em Reims, em 1966, apenas Guy Ligier alinhou no grid para representar o país.

Entre os vencedores, Juan Manuel Fangio é o piloto que mais vezes subiu no degrau mais alto do pódio. Na corrida de 1951, Fangio não só venceu como também chegou em 11º! Durante a corrida, o piloto argentino teve problemas no carro. Quando Luigi Fagioli parou nos boxes, a equipe Alfa Romeo pediu para que o italiano cedesse seu carro para Fangio, que venceu a corrida. Fagioli conseguiu levar o carro até o final, mesmo estando 22 voltas atrás, terminando em 11º e dividindo os resultados com o companheiro de equipe. A vitória deu a Fagioli o recorde de piloto mais velho a vencer na F1, com 53 anos.

Luigi Fagioli completou o GP da França de 1951 com o carro de Fangio, depois que a equipe Alfa Romeo pediu para que os pilotos trocassem de carro durante a corrida. Revoltado com o pedido, Fagioli abandonou as competições de Grandes Prêmios, ainda correndo em carros esportivos, até sofrer um acidente e falecer em 1952. – Foto: reprodução

A mesma divisão de carros aconteceu com o segundo lugar, que ficou nas mãos de José-Froilan Gonzalez e Alberto Ascari, que pilotavam pela Ferrari.

O segundo lugar em número de vitórias fica com Mike Hawthorn e Jack Brabham, com duas vitórias cada. Em número de pódios, Fangio também lidera a tabela, com 4, seguido de Brabham, com 3.

Entre os brasileiros, apenas Fritz d’Orey disputou uma corrida em Reims, chegando em 10º lugar em 1959. Essa foi sua corrida de estreia na F1, já que o piloto não teve o carro disponibilizado a tempo para participar da classificação do GP de Mônaco, que antecedeu a etapa francesa.

Fritz d’Orey foi o único piloto brasileiro a correr em Reims e chegou em 10º em sua estreia na F1. – Foto: reprodução
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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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