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Haas vê evolução no VF-26 apesar da sequência sem pontos

Bearman elogia melhorias na dirigibilidade do carro, Ocon cobra solução para problemas recorrentes e Komatsu admite limitações estruturais do projeto da Haas

A Haas deixou o GP da Bélgica sem pontos pela quarta corrida consecutiva, mas saiu de Spa-Francorchamps com a sensação de que parte do trabalho de desenvolvimento do VF-26 começa a dar resultado. Apesar de Oliver Bearman e Esteban Ocon terminarem apenas em 14º e 17º, respectivamente, a equipe identificou avanços na dirigibilidade do carro e acredita que o circuito de Hungaroring pode oferecer um cenário mais favorável.

O fim de semana, entretanto, começou a se complicar ainda na primeira volta da corrida. Bearman e Ocon largaram em 14º e 16º, após herdarem posições devido às punições aplicadas a outros pilotos, mas um toque entre os dois comprometeu completamente a estratégia da equipe.

Ambos sofreram furos nos pneus e precisaram antecipar suas paradas nos boxes. A entrada do Safety Car, provocada pelo abandono de George Russell logo na volta inicial, reduziu parte do prejuízo, mas não foi suficiente para recolocar os carros na disputa pelos pontos.

Além dos incidentes na corrida, a Haas também sofreu durante todo o fim de semana com um problema já conhecido, resultado da falta de carga aerodinâmica na traseira do VF-26. Em Spa, a situação foi agravada por dificuldades na entrega de potência, tornando o carro ainda menos competitivo.

Apesar do resultado discreto, Oliver Bearman destacou um aspecto positivo do fim de semana. Segundo o britânico, a nova asa dianteira introduzida pela Haas melhorou significativamente o comportamento do carro, tornando-o mais previsível e fácil de pilotar.

“Tivemos um ritmo decente. Estávamos um passo à frente em relação à Williams, o que não era bem o caso no ritmo de corrida em Silverstone, e parece que diminuímos um pouco a diferença para a Audi. Eu estava mais ou menos no mesmo ritmo do Nico [Hulkenberg] durante a maior parte do último trecho.”

“Isso mostra que estamos em uma situação melhor, e o lado positivo é que o carro está muito mais agradável de pilotar. Posso confiar mais nele, posso levá-lo ao limite e cometer menos erros, porque ele está muito mais consistente, e isso é ótimo.”

“Mas ainda precisamos encontrar mais desempenho. O lado bom é que as características já foram definidas e agora só precisamos de mais downforce.”

Enquanto Bearman enxergou progresso, Esteban Ocon voltou a demonstrar frustração com os problemas que vêm acompanhando sua temporada.

Segundo o francês, apenas as etapas de Silverstone e Suzuka representaram fins de semana em que o carro entregou seu potencial real. Desde então, a equipe enfrenta dificuldades para compreender uma inconsistência que compromete o desempenho do VF-26.

“Silverstone e Japão foram os dois lugares onde tivemos um desempenho normal do carro. Estamos analisando a situação com os engenheiros, e tem sido muito, muito difícil. Precisamos entender o máximo possível, e até agora está sendo bastante difícil controlar tudo. Temos um déficit enorme; parece que não conseguimos fazer nada.”

“É óbvio que a decepção aumenta conforme o fim de semana avança e os problemas começam a aparecer. Mas confio que a equipe vai resolvê-los. Em algum momento, vamos conseguir controlar a situação. No momento, eles estão nos prejudicando bastante, sem dúvida.”

O chefe da Haas, Ayao Komatsu, reconheceu que os principais problemas do VF-26 existem desde o início da temporada e não estão relacionados às atualizações mais recentes.

Segundo o dirigente, o pacote introduzido em Montreal atingiu os objetivos previstos, mas o comportamento do carro continua limitando o aproveitamento da carga aerodinâmica gerada.

“Trouxemos novas peças em Montreal. Elas corresponderam, em grande parte, às nossas expectativas. Os problemas que temos, quando falamos de desempenho abaixo do esperado, não estão relacionados ao pacote atualizado. Eles vêm da primeira corrida, dos testes no Bahrein. Portanto, isso não mudou.”

“Acho que as melhorias trouxeram o desempenho desejado, mas a questão é outra: as características. O downforce em si está presente. Mas será que é o downforce correto?”

 

“Na verdade, não. Depende do circuito. Por exemplo, se você observar as duas primeiras corridas em que tivemos um bom desempenho, Melbourne e Xangai, isso meio que favoreceu os pontos fortes do nosso carro e mascarou as nossas fraquezas.”

“Depois, em corridas como Miami, as fragilidades começaram a aparecer. Mas nas corridas mais recentes, nosso entendimento melhorou bastante. Eu não diria que as atualizações não deram resultado. É apenas uma questão de características fundamentais de dirigibilidade que tínhamos neste carro, que não eram evidentes nas duas primeiras corridas, mas começaram a ficar claras na quinta corrida.”

Para Komatsu, esse processo também representa um aprendizado interno para a Haas, que deseja nas próximas temporadas identificar o mais cedo possível os problemas e as questões relacionadas ao carro, para definir o seu processo de evolução.

“Gostaríamos de melhorar a equipe para que, no futuro, possamos descobrir na primeira corrida ou nos testes de pré-temporada as coisas que encontrarmos na quinta corrida. Mas esse é o processo para melhorar a equipe.”

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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