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Comissários admitem erro ao não punir Leclerc no GP da Bélgica e reacendem debate sobre consistência das punições na F1

Após reunião com os pilotos na Hungria, comissários reconheceram que Charles Leclerc deveria ter recebido uma punição de cinco segundos pelo incidente com Oscar Piastri, enquanto competidores cobram maior consistência na aplicação do regulamento

O GP da Bélgica voltou a colocar em xeque a consistência das decisões dos comissários da FIA. Após a corrida, os próprios oficiais admitiram que cometeram um erro ao não punir Charles Leclerc pelo incidente com Oscar Piastri, reacendendo as críticas sobre os critérios utilizados na aplicação de penalidades na Fórmula 1.

O incidente entre Charles Leclerc e Oscar Piastri rapidamente se tornou um dos principais assuntos após a corrida. O toque entre o monegasco e o australiano dividiu opiniões, principalmente porque, na avaliação do mesmo grupo de comissários, o lance não resultou em qualquer punição, apesar de Leclerc ter deixado pouco espaço para o rival na Les Combes e gerado um dano no assoalho da McLaren.

A batida em questão, foi interpretada pelos comissários como um incidente de corrida. Foi julgado pelo grupo que a tentativa de ultrapassagem de Piastri foi muito otimista e ele não conseguiria concluir a manobra para cima de Leclerc, enquanto o monegasco estava seguindo o seu traçado de corrida.

Porém, Lewis Hamilton foi considerado culpado pelo incidente com George Russell na largada — que provocou o abandono do piloto da Mercedes — e recebeu uma penalização de cinco segundos, mais pela consequência da batida. A diferença de interpretação entre os dois casos alimentou o debate sobre a consistência dos critérios adotados pela FIA, algo que já deixou marcas em várias corridas ao longo dos últimos anos.

A punição imposta a Hamilton teve impacto direto na estratégia da Ferrari. Como o britânico precisaria cumprir os cinco segundos durante seu pit-stop, a equipe optou por não inverter as posições entre seus pilotos, mesmo com Hamilton apresentando um ritmo superior ao de Leclerc nas voltas iniciais da corrida. A decisão acabou influenciando a forma como a Ferrari administrou a prova em Spa-Francorchamps.

O assunto foi pautado durante a reunião previamente agendada entre os pilotos e comissários da FIA para o GP da Hungria na noite de quinta-feira. Esse tipo de reunião acontece duas vezes ao ano, onde a FIA com os pilotos discute os incidentes e por meio do que é discutido, eles podem realizar alguns ajustes.

A ‘consistência’ na tomada de decisões e aplicação de punições é algo que os pilotos sempre trazem como uma necessidade primordial no esporte. Como mencionado pelos pilotos e em nossos textos, o grupo de comissários é rotativo, já que eles são voluntários, mas algumas equipes defendem a necessidade de assim como o diretor de prova, ser um grupo fixo, para que exista uma linha de raciocínio quando um piloto for penalizado.

Entre os pilotos, a decisão dos comissários também gerou preocupação. Segundo informações publicadas pelo The Race, há um entendimento no paddock de que a ausência de punição para Leclerc pode abrir um precedente para incidentes semelhantes no futuro, tornando ainda mais nebulosos os critérios adotados pela FIA.

Durante a quinta-feira de entrevistas, Piastri disse: “Se acharmos que isso é aceitável, uma coisa é ter toques roda-com-roda, mas mesmo a simples ideia de saber que você pode deixar para os adversários o mínimo de espaço possível e sair impune, não é a situação mais agradável”.

Leclerc também admitiu que foi um pouco além com o australiano e esse não costuma ser o seu posicionamento em pista.

“No fim das contas, minha visão sobre o carro é tentar levar as coisas no limite. Acho que com o Oscar fui um pouco para o lado. Provavelmente não é assim que eu quero correr sempre. Também é arriscado para mim no final das contas”, falou.

Como menciona a matéria do The Race, o jornalista Jon Noble, mencionou que durante a reunião, os comissários reconheceram que Leclerc também deveria ter recebido uma penalidade de cinco segundos.

Após discutirem o assunto na Hungria, acreditasse que alguns ajustes serão realizados para 2027, mas uma definição deve acontecer na segunda reunião próximo ao término do campeonato vigente.

De imediato, na reunião foi acordado que os comissários mostrariam uma tolerância em relação aos incidentes que ocorrerem nas relargadas e após o Safety Car. Os competidores argumentaram que com os carros atuais – por conta da variação de energia e também do comportamento dos pneus, dificultam a avaliação dos comissários com incidentes que acontecem logo nesses momentos.

Apenas cinco pilotos não participaram da reunião, um deles foi Lewis Hamilton. Fernando Alonso, Lance Stroll, Sergio Pérez e Valtteri Bottas também não estiveram presentes. A Aston Martin passou a quinta-feira preparando o carro da sua dupla de pilotos, por conta do novo pacote aerodinâmico que introduziram neste evento.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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