ColunistasDestaquesFórmula 1Post

Estratégia de duas paradas decide o GP da Áustria e expõe falha da Ferrari

Temperaturas acima dos 50°C no asfalto transformaram o gerenciamento dos pneus no fator decisivo da corrida. Enquanto George Russell venceu com uma estratégia de duas paradas, a Ferrari apostou em três pit-stops, perdeu rendimento e ficou fora do pódio

O GP da Áustria terminou com a vitória de George Russell, em uma corrida na qual a estratégia de duas paradas se mostrou a alternativa mais eficiente para administrar o desgaste dos pneus e garantir o melhor desempenho ao longo das 71 voltas.

As altas temperaturas registradas durante todo o fim de semana tiveram impacto direto no comportamento dos compostos. A Pirelli levou ao Red Bull Ring a gama mais macia de pneus, e pilotos e equipes passaram os três dias destacando a elevada degradação térmica e a dificuldade para encontrar o equilíbrio ideal na gestão dos compostos.

Durante a corrida, o asfalto chegou a 55°C, enquanto a temperatura ambiente atingiu 36°C, cenário que favoreceu principalmente o uso dos pneus duros nos stints mais longos.

Estratégias trabalhadas ao longo do GP de Áustria – Foto: Pirelli

A Ferrari foi a única equipe de ponta a apostar em uma estratégia de três paradas para Charles Leclerc e Lewis Hamilton, mesmo com as simulações indicando que duas trocas seriam a opção mais rápida.

Diferentemente do GP da Espanha, quando a estratégia extra levou Hamilton à vitória, desta vez a escolha não trouxe qualquer vantagem competitiva. O principal problema esteve no comportamento do SF-26, que apresentou dificuldades com todos os compostos utilizados ao longo da prova.

A equipe iniciou a corrida disputando posições no pódio. Leclerc largou em segundo, mas foi superado por Hamilton ainda na primeira volta. O britânico realizou seu primeiro pit-stop na volta 12 — bastante cedo para quem havia iniciado com pneus médios — enquanto o monegasco parou uma volta depois.

A intenção da Ferrari era executar um undercut sobre os rivais, mas a elevada temperatura do asfalto acabou penalizando justamente quem antecipava as paradas.

A segunda troca de Hamilton aconteceu na volta 25, durante o Virtual Safety Car provocado pelo abandono de Carlos Sainz. Enquanto a Ferrari seguia comprometida com as três paradas, Max Verstappen permaneceu na estratégia convencional de duas trocas e conseguiu assumir a segunda posição.

A terceira parada também não produziu o efeito esperado. Hamilton terminou apenas em quinto, enquanto Leclerc caiu para a oitava colocação. Pierre Gasly foi o único outro piloto a optar pelas três paradas, mas também ficou fora da zona de pontuação.

A estratégia vencedora combinou pneus médios e duros, privilegiando um longo segundo stint com o composto C3. Mesmo dispondo de dois jogos extras de pneus médios, Verstappen preferiu não utilizá-los na parte final da prova, confiando no melhor desempenho dos pneus duros nas altas temperaturas.

Russell administrou bem a estratégia e parecia caminhar para uma vitória tranquila, mas a vantagem construída desapareceu nas voltas finais.

Verstappen recuperou terreno rapidamente após assumir a segunda posição e chegou a reduzir a diferença para menos de um segundo durante o stint intermediário. Entretanto, sua segunda parada mais tardia o obrigou a recuperar cerca de dez segundos nas voltas finais, tornando inviável a disputa pela vitória.

Antonelli teve motivos para sair da Áustria satisfeito com seu desempenho, mas também lamentando as oportunidades desperdiçadas. Na classificação, uma confusão ao interpretar uma bandeira amarela simples como bandeira amarela dupla o fez abandonar sua volta final, limitando-o ao quarto lugar no grid. Já na corrida, o italiano reagiu, ultrapassou Max Verstappen nas voltas iniciais e pressionou o rival até a bandeirada, encerrando a prova na terceira posição.

Depois de superar Andrea Kimi Antonelli e Charles Leclerc na curva 4 da segunda volta, Verstappen passou a perseguir Lewis Hamilton. A ultrapassagem sobre o piloto da Ferrari veio logo após a primeira rodada de pit-stops, permitindo ao neerlandês assumir a segunda colocação e iniciar a caçada ao líder George Russell.

Durante o stint intermediário, Verstappen chegou a reduzir a diferença para menos de um segundo, pressionando o britânico. No entanto, uma parada mais tardia nos boxes comprometeu suas chances de vitória, obrigando-o a recuperar cerca de 10 segundos nas voltas finais.

A McLaren também deixou Spielberg um pouco mais satisfeita. Oscar Piastri fez uma corrida consistente, venceu duas disputas diretas contra Charles Leclerc e terminou na quarta colocação, seu melhor resultado desde o GP de Miami.

Pneus usados ao longo do GP da Áustria – Foto: divulgação Pirelli

Gabriel Bortoleto e Carlos Sainz foram os únicos pilotos a largar com pneus macios. A estratégia da Audi funcionou bem e permitiu ao brasileiro manter um ritmo competitivo durante praticamente toda a corrida, chegando a disputar uma vaga no top-10.

No entanto, como nenhum abandono ocorreu entre os pilotos que ocupavam a zona de pontuação, Bortoleto terminou sem conquistar seu primeiro ponto na Fórmula 1. A Racing Bulls também merece destaque pelo desempenho consistente de Liam Lawson e Arvid Lindblad, que seguraram as posições dentro do top-10 até o fim.

Durante toda a corrida, apenas Lewis Hamilton utilizou um stint intermediário com pneus macios, enquanto Fernando Alonso reservou esse composto para o trecho intermediário e também o final da prova.

Apesar da elevada degradação térmica, a Pirelli destacou que os pneus não apresentaram problemas relevantes de granulação ou formação de bolhas, demonstrando boa resistência mesmo sob temperaturas extremas.

Já o segundo Virtual Safety Car, provocado pelo abandono de Alexander Albon, praticamente não alterou o panorama estratégico da corrida e acabou tendo impacto mínimo sobre o resultado final.

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.

 


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading