A Ferrari chega às 6 Horas de São Paulo, quarta etapa da temporada 2026 do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), determinada a transformar Interlagos em um ponto de virada na disputa pelos títulos de Construtores e Pilotos. Depois de um desempenho aquém do esperado nas 24 Horas de Le Mans, a fabricante italiana reconhece que o circuito paulistano representa um dos maiores desafios para a 499P desde sua estreia na categoria Hypercar.
A prova deste domingo (12), com largada às 11h30, marca o retorno da Ferrari ao traçado brasileiro, onde os protótipos 499P ainda buscam um resultado de destaque. Pela equipe oficial Ferrari AF Corse, os carros de números 50 e 51 serão pilotados, respectivamente, pelos trios Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, além de Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi. O 499P número 83, inscrito pela AF Corse, terá Robert Kubica, Yifei Ye e Phil Hanson no comando.
Interlagos segue como obstáculo para a Ferrari
Os próprios pilotos admitem que o histórico recente da Ferrari em Interlagos exige uma abordagem diferente. Antonio Fuoco destacou que as duas últimas passagens da equipe pelo circuito brasileiro foram complicadas, mas acredita que o trabalho desenvolvido após Le Mans pode permitir uma recuperação.
O italiano ressaltou que o abandono do carro número 50 na clássica francesa aumentou a motivação do trio para voltar a disputar as primeiras posições, encarando a corrida brasileira como uma oportunidade importante para reagir no campeonato.
Miguel Molina reforçou que, em uma temporada curta, cada ponto conquistado pode fazer diferença na classificação geral. O espanhol também lembrou as dificuldades enfrentadas em São Paulo nas últimas edições, mas acredita que o forte apoio dos torcedores brasileiros à Ferrari representa um incentivo extra para buscar um resultado consistente.
Na mesma linha, Nicklas Nielsen observou que, embora os resultados ainda não tenham sido os desejados, houve evolução entre as temporadas anteriores. Para o dinamarquês, o objetivo agora é transformar esse progresso em uma pontuação significativa.
Carro #51 busca recuperar protagonismo
Do outro lado da garagem, Alessandro Pier Guidi reconheceu que a Ferrari ainda não conseguiu explorar todo o potencial da 499P em Interlagos. Segundo ele, o circuito curto e técnico exige uma preparação minuciosa, motivo pelo qual a equipe concentrou esforços para chegar ao Brasil em melhores condições.
James Calado lembrou que o quinto lugar conquistado em Le Mans interrompeu a sequência de pódios da Ferrari na tradicional prova francesa. Para o britânico, isso aumenta ainda mais a importância da etapa brasileira dentro de um calendário com apenas oito corridas.
Antonio Giovinazzi também destacou a necessidade de uma execução praticamente perfeita durante todo o fim de semana. O piloto acredita que somente um desempenho sem falhas permitirá à equipe converter o potencial demonstrado ao longo da temporada, marcada até aqui por uma pole position e um pódio em Ímola, em uma pontuação expressiva.
Ferrari aposta nos ajustes técnicos após Le Mans
O diretor global de Endurance e Corse Clienti, Antonello Coletta, afirmou que a equipe deixou Le Mans focada em reagir imediatamente. Apesar da decepção na principal corrida do calendário, o dirigente acredita que Interlagos oferece uma oportunidade importante para recolocar a Ferrari na disputa pelos campeonatos.
Coletta destacou que o traçado brasileiro combina grandes variações de altitude, curvas técnicas e um ambiente tradicionalmente favorável à Ferrari, impulsionado pelo entusiasmo dos torcedores locais.
Já o chefe de carros de Endurance, Ferdinando Cannizzo, explicou que a análise técnica realizada após Le Mans permitiu identificar áreas importantes de evolução. Segundo ele, a equipe revisou os acertos da 499P levando em consideração as características específicas de Interlagos e também os pneus utilizados nesta etapa.
Cannizzo ressaltou que o circuito exige equilíbrio aerodinâmico, boa tração nas saídas de curva e gerenciamento eficiente dos pneus durante os stints. Para o dirigente, será fundamental extrair o máximo dos treinos livres para chegar competitivo à classificação e, principalmente, à corrida.
Com o campeonato entrando em sua segunda metade, a Ferrari encara as 6 Horas de São Paulo como uma etapa decisiva. Além de buscar apagar a frustração de Le Mans, a fabricante italiana pretende aproveitar a corrida brasileira para recuperar terreno na luta pelos títulos mundiais em uma das temporadas mais equilibradas da era Hypercar.
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