Lucas Di Grassi protagonizou uma das maiores corridas de sua carreira neste domingo (05) ao vencer a 13ª etapa da temporada 2026 da Fórmula E, disputada em Xangai. O brasileiro largou apenas da 18ª posição, apostou em uma estratégia ousada e, após uma sequência impressionante de ultrapassagens nas voltas finais, garantiu a primeira vitória da Lola Yamaha ABT na categoria.
O triunfo também marcou o retorno de Di Grassi ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez desde 2022. Campeão da temporada 2016/17, o brasileiro repetiu um roteiro especial na China, país onde venceu a primeira corrida da história da Fórmula E, em Pequim, em 2014. Aos 41 anos, ele também ampliou seu recorde como o piloto mais velho a vencer e subir ao pódio na categoria.
Jean-Éric Vergne terminou na segunda colocação, enquanto Joel Eriksson conquistou o primeiro pódio de sua carreira ao finalizar em terceiro pela Envision Racing.
Pascal Wehrlein cruzou a linha de chegada em quarto, resultado suficiente para assumir a liderança do campeonato após Mitch Evans sequer conseguir largar por conta de um problema técnico em sua Jaguar. Sébastien Buemi completou o top-5, enquanto o pole position Felipe Drugovich terminou em sexto depois de liderar as voltas iniciais da prova.
Saiba como foi o e-Prix de Xangai
Antes mesmo da largada, o e-Prix de Xangai já registrava um grande revés. Líder do campeonato até então, Mitch Evans sequer conseguiu alinhar no grid após a Jaguar identificar um problema técnico em seu carro. Os mecânicos trabalharam até os instantes finais, mas não conseguiram solucionar a falha a tempo, tirando o neozelandês da disputa.
Championship leader Mitch Evans misses the start of Round 13 due to technical difficulties 🛠️#ShanghaiEPrix #FormulaE pic.twitter.com/PRMK5Ox0iM
— Formula E (@FIAFormulaE) July 5, 2026
Com o asfalto molhado, a direção de prova determinou duas voltas atrás do Safety Car antes da largada em movimento. Felipe Drugovich, pole position da etapa, conduziu o pelotão no início da corrida sob condições bastante delicadas.
Nas primeiras voltas, Taylor Barnard, Pepe Martí, Edoardo Mortara e Nyck de Vries foram os primeiros a acionar o ATTACK MODE, aproveitando os 50 kW extras e a tração integral para ganhar posições enquanto o pelotão permanecia compacto. A maior parte dos pilotos do top 10 adotou a mesma estratégia na volta seguinte.
Barnard assumiu a liderança na quinta volta, seguido por Drugovich, Pascal Wehrlein, Martí, Mortara, Oliver Rowland, De Vries, Nico Müller, Jake Dennis e Zane Maloney. O início da prova foi marcado por disputas intensas, com diversos trechos tendo até três carros lado a lado.
A estratégia da Porsche começou a surtir efeito na volta 7. Aproveitando a sobreposição do ATTACK MODE, Wehrlein retomou a liderança, enquanto Müller ocupava a segunda posição, ainda preservando alguns minutos de potência extra. A dupla abriu rapidamente uma vantagem superior a três segundos sobre Drugovich, que ocupava o terceiro lugar.
A vitória do brasileiro começou a ser construída muito antes das voltas finais. Com pista molhada no início da corrida e secando gradualmente ao longo da prova, a Lola optou por um acerto mais agressivo visando as condições de pista seca, além de adotar uma estratégia completamente diferente da maior parte do pelotão.
Enquanto os adversários utilizavam o ATTACK MODE logo nas primeiras voltas para aproveitar a aderência extra no asfalto úmido, Di Grassi priorizou a economia de energia e guardou as duas ativações obrigatórias para o momento decisivo da corrida.
António Félix da Costa apostou em uma estratégia diferente, adiando sua primeira ativação do ATTACK MODE. A decisão permitiu ao português subir para a terceira posição por volta da 16ª volta, apesar de um toque com Oliver Rowland na Curva 1, que danificou sua asa dianteira sem comprometer sua corrida.
Na volta 18, Sébastien Buemi aparecia em quarto lugar com uma vantagem importante de energia em relação aos rivais. Assim que ativou seu segundo ATTACK MODE, ultrapassou Da Costa imediatamente e iniciou a perseguição aos carros da Porsche.
Mesmo sem utilizar o recurso, Di Grassi conseguiu avançar discretamente durante a primeira metade da disputa. A partir da volta 21, porém, iniciou uma escalada impressionante ao ativar o primeiro ATTACK MODE, saltando da 15ª para a quinta posição em apenas duas voltas.
Enquanto Nico Müller respondia acionando sua própria ativação extra, Joel Eriksson protagonizou uma das grandes recuperações da prova. O piloto da Envision ultrapassou Müller e Buemi por fora na Curva 1 e, na volta seguinte, também superou Wehrlein para assumir a liderança, completando uma impressionante escalada de 16 posições em relação ao grid. Além disso, ainda mantinha uma ativação de ATTACK MODE disponível.
À medida que o traçado secava, os carros ajustados para essas condições passaram a ganhar desempenho. Eriksson abriu 4,4 segundos de vantagem, enquanto Jean-Éric Vergne assumia a segunda colocação e Lucas Di Grassi surgia em terceiro, ambos também recuperando 16 posições desde a largada.
Pouco depois, a quebra da suspensão do carro de Zane Maloney provocou um período de Full Course Yellow que acabou favorecendo ainda mais a estratégia da Lola. Enquanto Joel Eriksson e Jean-Éric Vergne consumiam o tempo restante de seus ATTACK MODE durante a neutralização, Di Grassi ainda preservava boa parte de sua segunda ativação.
Na relargada, o brasileiro aproveitou toda a potência adicional de 50 kW e a tração integral para partir ao ataque.
Restando poucas curvas para o fim da prova, Di Grassi ultrapassou Joel Eriksson para assumir a segunda colocação. Logo depois, já na última volta, protagonizou a manobra decisiva ao superar Jean-Éric Vergne por fora na Curva 1, assumindo a liderança da corrida.
O brasileiro sustentou a posição até a bandeirada para conquistar sua 14ª vitória na Fórmula E e escrever mais um capítulo histórico na categoria.
Pelo rádio, ainda emocionado, resumiu a estratégia que levou ao triunfo.
Há momentos na vida que você tem que assumir riscos. E hoje assumimos os riscos certos”. Depois, o brasileiro destacou a importância do resultado, que encerra sua história na China da mesma forma que começou: com uma vitória.
“A gente precisa tomar riscos e às vezes isso dá certo. E hoje foi esse dia. Depois de muito azar e de muito trabalho, conquistamos a primeira vitória da Lola. Estou muito feliz por fechar esse ciclo na China com chave de ouro, colocando a bandeira do Brasil no lugar mais alto do pódio. Isso é o mais importante”, declarou.
Apesar de não vencer, Pascal Wehrlein deixou Xangai em situação confortável na disputa pelo título. O piloto da Porsche aproveitou o abandono antes mesmo da largada de Mitch Evans para assumir a liderança do campeonato. O alemão chegou à China 19 pontos atrás do neozelandês e deixa a etapa com nove pontos de vantagem na classificação.
Entre as equipes, a Jaguar segue na liderança com 243 pontos, enquanto a Porsche reduziu a diferença para apenas seis pontos, somando 237.
Já no Campeonato de Fabricantes, a Porsche permanece na ponta com 384 pontos, contra 334 da Jaguar.
A Fórmula E retorna nos dias 25 e 26 de julho para a rodada dupla do e-Prix de Tóquio, penúltima etapa da temporada 2026.
What. A. Race. 😮💨
Here’s how the points were scored in a dramatic Round 13 in Shanghai 🇨🇳#ShanghaiEPrix #FormulaE pic.twitter.com/x9pdj4bs5n
— Formula E (@FIAFormulaE) July 5, 2026
Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!
O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!
Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.
Descubra mais sobre Boletim do Paddock
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





