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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Baku

Com uma história recente no automobilismo, Baku começa a investir em corridas, a F1 invade as ruas do Azerbaijão para uma corrida com o traçado reformulado

Ficha técnica

Nome do circuito: Baku Street Circuit

Comprimento da pista: 6,003 km

Número de voltas: 51

Distância total: 306,049 km

Recorde da pista: 1:43.009, Charles Leclerc (2019)

Primeira corrida na F1: 2016

O Azerbaijão, vem se desenvolvendo economicamente, muito em razão da riqueza do país, um grande exportador de petróleo e por sua independência da União Soviética, que aconteceu em 1991. Para mostrar esse crescimento, o governo fez um acordo em junho de 2012, com os antigos promotores das corridas de rua de GT de Bucareste e de Hungaroring, para trazer uma corrida no estilo “City Challenge” nas ruas de Baku e assim promover a cidade.

A parte antiga da cidade se mistura com a modernidade dos novos prédios, com o mar Cáspio banhando a cidade. – Foto: reprodução

As corridas de GT3 seriam realizadas em um circuito de rua, que passaria pela Government House, sede do governo, com os boxes e a linha de largada/chegada ficando na Freedom Square.

Government House, um dos principais pontos turísticos e que fazia parte do traçado. – Foto: reprodução

O projeto foi anunciado em agosto, durante as 24 de Spa e já apresentava um desafio. Marcada para o final de outubro, Baku tinha três meses para deixar tudo pronto. Por se tratar de um circuito de rua, o traçado seria delimitado por 1.540 blocos de concreto, cada um pesando pelo menos 3.5 toneladas. O desafio não era somente dispor os blocos pelo traçado, mas também produzir todo esse material, que só passou a ser transportado para o centro da cidade durante a noite no dia 12 de outubro. No dia 25 de outubro, um dia antes do primeiro treino, a pista ficou pronta.

O traçado era formado por muitas curvas de 90º graus, algumas sendo feitas em primeira marcha, o que desagradou aos pilotos.

Primeiro traçado de Baku, que girava em torno da Government House e que foi mudado devido ao trânsito que se formava na região. -Foto: reprodução

Para as 42 mil que apareceram nos dois dias de evento e que não estavam acostumadas a ver corridas na cidade, a experiência foi maravilhosa e o evento foi considerado um sucesso. A corrida de uma hora da City Challenge GT foi vencida por dupla da Hexis McLaren Frédéric Makowiecki e Stef Dusseldorp. No mesmo dia, uma corrida com single seaters foi vencida por Marijn van Kalmthout, com a Benetton B197.

Largada da City Challenge, primeira corrida disputada em Baku, em 2012. – Foto: reprodução
Frédéric Makowiecki e Stef Dusseldorp, com a Hexis McLaren foram os vencedores, na corrida que contou ainda com a presença de Jos Verstappen. Foto: reprodução

A única coisa que não deu certo no evento foi o congestionamento que o fechamento das principais vias no centro da cidade causou. Por conta disso, os promotores decidiram alterar o traçado para a corrida de 2013, que passou a usar as avenidas mais largas que passavam em frente à orla. Os boxes também mudaram de lugar, indo para o Crystal Hall, que no ano anterior tinha abrigado o 2012 Eurovision Song Contest, famoso festival europeu. Com isso, o comprimento do traçado quase dobrou, passando de 2,144 km para 4,380 km.

Traçado usado em 2013, que desafogou um pouco o trânsito e ainda criou um traçado mais desafiador para os pilotos.- Foto: reprodução

A prova, que foi a última etapa da Blancpain GT Sprint Series, também contou com novos promotores, com o ex-piloto de F1 Thierry Boutsen se juntando com o organizador das 24 Horas de Spa Jean-François Chaumont e com Renaud Jeanfils. No entanto, a falta de preparo para receber eventos automobilísticos ficou evidente quando, ao chegar ao circuito no sábado de manhã, os pilotos se depararam com uma pista que tinha sido lavada no dia anterior, retirando assim a linha de corrida feita nos treinos. E para piorar a situação, o frio fez com que a pista ficasse muito escorregadia e os pilotos tiveram que esperar para competir. Se isso não tivesse sido o bastante, os oficiais repetiram o processo no sábado à noite, dessa vez usando água e sabão ao invés de jatos de alta pressão. E não acabou por aí. Uma falha no gerador deixou os boxes e o controle da corrida sem energia, atrasando ainda mais a prova, que no final foi vencida pela WRT Audi R8 de Stéphane Ortelli e de Laurens Vanthoor.

Stéphane Ortelli e Laurens Vanthoor foram os vencedores da Blancpain GT Sprint Series, em 2013. – Foto: reprodução

Para a corrida de 2014, o traçado foi mais uma vez alterado, com a retirada da área da “Bus Stop”, que era considerada lenta e também da chicane da curva 15, já que os pilotos passavam reto por ela. O hairpin também foi modificado e teve seu tamanho reduzido. A pista passou a ter 3,890 km de extensão e ganhou elogios dos pilotos por ser desafiadora.

Para 2014, a parte do “Bus Stop”foi retirada, além de algumas outras alterações. -Fonte: reprodução.

Começando com a GT para ganhar experiência, o governo de Baku viu que já estava preparado para o próximo passo: a F1. Um acordo foi assinado ainda em 2014 e com isso, todos os olhos se voltaram para a categoria máxima, deixando a GT de lado, que fez em 2014 sua última corrida na pista.

Apesar de aprovado pelos pilotos, o traçado que seria usado na F1 não era o mesmo que foi usado pela GT. Como na maioria dos circuitos, Hermann Tilke foi o responsável por redesenhar o traçado de Baku, recebendo a instrução de passar pelo maior número de pontos turísticos possíveis, já que a corrida também serviria para alavancar o turismo ao mostrar a beleza da cidade. Assim como era no primeiro traçado, a área dos boxes retornou para a área da Government House e também ganhou em extensão, passando a ter 6,003 km.

Traçado feito por Hermann Tilke, que passa por vários pontos turísticos de Baku. – Foto: reprodução
Curva do castelo, uma das mais apertadas do circuito. – Foto: reprodução
Pista de Baku, que passa por pontos turísticos da cidade. – Foto: reprodução
Boxes foram construídos em frente ao Government Hall, sede do governo. – Foto: reprodução

A primeira corrida da F1 em Baku aconteceu no dia 19 de junho de 2016, sob o nome de GP da Europa e contou com um Grand Chelem de Nico Rosberg, com Sebastian Vettel e Sergio Perez completando o pódio.

Nico Rosberg conseguiu um Grand Chelem em 2016, na corrida inaugural da F1 no Azerbaijão, quando ainda era GP da Europa. – Foto: reprodução.

E a corrida de 2017 quase viu a quebra de um recorde. Com 18 anos, 7 meses e 27 dias, Lance Stroll ficou há uma semana de igualar Max Verstappen como o mais jovem piloto a conquistar um pódio, fazendo apenas sua 8ª corrida na F1.

Lance Stroll comemora o 3º lugar no GP do Azerbaijão de 2017 fazendo um shoey com o vencedor Daniel Ricciardo. Com o resultado, Stroll se tornou o segundo piloto mais jovem a conseguir um pódio na F1. – Foto: reprodução

Já a prova de 2018 foi marcada por uma disputa interna na Red Bull. Quando estavam disputando a quarta colocação na corrida, Ricciardo não conseguiu desviar de Verstappen e acertou a traseira do carro de seu companheiro de equipe, eliminando os dois da prova.

Acidente entre Daniel Ricciardo e Max Verstappen na corrida de 2018, que tirou os dois carros da prova. – Foto: reprodução

Melhor para Brendon Hartley, que chegando em 10º com sua Toro Rosso, marcou seu primeiro ponto na F1 e foi o primeiro neozelandês a pontuar desde 1976, com Chris Amon. A corrida também marcou os primeiros pontos na categoria de Charles Leclerc. O último piloto monegasco a marcar pontos na F1 foi Louis Chiron, em 1950.

Com um sexto lugar na corrida de 2018, Charles Leclerc se tornou o primeiro piloto monegasco a pontuar desde Louis Chiron, em 1950. – Foto: reprodução

Até agora, as quatro provas realizadas tiveram quatro vencedores diferentes. Nico Rosberg foi o primeiro a subir no degrau mais alto do pódio, com Daniel Ricciardo, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas vencendo as corridas seguintes. Já em número de pódios, quatro pilotos estão empatados no topo da tabela. Sérgio Perez, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Valtteri Bottas têm dois pódios cada um.

O Azerbaijão não tem tradição no automobilismo e poucos pilotos se aventuraram além do kart. O que tem mais vitórias e número de corridas disputadas é Gulhuseyn Abdullayev, que disputou 43 corridas em sua carreira e tem duas vitórias na Formula Gulf 1000, em 2016. Ele também disputou corridas na Euroformula Open em 2016 e na SMP F4 NEZ, em 2017.

Gulhuseyn Abdullayev (centro) é o piloto que tem mais corridas realizadas e vitórias pelo Azerbaijão, país que ainda não tem tradição no automobilismo. – Foto: reprodução

Em 2016, para a ocasião da primeira corrida de F1 no país, Abdullayev fez um test drive pelo circuito.

Depois de não receber a etapa de 2020, devido à pandemia de Covid, Baku confirmou a corrida em 2021, que vai ser realizada sem a presença do público.

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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