ColunistasDestaquesFórmula 1Post

Novo circuito da F1 em Madri enfrenta resistência de moradores antes da estreia

Novo circuito espanhol enfrenta reclamações de moradores, problemas durante testes da F3 e questionamentos sobre os impactos das obras antes da primeira corrida

A estreia do Circuito de Madri na Fórmula 1 se aproxima, mas o novo GP da Espanha chega ao calendário cercado de desafios. Prevista para acontecer entre os dias 11 e 13 de setembro, a primeira corrida no novo traçado também é acompanhada pela insatisfação dos moradores locais.

O traçado de rua, foi desenvolvido em torno de Centro de Exposições IFEMA, tem 5.416 km e foi escolhido como casa da nova corrida na Espanha, ocupando o posto que antes era do Circuito de Barcelona, na Catalunha.

As obras para a construção do circuito começaram no ano passado. Apesar de ser apresentado como uma pista de rua, o traçado de Madri possui características híbridas, já que combina trechos urbanos com estruturas e instalações semipermanentes construídas especificamente para receber a Fórmula 1 e suas categorias de base, Fórmula 2 e Fórmula 3.

Recentemente, a F3 esteve no traçado para realizar uma sessão de testes, aproveitando o período de férias da categoria. A atividade resultou em um teste caótico: as duas sessões foram interrompidas 19 vezes por bandeiras vermelhas, sendo 11 delas provocadas por toques com a barreira de proteção. Parte dos problemas foi relacionada à sujeira na pista, já que o vento persistente carregava poeira dos canteiros de obras e a espalhava pelo traçado.

A Ferrari também visitou o circuito no início de julho, mas os giros completados pela equipe italiana durante um dia de filmagens foram realizados em condições semelhantes. Na ocasião, Charles Leclerc e Lewis Hamilton conduziram o carro da equipe.

O piloto da Williams, Carlos Sainz, que atua como embaixador do Circuito ‘Madring’, esteve no traçado em maio, quando as obras ainda estavam em andamento. A visita teve como objetivo promover a corrida e também permitiu que o espanhol conduzisse um carro GT pela primeira vez.

Porém, assim como aconteceu com a introdução do GP de Las Vegas ao calendário da Fórmula 1, a corrida de rua na capital espanhola também vem provocando insatisfação entre moradores e locais que tiveram suas vidas afetadas pelo empreendimento.

LEIA MAIS: Às vésperas da estreia, polícia investiga furto de cabos no Circuito de Madri

A situação deu origem ao movimento local “Stop F1 Madrid” (Parem a F1 Madri), que afirma estar preparando um processo contra os organizadores da prova, segundo informações publicadas pelo portal Auto Motor und Sport.

“Ter um autódromo bem em frente às nossas casas não é um sonho. Alguns moradores inicialmente não previram o que estava por vir, mas estão aos poucos se dando conta. A pista é uma monstruosidade de asfalto que destruiu toda a vegetação ao redor. É só concreto e transtorno; não contribui com absolutamente nada. No dia da corrida, o bairro ficará completamente congestionado”, afirmou Constantino Blanco, porta-voz do Stop F1 Madri, em opinião compartilhada no site do bairro.

A acusação é por conta dos problemas gerados pela poluição sonora contínua. Os moradores também alegam os problemas gerados pelo trânsito, motivados pelos novos canteiros de obras, além da destruição da vegetação local.

“Muita gente não veio trabalhar nos últimos dias por causa do barulho. Haverá inúmeros espectadores durante o fim de semana do Grande Prêmio, mas as empresas de alimentação ficam com todo o dinheiro. Estamos preparados com funcionários extras de prontidão, mas quem sabe… Às vezes, o negócio só beneficia alguns”, falou um local em entrevista concedida ao La Vanguardia.

Foram vários meses para o desenrolar das obras, mas há duas semanas da realização do evento, ainda estão trabalhando para a conclusão. A polícia também tem investigado um suposto furto de cabos do traçado.

A atividade da Fórmula 3 serviu para que fosse medida a poluição sonora durante os dias de ação. Segundo as medições que foram realizadas, o nível do ruído ultrapassou os 100 decibéis. As medições ficaram muito acida do limite de 60 decibéis, considerados toleráveis em áreas residenciais. Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) o recomendado é que o nível de ruído seja apenas de 40 a 53 decibéis.

Os comércios também são afetados, na matéria do La Vanguardia, um gerente de um posto de gasolina – que teve o seu fluxo de clientes afetado, mencionou que não poderia falar sobre os transtornos que a prova tem gerado, por conta de uma proibição.

“Desculpe, não podemos conversar, fomos proibidos, e eu cumpro minha palavra.”

Com a realização de uma corrida na capital, o impacto ‘positivo’ economicamente gira em torno dos € 467 milhões e a criação de 8.850 empregos. Antes mesmo da realização da primeira prova, o acordo tem duração de 10 anos.

Recentemente, a Fórmula 1 precisou se comprometer com Nevada (local do GP de Las Vegas), para reduzir o tempo de montagem e desmontagem do circuito, além de outras melhorias, para garantir o evento até 2037 no calendário.

A disputa envolve a empresa italiana Dromo e o grupo alemão Tilke e teria surgido após uma ruptura na colaboração entre as duas companhias. Segundo informações do F1-Insider, a promotora local IFEMA encerrou a parceria com a Dromo e teria contratado a Tilke para assumir a organização do evento. Apesar da mudança, a empresa alemã teria mantido a estrutura originalmente desenvolvida pela Dromo.

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Assinar