O chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff, foi questionado sobre a liberdade que Max Verstappen teria dentro da equipe alemã, em um cenário hipotético no qual o tetracampeão tivesse deixado a Red Bull para defender a Mercedes.
Recentemente, em entrevista concedida para um grupo de jornalistas holandeses em Zandvoort, Wolff foi questionado como faria para extrair o máximo de desempenho de Verstappen, além da liberdade que o tetracampeão teria em sua equipe.
Antes de Max confirmar a sua permanência na Red Bull e garantir uma renovação contratual até 2030, a Mercedes foi tida como uma equipe que poderia ser o destino do neerlandês. Atuais líderes do Mundial de Pilotos e Construtores, a competitividade apresentada pela Mercedes neste regulamento, poderia ser um atrativo para o piloto, que quer faturar mais vitórias e títulos.
“Acho que cada equipe é diferente, mas o que tento fazer é identificar o que torna um piloto rápido dentro da nossa estrutura. Que tipo de estrutura devemos fornecer para obter o melhor desempenho deles? E, obviamente, parte disso é o bem-estar. E isso também é muito importante para mim.”
“Nunca rotulei os pilotos nem lhes disse que tinham de ser de uma determinada maneira”, afirmou.
Verstappen conquistou quatro títulos com a Red Bull e teve uma temporada dominante em 2023, mas muito do desempenho e evolução do piloto, está atrelada em ter uma equipe funcionando apenas para ele. Sob o comando de Christian Horner, os companheiros de Max, tinham poucas chances de se desenvolver, especialmente por conta de carros construídos para que Max se sentisse mais confortável.
Além disso, Verstappen conquistou dentro da Red Bull um nível de liberdade que poucas equipes provavelmente estariam dispostas a oferecer. O neerlandês conseguiu reduzir o tempo dedicado a compromissos comerciais e, ao mesmo tempo, recebeu espaço para disputar provas de endurance, conciliando a carreira na Fórmula 1 com outras atividades no automobilismo.
Em uma eventual mudança de equipe, porém, esse cenário poderia ser diferente. Um novo time provavelmente buscaria explorar ainda mais a imagem de Verstappen, especialmente diante do alto investimento necessário para contratá-lo. Além de um salário robusto, a equipe teria interesse em transformar a chegada do tetracampeão em um ativo comercial capaz de gerar retorno financeiro e justificar o custo da contratação.
Wolff, por sua vez, viveu algo semelhante com Lewis Hamilton, mas em uma escala diferente, já que o britânico foi para o lado da moda. O chefe de equipe da Mercedes, mencionou os dias que antecederam o GP de Singapura de 2018.
“Me recordo de Lewis Hamilton ter sua própria coleção de moda naquela época, e houve uma corrida em Singapura, que foi em 2018 ou 2019, quando ele lançou sua coleção com a Tommy Hilfiger.”
“Ele fez um desfile de moda em Xangai, de onde nos ligou pelo FaceTime. Ele estava grato por a Mercedes ter mudado de ‘Boss’ para ‘Hilfiger’, permitindo que ele tivesse sua própria coleção de roupas. Ele nos mostrou tudo e disse: ‘Olhem isso, esta é a minha passarela, esta é a minha coleção. Não consigo acreditar'”
O desfile em questão aconteceu em Xangai no dia 4 de setembro, mas Hamilton não foi imediatamente para Singapura. Ele ainda tinha semana de Moda em Nova York agendada para apresentar a coleção nos Estados Unidos.
“Niki Lauda me disse na época: ‘Não consigo entender por que você está permitindo tudo isso. Vamos correr em Singapura no próximo fim de semana, então como isso é possível’”, recordou Wolff.
Internamente, a situação foi agravada, quando o voo que Hamilton deveria embarcar, foi atrasado e que permitiria o piloto chegar em cima da hora para reunião com o time de engenharia.
Naquele fim de semana, o ex-chefe de equipe de Hamilton, assumiu as críticas internas, mas solicitou apenas que o competidor fizesse o seu melhor trabalho possível em pista.
“’Lewis, me faça um favor. Eu cuido de tudo aqui, eu aceito todas as críticas, mas não me decepcione neste fim de semana.'”
“‘Entendido’, ele respondeu, e foi aí que ele conquistou aquela incrível pole position. Ele fez aquela volta sensacional e depois venceu a corrida, desaparecendo na ponta. Depois da corrida, ele veio até mim e disse: ‘Foi um bom negócio, não foi?'”
Lauda precisou dar o braço a torcer, dizendo que não tinha porque questionar a abordagem de Wolff e que Hamilton estava liberado para fazer o que bem entendesse antes de uma corrida.
Embora Wolff de certa forma reconheça que para ter Verstappen seria necessário dar um pouco de liberdade ao competidor, para Andrea Kimi Antonelli, ele ainda pretende manter uma abordagem com um maior controle.
Neste ano, quando Antonelli manifestou o interesse nas corridas de longa duração, especialmente nas provas disputadas no Circuito de Nürburgring, Wolff vetou a participação do italiano, ressaltando que o jovem precisa nesse momento manter o foco na Fórmula 1.
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