A Fórmula 1 retorna nesta semana para disputar o GP da Bélgica como 10ª etapa da temporada 2026. Novamente o circuito será a penúltima rodada, antes da pausa para as férias de verão.
Diferente da corrida de 2025 que a categoria optou por organizar um evento Sprint neste traçado, em 2026 será o formato tradicional que contemplará a rodada, desta forma as equipes contam com três treinos livres para preparar os seus carros. A classificação marca o final das atividades de sábado, enquanto a corrida acontecerá no domingo.
O CAMPEONATO
Andrea Kimi Antonelli chega ao GP da Bélgica na liderança do Campeonato Mundial de Pilotos. O italiano soma 179 pontos e manteve a ponta da tabela mesmo após um fim de semana discreto em Silverstone, onde marcou apenas os pontos obtidos na corrida Sprint.
George Russell, por outro lado, ganhou terreno na disputa ao terminar a prova principal na terceira colocação. O resultado reduziu a diferença para o companheiro de equipe para 25 pontos. Na sequência da classificação aparecem Lewis Hamilton, que alcançou os 147 pontos após subir ao pódio diante da torcida britânica, e Charles Leclerc, vencedor do GP da Grã-Bretanha, com 108. Lando Norris ocupa a quinta posição, com 97 pontos, enquanto Oscar Piastri fecha o grupo dos seis primeiros, com 82.
O Mundial de Construtores é liderado pela Mercedes com seus 333 pontos, na sequência aparece a Ferrari com 255 pontos, contra 179 da McLaren, 128 da Red Bull e 60 da Alpine. A disputa no meio do pelotão segue acirrada com a Racing Bulls, já que a equipe italiana conta com 59 pontos.

A PISTA
Apesar de seguir como um dos palcos mais tradicionais da Fórmula 1, Spa-Francorchamps deixará de integrar o calendário anual da categoria. A partir do novo acordo firmado com a Fórmula 1, o circuito belga passará a alternar sua presença com Barcelona-Catalunha. Assim, receberá a categoria nos anos ímpares, enquanto o outro traçado fica encarregado dos eventos nos anos pares.
Spa-Francorchamps faz parte da história da Fórmula 1 desde a temporada inaugural, em 1950, embora o circuito belga já recebesse competições automobilísticas muito antes da criação da categoria. O traçado original era significativamente mais longo, com cerca de 14,1 quilômetros, utilizando estradas abertas entre as cidades de Spa, Francorchamps e Malmedy. Ao longo das décadas, passou por diversas reformulações em busca de maior segurança, até chegar ao desenho atual, com 7,004 km, sem perder a essência que o transformou em um dos circuitos mais emblemáticos do automobilismo mundial.
Até hoje, Spa continua sendo a pista mais longa do calendário da Fórmula 1. Por essa razão, o Grande Prêmio da Bélgica é disputado em apenas 44 voltas, o menor número de giros da temporada. Apesar disso, a corrida está longe de ser menos exigente. Aproximadamente 80% da volta é percorrida com o acelerador totalmente acionado, tornando a etapa uma das mais severas para as unidades de potência e para o consumo de combustível.

A largada também costuma reservar momentos decisivos. A distância entre a linha de partida e a primeira freada, na curva La Source, é de aproximadamente 150 metros, uma das menores do campeonato. Apenas Baku e Las Vegas apresentam um trecho ainda mais curto até a primeira curva, fator que aumenta as chances de disputas intensas e incidentes logo nos primeiros metros.
Um dos maiores desafios do circuito está justamente no trecho entre a saída de La Source e a freada para Les Combes. São cerca de 23 segundos de aceleração plena, passando pela icônica sequência Eau Rouge e Raidillon antes de alcançar a longa reta Kemmel. Qualquer erro nesse setor compromete praticamente toda a volta, especialmente durante a classificação, quando cada milésimo de segundo faz diferença.
A famosa combinação Eau Rouge/Raidillon continua sendo uma das curvas mais desafiadoras da Fórmula 1, mesmo após as modificações realizadas em 2022 para ampliar as áreas de escape e reforçar a segurança. Percorrida em altíssima velocidade e com uma mudança brusca de elevação, ela exige precisão absoluta dos pilotos e total confiança no comportamento do carro.
Encontrar o acerto ideal para Spa também é uma tarefa complexa para as equipes. O primeiro setor privilegia velocidade máxima e eficiência aerodinâmica nas retas, enquanto o segundo exige estabilidade em curvas rápidas e mudanças constantes de direção. Já o terceiro combina curvas de média velocidade e uma subida gradual até a linha de chegada. Conciliar essas características tão distintas normalmente obriga os engenheiros a buscar um delicado equilíbrio entre carga aerodinâmica e velocidade final.
Uma configuração com asas menores favorece o desempenho nas longas retas e amplia as oportunidades de ultrapassagem, mas reduz a aderência nas curvas de alta velocidade. Em contrapartida, um carro com maior carga aerodinâmica ganha estabilidade nos trechos sinuosos, porém perde velocidade máxima. Além disso, Spa costuma registrar um dos maiores níveis de desgaste de pneus da temporada, consequência das elevadas cargas laterais e das constantes variações de velocidade ao longo dos mais de sete quilômetros do circuito.
Do ponto de vista das unidades de potência, Spa apresenta um desafio semelhante ao de Silverstone. Os longos períodos em aceleração máxima exigem eficiência do motor, enquanto as diferentes características dos três setores obrigam as equipes a encontrar um compromisso que funcione em todo o traçado. Soma-se a isso o forte efeito do vácuo na reta Kemmel, especialmente nas primeiras voltas, quando vários carros permanecem agrupados, tornando a estratégia e o posicionamento na pista fatores determinantes para o resultado final.
OS PNEUS
Para o Grande Prêmio da Bélgica, a Pirelli escolheu a faixa intermediária de compostos da sua gama: C2 como pneu duro (faixa branca), C3 como médio (faixa amarela) e C4 como macio (faixa vermelha). A seleção representa uma mudança em relação ao ano passado, quando a fabricante italiana optou por “pular” o C4 e levou os compostos C2, C3 e C5, buscando ampliar as possibilidades estratégicas e incentivar diferentes abordagens durante a corrida.
A escolha para 2026 acompanha as características de Spa-Francorchamps, um dos circuitos mais exigentes do calendário para os pneus. Com 7,004 km de extensão, o traçado belga impõe elevadas cargas laterais, longos períodos em aceleração máxima e mudanças constantes de direção. Em termos de desgaste, apenas Silverstone e Suzuka representam um desafio maior para os compostos ao longo da temporada.
Outro fator que influencia diretamente o comportamento dos pneus é o asfalto de Spa. Recapeado recentemente, o circuito costuma apresentar baixo nível de aderência nas primeiras sessões do fim de semana, exigindo um processo gradual de evolução da pista à medida que mais borracha é depositada sobre o traçado. Neste ano, porém, as equipes podem encontrar uma superfície um pouco mais emborrachada graças à realização das 24 Horas de Spa no fim de semana anterior, o que pode acelerar essa evolução desde os primeiros treinos livres.
Além do desgaste natural, as equipes precisarão lidar com outro elemento tradicional da etapa belga: a imprevisibilidade do clima. A previsão de chuva aumenta a possibilidade de alternância entre pneus de pista seca e compostos para piso molhado, tornando o gerenciamento dos pneus e o momento das paradas nos boxes fatores decisivos para o resultado da corrida. Em um circuito onde as condições podem mudar de um setor para outro, encontrar rapidamente a janela ideal de funcionamento dos compostos costuma ser um dos maiores desafios do fim de semana.

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