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F1: Sainz quer regra mais dura para pilotos que causam bandeiras vermelhas na classificação

Presidente da GPDA acredita que pilotos que provoquem interrupções durante a classificação deveriam perder posições no grid para evitar que incidentes prejudiquem os rivais e influenciem o resultado das sessões

Calos Sainz tem compartilhado algumas ideias sobre a Fórmula 1, a mais recente envolve a punição para pilotos que provocam interrupção, prejudicando o ritmo da classificação. O presidente da Associação de pilotos de F1 (GPDA), tem observado esse ponto específico com atenção.

O assunto de punir pilotos que provocam bandeiras amarelas ou vermelhas em uma classificação, sempre é retomado. Basta algum episódio e pilotos que se sentem lesados, para que novamente os competidores sejam perguntados sobre essa questão.

Embora o piloto que provoque uma bandeira amarela ou um acidente durante a classificação já acabe sendo naturalmente prejudicado, ainda persiste a sensação de que uma penalidade adicional poderia ser aplicada, como uma perda de posições no grid de largada.

“Acho que qualquer piloto que provoque uma bandeira amarela ou vermelha na classificação deveria receber uma punição de três posições no grid. Assim, pelo menos haveria uma penalização e um desestímulo para atacar no limite em determinadas situações”, propôs Sainz durante a coletiva de imprensa do GP da Grã-Bretanha. “Esse não foi o caso do Max, porque ele era o terceiro colocado. Obviamente, ele bateu por causa de uma falha ou algo do tipo”,

“Mas acho que precisamos encontrar uma solução para isso. Minha única ideia é que, se você causar uma bandeira amarela ou vermelha, deveria receber algum tipo de punição. Se você vai com tudo, exagera e acaba impedindo que os outros melhorem suas voltas, está conquistando a posição justamente por não permitir que os demais façam um trabalho melhor do que o seu, mesmo que isso não seja intencional”, continuou.

“Se você acelerar a todo vapor mas for longe demais e não deixar que os outros melhorem, você está ganhando uma posição ao impedir que os outros tenham um desempenho melhor do que o seu. Mesmo que não seja intencional.”

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O debate surgiu mais uma vez, por conta da batida de Max Verstappen na classificação da Áustria. Na ocasião, George Russell faturou a pole melhorando o seu tempo, após tirar o pé brevemente do acelerador, quando passava sobre o trecho do acidente com bandeira amarela simples.

Andrea Kimi Antonelli que também buscava melhorar o seu tempo, abortou a volta rápida por conta do acidente.

“Para mim, está claro que aquela situação deveria ter resultado em bandeira amarela dupla ou bandeira vermelha. A forma como George lidou com aquilo foi perfeita, dentro do que o regulamento permite. Ele mereceu a pole, porque utilizou as regras de forma impecável, mas ele nunca deveria ter sido autorizado a completar aquela volta em uma situação tão perigosa”, começou o espanhol.

A pauta acidente e pilotos que melhorem as voltas, também é um ponto recorrente nas discussões da Fórmula 1. Com um acidente na pista, é esperado que os pilotos desacelerem, pois se a escapada aconteceu por um fator relacionado ao asfalto, trecho escorregadio, detritos, etc… o ideal é que os competidores que estão atrás andem mais devagar, para evitar um novo acidente.

No entanto, também existe o ponto sobre provar que o piloto reduziu a velocidade no trecho do acidente, que é comprovado por meio da telemetria. Porém, o acidente de Verstappen e a volta rápida de Russell na Áustria abriu um precedente do que foi correto e daquilo que o texto do regulamento fala.

“Se o Max tivesse feito a pole na primeira tentativa, depois provocasse aquele acidente e viesse uma bandeira vermelha que impedisse qualquer melhora de tempo, isso seria injusto com George, Kimi [Antonelli] e todos os demais, porque o piloto que está na pole acaba impedindo que os outros melhorem suas voltas”, continuou.

O caso de Verstappen, no entanto, era diferente, já que o holandês não ocupava a pole position quando sofreu o acidente. Ainda assim, Sainz recorreu a outros exemplos para sustentar seu argumento. O espanhol citou a classificação do GP do Azerbaijão de 2025, quando colocou sua Williams provisoriamente na pole, mas acabou superado por Verstappen nos instantes finais. Além disso, mencionou as frequentes interrupções nas classificações de Mônaco, tradicionalmente marcadas por bandeiras amarelas e vermelhas nos minutos decisivos.

“É como normalmente acontece em Mônaco. Eu poderia ter feito isso no ano passado, em Baku, quando estava na pole e fui o primeiro a sair dos boxes. Pensei: ‘Se eu bater agora, fico com a pole’. Todos nós temos esses pensamentos e pensamos nisso em algum momento. Nós sabemos como o regulamento funciona”, confessou.

Sainz também mencionou o hábito das equipes e pilotos, esperarem até o final do Q3 para pegar uma pista melhor e mais evoluída, mas é por conta do volume de carros na pista que os erros acontecem. A sugestão de Carlos é as liberações aconteçam ainda quando a pista é liberada, para evitar esses problemas.

“Temos dez minutos para completar a volta. Por que todos deixamos para a última tentativa? Por que não saímos todos quando ainda faltam oito minutos, registramos nossa volta e garantimos que uma bandeira vermelha não atrapalhe? Esse seria um argumento perfeitamente válido para dizer que não é necessária uma punição por provocar uma bandeira vermelha”, falou.

Sainz não citou nenhum caso em específico, mas também deixou no ar a possibilidade daqueles pilotos que provocam bandeira vermelhas de forma proposital, mas essa seria uma questão mais difícil de avaliar.

“Mas já vi isso acontecer muitas vezes, especialmente em circuitos como Baku e Mônaco. Os pilotos acabam provocando bandeiras amarelas no Q1, no Q2 e no Q3. É impossível para os comissários, a menos que você seja um ex-F1 muito experiente, saber exatamente como essas situações acontecem. Para mim, isso mostra que precisamos encontrar uma solução”, acrescentou, revelando ainda já “ter visto várias vezes” bandeiras propositais.

“Vocês [a mídia, o público] também já viram em Mônaco. O problema é que nunca dá para saber com certeza o que aconteceu, mas esse tipo de situação existe”, completou.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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