ColunistasDestaquesFórmula 1Post

Pirelli define pneus para Spa e chuva promete ampliar o desafio estratégico no GP da Bélgica

Pirelli leva compostos C2, C3 e C4 para a etapa belga, enquanto previsão de pista molhada pode colocar em prática os protocolos Rain Hazard e Low Grip Condition introduzidos em 2026.

A Fórmula 1 chega neste fim de semana para disputar o GP da Bélgica no Circuito de Spa-Francorchamps. Desta vez a categoria enfrentará uma corrida em formato convencional, diferente do evento Sprint realizado no último ano.

A Pirelli optou por alocar os pneus da gama intermediária, formada pelos compostos C2 (duro – faixa branca), C3 (médio – faixa amarela) e C4 (macio – faixa vermelha). A pista é a mais longa da temporada, com mais de sete quilômetros, e, em termos de desgaste dos pneus, só perde para Silverstone e Suzuka.

Preview do GP da Bélgica – Foto: divulgação Pirelli

Em 2025, foram usados os pneus C5, quando optaram por pular o C4, em busca de ampliar as estratégias para prova e contar com uma corrida mais dinâmica.

O ponto mais emblemático de Spa-Francorchamps continua sendo a sequência formada pela Eau Rouge e o Raidillon. O trecho combina mudanças bruscas de direção com uma forte subida, exigindo precisão dos pilotos antes da longa reta Kemmel. Para aumentar a segurança em condições de chuva, essa área recebeu sulcos especiais no asfalto, projetados para melhorar o escoamento da água e reduzir os problemas de visibilidade causados pelo spray.

O circuito também passou por um recapeamento completo nos últimos anos e, por isso, costuma apresentar pouca aderência nas primeiras sessões do fim de semana. No entanto, a situação tende a evoluir rapidamente conforme mais carros vão à pista. Neste ano, a realização das tradicionais 24 Horas de Spa no fim de semana anterior pode contribuir para um asfalto mais emborrachado desde os primeiros treinos.

Outro desafio característico de Spa está na variedade de seus setores. O primeiro é o mais veloz, concentrando a longa reta Kemmel e os principais pontos de ultrapassagem. O segundo reúne curvas de média velocidade, com várias mudanças de elevação e trechos em descida que exigem equilíbrio do carro. Já o setor final é marcado por curvas de alta velocidade percorridas em leve aclive, obrigando as equipes a encontrar um compromisso de acerto que funcione ao longo de toda a volta.

A chuva pode novamente fazer parte do GP da Bélgica e desta forma a categoria já está atenta para possibilidade de acionar o protocolo de Alerta de Chuva. Em Miami, por conta da previsão que apontava o mau tempo para o horário da largada, optaram por antecipar a largada, a fim de evitar adiamentos e até mesmo o cancelamento da corrida.

A previsão do tempo aponta chance de chuva em 65% para sexta-feira e sábado e uma garoa para corrida do domingo no Circuito de Spa-Francorchamps. Por conta da localização da pista, existe a possibilidade de a visibilidade ser comprometida.

A possibilidade de chuva em Spa-Francorchamps também coloca em evidência as mudanças implementadas pela Federação Internacional do Automobilismo (FIA) para a temporada de 2026. Neste ano, a entidade introduziu o protocolo de Alerta de Chuva (Rain Hazard), que flexibiliza algumas das restrições do parque fechado quando há previsão significativa de pista molhada. Com isso, as equipes passam a ter autorização para realizar determinados ajustes técnicos nos carros antes da largada, reduzindo o risco de competir com um acerto inadequado para as condições climáticas.

Entre as alterações permitidas estão mudanças na altura do carro em relação ao solo e em configurações da aerodinâmica ativa, adaptações que ajudam a preservar o assoalho e evitam desgastes excessivos da prancha, um fator que pode resultar até mesmo na desclassificação de um piloto após a corrida. A medida busca dar mais flexibilidade às equipes diante de mudanças repentinas no clima, algo bastante comum em circuitos como Spa-Francorchamps.

Além disso, a FIA também criou o protocolo de baixa aderência (Low Grip Condition), que modifica o funcionamento da aerodinâmica ativa em condições de pouca aderência e restringe o uso do modo de potência extra do sistema híbrido (Boost Mode), diminuindo o risco de perda de controle em piso molhado. A entidade ainda elevou a temperatura dos cobertores dos pneus intermediários para melhorar o desempenho logo na saída dos boxes e simplificou o sistema de iluminação dos carros, facilitando a identificação dos competidores em situações de baixa visibilidade. Essas medidas devem ganhar protagonismo caso a previsão de chuva se confirme para o fim de semana na Bélgica.

De certa forma os pilotos estão apreensivos com a possibilidade de correr na chuva, já que os carros atuais não passam tanta confiança quando o quesito é aderência. Além disso, os pneus para essas condições, não contribuem muito com a drenagem e afetam a visibilidade dos pilotos, por conta do spray.

Em 2025

A edição de 2025 do Grande Prêmio da Bélgica foi marcada pelas condições climáticas adversas. A forte chuva e a baixa visibilidade impediram a largada no horário previsto, obrigando a direção de prova a interromper o procedimento inicial com bandeira vermelha. Após mais de uma hora de espera, a corrida foi iniciada atrás do Safety Car e só teve bandeira verde depois de quatro voltas, quando a pista começou a apresentar melhores condições.

Estretégia de pneus durante o GP da Bélgica de 2025 – Foto: divulgação Pirelli

A estratégia de pneus foi decisiva para o resultado. Todos os pilotos largaram com compostos intermediários, mas a rápida secagem do asfalto antecipou a troca para pneus slick. Lewis Hamilton foi o primeiro a apostar nos pneus de pista seca, enquanto a McLaren dividiu suas estratégias ao colocar Lando Norris com pneus duros e Oscar Piastri com médios.

A equipe britânica acertou na leitura da corrida e garantiu uma dobradinha, com vitória de Piastri e segundo lugar de Norris, enquanto Charles Leclerc completou o pódio pela Ferrari. Apesar das diferentes estratégias, as ultrapassagens seguiram difíceis em Spa-Francorchamps, reforçando a importância da gestão dos pneus e do momento correto para as paradas nos boxes.

Programação do GP de Bélgica – Horários – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo