Lucas Di Grassi encerrou neste domingo (16), em Londres, uma trajetória de 32 anos como piloto de automobilismo. Aos 42 anos, o brasileiro disputou suas últimas corridas no Mundial de Fórmula E e colocou um ponto final em uma carreira que passou pelo kart, Fórmula 3, GP2, Fórmula 1, Mundial de Endurance e, principalmente, pela construção da própria história da categoria elétrica.
A despedida aconteceu justamente em uma competição da qual Di Grassi foi um dos principais protagonistas desde antes de sua criação oficial. O brasileiro participou do desenvolvimento inicial da Fórmula E e esteve no grid desde a primeira temporada, em 2014. Ao longo de 12 temporadas e 165 participações, conquistou 14 vitórias, 42 pódios e o título mundial de 2016/17, quando defendia a Audi Sport.
Enquanto a Fórmula E se despedia da era Gen3 em Londres, Di Grassi também fazia suas últimas provas na categoria elétrica. Defendendo a equipe Lola-Yamaha Team, o brasileiro não completou nenhuma das provas da rodada dupla. Ao final do campeonato de 2025/26 conquistou a 17ª posição, com 32 pontos somados e a vitória conquistada em Xangai.
Na última etapa, Di Grassi esteve acompanhado pelo filho, Leo, e por Vito, seu pai e grande incentivador desde o início da carreira.
“Hoje corro na Fórmula E pela última vez. Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira. Isso é sobre o que vem a seguir. Durante três décadas, as corridas me ensinaram que talento nunca é suficiente”, escreveu Di Grassi em sua publicação de despedida.
“É preciso determinação para continuar quando as coisas não estão funcionando, quando o carro não é rápido o bastante, quando as pessoas duvidam de você, quando você perde, quando você falha. É preciso uma vontade quase irracional de vencer.”
“E, acima de tudo, é preciso foco extremo e a capacidade de ignorar o barulho, comprometer-se completamente com um objetivo e continuar avançando muito depois que a maioria das pessoas teria parado.”
“Essas qualidades me levaram de uma criança que sonhava em correr de carro a competir no mais alto nível do automobilismo por 20 anos. Agora olho para o meu filho. Meu tempo atrás do volante está chegando ao fim. A geração dele está apenas começando.”
“Não sei o que ele vai escolher fazer, e não precisa ser automobilismo. Mas, seja o que for, espero que ele se entregue completamente. Espero que sonhe grande, aprenda a perder, se levante, trabalhe mais duro e nunca aceite que algo é impossível simplesmente porque ninguém fez antes. Uma geração eventualmente precisa sair do caminho para que a próxima possa ir mais longe. Hoje, tiro o capacete. E, olhando para esta foto, sei exatamente para onde está meu foco agora. A corrida deles está apenas começando.”
Di Grassi correu na Fórmula 1 em 2010, na equipe Vargin Racing, completando 18 Grandes Prêmios. Se a passagem pela F1 foi curta, foi na Fórmula E que Di Grassi encontrou o ambiente para construir uma das carreiras mais relevantes de sua geração.
O brasileiro esteve envolvido no projeto da categoria antes mesmo de sua estreia oficial. Quando a Fórmula E finalmente chegou às pistas, em 2014, Di Grassi venceu a primeira corrida da história do campeonato, em Pequim.
A relação com a categoria se estendeu por 12 temporadas e atravessou diferentes equipes, regulamentos e gerações de carros. O momento mais importante aconteceu na temporada 2016/17, quando conquistou o campeonato mundial pela Audi Sport.
Para a despedida em Londres, a Lola Yamaha preparou uma pintura especial para o carro de Di Grassi. O modelo reuniu referências às 12 temporadas do brasileiro na Fórmula E, resgatando elementos de diferentes equipes, carros e momentos de sua passagem pelo campeonato.
O capacete utilizado na última rodada também carregava uma referência especial: os 42 pódios conquistados na Fórmula E, recorde da categoria.
A pista, entretanto, não proporcionou o encerramento que o brasileiro provavelmente imaginava. Na primeira corrida do fim de semana, Di Grassi abandonou depois de um problema no motor que fez o carro permanecer acelerado durante uma curva. Na segunda prova, disputada neste domingo, problemas eletrônicos voltaram a interromper sua participação. Os resultados, porém, ficaram em segundo plano diante da dimensão da despedida.
A própria Fórmula E ao longo de todo o evento por meio das suas redes sociais, destacou sua contribuição para a construção da categoria e o papel que desempenhou na popularização da tecnologia elétrica no automobilismo.
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