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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Aida

O que era para ser uma pista particular para os milionários, acabou sendo palco do domínio de Schumacher.

A história do circuito de Aida (no Japão) começou nos anos 1980, com o empresário de campos de golfe, Hajime Tanaka. Um dia, Takana se perguntou se o modelo de clube de campo, muito usado no golfe, serviria também para o automobilismo. O objetivo era criar uma pista de corrida para que os ricos pudessem brincar com seus carros esportivos.

Takana resolveu colocar seu plano em ação. Vendeu alguns de seus campos de golfe para juntar o dinheiro necessário para a construção da pista e do clube. Quem pagasse os 120 mil dólares (valores da época) pela assinatura vitalícia, poderia desfrutar não somente da pista e das garagens, mas também do clube ao lado da pista e de um hotel, além de uma balada exclusiva.

Mesmo com o preço salgado, Tanaka conseguiu vender 350 assinaturas, entre pessoas e empresas, como a Toyota e a Nissan. Com o dinheiro, ele comprou um terreno na pacata região de Okayama e começou a construir o circuito.

O TI Circuit Aida (TI, de Takana International e o Aida por ser a cidade mais próxima), foi inaugurado em novembro de 1990. A pista tinha algumas elevações e curvas em S, o que satisfazia os amadores, que ainda enfrentavam o desafio de uma pista sem muita área de escape e com as barreiras de proteção muito próximas da pista, já que a região montanhosa não dava espaço para isso.

Para a inauguração, vários pilotos britânicos que correram tanto em F1 com nas 24 de Le Mans, foram chamados para participar da primeira corrida e as curvas do circuito foram nomeadas em homenagem a eles, como Stirling Moss, Jonathan Williams, David Hobbs, Dickie Attwood, David Piper, Brian Redman e Mike Knight, dono da famosa escola de pilotagem Winfield.

Traçado do circuito de Aida, que leva o nome de alguns pilotos que compareceram na inauguração e tinha 3,702 km de extensão. – Foto: reprodução

De pista para amadores, Aida logo foi mirando mais alto e em 1992, sediou a etapa de abertura do campeonato de Turismo japonês, vencida pelos pilotos da Nissan, Hideo Fukuyama e Masahiro Hasemi. Empolgado, Tanaka começou a negociar com a F1, para trazer uma segunda corrida da categoria para o país, que na época corria no circuito de Suzuka. Para a sorte do empresário, Bernie Ecclestone tinha planos de expandir a F1 além da Europa e no dia 17 de abril de 1994, a categoria desembarcou em Okayama para o GP do Pacífico, vencida por Michael Schumacher, que ficou com a pista livre depois de um acidente envolvendo Senna logo na largada. 

Ayrton Senna e Nicola Larini se enroscaram no começo da corrida de 1994, com a vitória ficando com Michael Schumacher. – Foto: reprodução

Só que a corrida também revelou um grande problema, a falta de infraestrutura. O centro de Okayama fica a cerca de 50 km do circuito e as estradas eram muito estreitas. Nas minúsculas cidades ao redor da pista, não havia acomodação para as equipes e os torcedores. Aida, por exemplo, tinha 4 mil habitantes e em 2005, se fundiu com mais cinco cidades para virar uma só, passando a ter 28 mil habitantes no total. Com isso, não havia outra alternativa a não ser enfrentar uma hora ou mais de trajeto até o local da corrida, feitas em caravanas de ônibus disponibilizados pela organização. 

No meio de montanhas, o circuito continua isolado das grandes cidades, o que dificulta a chegada das equipes e torcedores. – Foto: Google Earth

No ano seguinte, a corrida estava programada para ser realizada em abril, só que um forte terremoto em janeiro atingiu Kobe, que fica a um pouco mais de 100 km do circuito, matando mais de seis mil pessoas. 

Um forte terremoto destruiu a cidade de Kobe e regiões próximas, causando o adiamento da corrida. – Foto: reprodução

A pista não sofreu muitos danos, mas por conta da severidade da situação na região vizinha, a corrida foi adiada para outubro, sendo vencida mais uma vez por Michael Schumacher, que com o resultado, se sagrou bicampeão por antecipação, sendo o mais jovem a conseguir o feito naquela época, aos 26 anos, 9 meses e 19 dias. O recorde só foi derrubado em 2006, com Fernando Alonso, que conquistou seu segundo título aos 25 anos, 2 meses e 23 dias, e depois com Sebastian Vettel, atual detentor do recorde, que se tornou bicampeão na temporada de 2011, aos 24 anos, 3 meses e 6 dias. 

Michael Schumacher venceu também a segunda e última corrida da F1 em Aida. – Foto: reprodução

Diante de todas as dificuldades, tanto Takana quanto a prefeitura resolveram cancelar as corridas de F1 no circuito, se voltando mais para o automobilismo nacional, como o campeonato de GT, que começou a disputar etapas no circuito em 1998. 

O traçado acabou passando por algumas mudanças durante os anos, com algumas curvas sendo ligeiramente rearranjadas. A pista curta “Atwood”, que quase nunca era usada, foi desativada. A entrada do pit lane também foi mudada de lugar, já que a posição anterior, na saída da Mike Knight, provocava muitos acidentes, passando a ser antes da entrada da curva. 

Passando por dificuldades financeiras, o circuito foi colocado em “reabilitação civil”, o equivalente ao processo de recuperação judicial e foi comprado em 2004 pela Unimat Corporation, empresa que fabricava máquinas de café e patrocinava a equipe Arrows em algumas corridas. 

Em maio de 2005, o circuito mudou de nome para Okayama International Circuit e começou a atrair séries internacionais, como a Touring Car, que começou a usar a pista em 2008. Ainda assim, o isolamento da pista era um fator importante, mesmo com as estradas da região sendo melhoradas durante os anos. 

O circuito só passou a ser mais utilizado em 2012, quando foi vendido para a Aska Corporation, fabricante de peças de automóveis, que focou nas competições nacionais, como a Super Taikyu Series, Super GT e Formula Nippon, além All Japan Road Racing Championship de motociclismo, o que causou uma mudança no traçado, realizada em 2020, colocando uma chicane antes da Curva Williams. Além dessa mudança, a proteção do lado de fora da curva Moss foi retirada para a criação de uma área de escape. 

O circuito só recebeu duas corridas, vencidas por Michael Schumacher. Gerhard Berger e Rubens Barrichello fizeram companhia para o piloto alemão no pódio na corrida de 1994, com as Williams de David Coulthard e Damon Hill subindo no pódio na prova de 1995. 

Michael Schumacher festeja a conquista do bicampeonato, conseguido depois da vitória na corrida de 1995, tornando- se o mais jovem a conseguir o feito. – Foto: reprodução

Entre os pilotos da casa, Aguri Suzuki e Ukyo Katayama estavam presentes na corrida de 1994, mas os dois não completaram a prova. Taki Inoue se juntou aos dois na corrida de 1995, com Katayama sendo o único a terminar a prova, chegando em 14º. Katsumi Yamamoto e Hideki Noda tentaram participar da prova, mas não puderam competir por falta da superlicença.

Ukyo Katayama foi o único piloto japonês a completar uma corrida no circuito, chegando em 14º em 1995, um feito para quem só completou quatro das dezesseis corridas disputadas naquela temporada. – Foto: reprodução

Entre os brasileiros, Ayrton Senna, Christian Fittipaldi e Rubens Barrichello foram os representantes do país na corrida de 1994, com Barrichello chegando em 3º e conquistando seu primeiro pódio na F1. Em 1995, Rubens foi o único brasileiro na prova, abandonando na volta 67. 

Rubens Barrichello comemora seu primeiro pódio na F1, ao chegar em terceiro na corrida de 1994. – Foto: reprodução
Leia mais: SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Zandvoort

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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