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Opinião: O Pride esquecido

Como é vista a situação no automobilismo

Enquanto o mundo passa por um turbilhão de situações entre a pandemia e os protestos do Black Lives Matters e a contínua luta das mulheres, hoje eu peço licença ao movimento negro e ao movimento feminino para falar sobre uma minoria que não tem representantes dentro do automobilismo, seja na F1, Nascar, Indy, Drift. Hoje eu peço licença para falar sobre a comunidade LGBTQI+.

Mês de Junho é conhecido como Pride Month (mês do orgulho), nesse mês é comum ver empresas, times, equipes, categorias, usarem o famoso arco-íris e apoiar a causa LGBTQI+, fazerem textos bonitos, tweets fofos e # apoiadoras, e se darem por satisfeitos, afinal, só isso basta para esse público, né? A resposta é simples: NÃO BASTA!

Deixe-me fazer uma pergunta, você que está lendo, você é mulher? Negra(o)? Latina(o)? Você faz parte de alguma letra do LGBTQI+? Se a resposta for não para a última pergunta, então esse texto é para você. Se a resposta for sim, então esse texto é principalmente para você.

Como mulher eu vejo muito sobre e faço a luta das mulheres por reconhecimento dentro do automobilismo, seja como profissional ou como telespectadora. Como branca, eu vejo, simpatizo e luto (dentro do que me cabe) pela causa negra dentro do esporte. Como bissexual eu não tenho ninguém por mim. As atitudes, as medidas que o Hamilton vem tomando pelos negros, nós da comunidade LGBTQI+ não temos quem faça, não temos quem nos represente e de quem é a culpa? A culpa é das categorias, a culpa é do público, a culpa é sua, a culpa é minha.

Quando falamos de automobilismo falamos de um esporte elitizado, de uma bolha social que aos poucos está mudando e isso graças à nova geração, tanto de profissionais quanto de fãs, que resolveram não mais se calar, que agora mostram que há uma necessidade urgente de mudanças em questão de gênero e cor, entretanto, quando falamos de sexualidade ainda há silêncio, principalmente por parte do público.

A F1 anunciou um programa para ampliar a diversidade, mas esqueceu da comunidade LGBTQI+, e medidas em relação ao COVID-19; entretanto, ao anunciar esse programa, tanto a categoria como algumas equipes usaram o emoji de arco-íris como símbolo do COVID-19, mostrando o total desrespeito para com a comunidade LGBTQI+.

Ah, mas algo tão pequeno importa tanto? Importa sim, porque esse símbolo é a nossa luta, a nossa história e ao usá-lo para outra causa você está negando essa luta, é o mesmo que usar os punhos para falar de qualquer outra luta senão a negra. Está na hora do público e da categoria lembrarem que LGBTQI+ também morrem apenas por serem quem são.

Uma categoria é reflexo do público que a acompanha, se esse público não aceita determinadas atitudes com o tempo a categoria deixa de toma-las e é isso que o público do automobilismo precisa entender, não dá mais para aceitar brincadeiras homofóbicas, transfóbicas e outros do tipo, não dá mais para ouvir alguém chamando Nico Rosberg de Rosbarbie, de gayzinho, de florzinha e ficar calado, não dá mais.

Não dá mais para evitar tocar no assunto por medo, não dá mais para não poder dizer com orgulho que eu sou gay, lésbica, bi, trans, por medo de ataques, de desvalorização do trabalho. Já chega.

Eu enquanto fã gostaria de saber que a categoria que eu acompanho me apoia, me aceita, tem pilotos com quem eu me identifico, tem profissionais que vão escrever sobre, gostaria de não ver pilotos sendo alvos de piadas sobre sexualidade, gostaria de ver um atleta dizendo em alto e bom som, com todo orgulho, que ele é gay, lésbica, trans. Algo tão pequeno, né? Pois é, mas esse algo pequeno eu não tenho, nós não temos.

Até quando vocês irão nos negar isso?

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Gianny Casalecchi

Gianny Casalecchi Pode me chamar de Gia, sou economista e comento esportes de uma maneira totalmente parcial, bissexual. Sem tempo, irmão.

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