Neste domingo a Fórmula 1 disputará o GP da Hungria, última prova antes das férias de verão da categoria. Se no ano passado a McLaren dominava o campeonato, em 2026 é Andrea Kimi Antonelli que comanda a ponta da tabela.
Andrea Kimi Antonelli tem dominado a temporada, embalado pela vitória no GP da Bélgica, a sexta do ano, o piloto da Mercedes ampliou sua vantagem e agora soma 204 pontos. Na sequência aparece Lewis Hamilton, que, mesmo prejudicado por uma punição de cinco segundos em Spa-Francorchamps, conseguiu minimizar os danos com um quarto lugar e retomou a vice-liderança do Mundial, alcançando 159 pontos.
George Russell, por sua vez, vive um momento mais instável. O britânico abandonou a corrida belga ainda na primeira volta após um incidente com Hamilton, permanecendo com 154 pontos. A combinação entre resultados irregulares e a dificuldade da Mercedes em resolver problemas de velocidade em reta tem reduzido suas chances de acompanhar Antonelli na disputa pelo título.
Fechando o grupo dos quatro primeiros colocados está Charles Leclerc. O piloto da Ferrari soma 126 pontos e chegou a alimentar a esperança de lutar pela vitória na Bélgica ao assumir a liderança durante a sequência de pit-stops. No entanto, o ritmo superior de Antonelli prevaleceu, obrigando o monegasco a se contentar com mais um pódio e reforçando o desafio que a Ferrari ainda enfrenta para bater a Mercedes em condições normais de corrida.
Lando Norris ocupa a quinta colocação no Mundial de Pilotos com 103 pontos. O atual campeão de 2025 protagonizou uma corrida de recuperação na Bélgica após largar mais atrás do grid e cruzou a linha de chegada em sétimo. O resultado, no entanto, poderia ter sido ainda melhor se a McLaren não tivesse perdido tempo com um pit-stop problemático durante a prova.
Logo atrás aparece Oscar Piastri, sexto colocado no campeonato com 92 pontos, apenas um à frente de Max Verstappen. O piloto da Red Bull chegou ao seu terceiro pódio da temporada em Spa-Francorchamps e reduziu a diferença para o australiano, mantendo viva a disputa pelas primeiras posições da classificação.
O Circuito e os pneus usados no Hungaroring
O Grande Prêmio da Hungria integra o calendário da Fórmula 1 desde 1986 e, ao longo de quatro décadas, consolidou-se como uma das etapas mais tradicionais da categoria. Nem mesmo a pandemia de Covid-19 interrompeu essa sequência, já que Hungaroring permaneceu no campeonato em 2020
Com 4.381 km de extensão e 14 curvas — seis para a esquerda e oito para a direita —, Hungaroring é conhecido pelo traçado estreito e sinuoso, frequentemente comparado a um kartódromo. A pista exige um carro muito equilibrado nas rápidas mudanças de direção e oferece poucas oportunidades de ultrapassagem, tornando a classificação um fator decisivo para o resultado da corrida.

Um dos maiores desafios do circuito está na refrigeração dos freios. Como a velocidade média é relativamente baixa para os padrões da Fórmula 1, o fluxo de ar destinado ao resfriamento do sistema é reduzido. Isso exige atenção especial das equipes para evitar superaquecimento ao longo das 70 voltas da prova.
A dificuldade para realizar ultrapassagens é um marco nesta prova, por isso a classificação no sábado se torna a sessão mais importante do evento. Os times ainda podem trabalhar as estratégias de parada, escolhendo entre uma ou duas trocas de pneus, dependendo da situação em pista.
Por essas características, as equipes costumam optar por configurações de máxima carga aerodinâmica, privilegiando estabilidade e aderência nas inúmeras curvas de baixa e média velocidade. Além da configuração aerodinâmica mais carregada, as equipes também utilizam o máximo desempenho da unidade de potência ao longo da volta, já que a exigência energética do traçado é considerada elevada, em um perfil semelhante ao de Mônaco.
Outro fator determinante costuma ser o calor intenso do verão europeu. Em Budapeste, as temperaturas frequentemente figuram entre as mais altas de todo o calendário, elevando significativamente a degradação térmica dos pneus, principalmente do eixo traseiro, devido à grande demanda por tração nas saídas de curva. As condições climáticas também tornam a prova uma das mais exigentes fisicamente para os pilotos, já que o circuito praticamente não oferece momentos de descanso durante a volta.
O segundo setor da pista é uma parte importante para que os pilotos consigam adquirir ritmo, onde os pilotos completam uma curva, mas já precisam se posicionar para próxima. Enquanto o último setor é o que normalmente sente-se o superaquecimento dos pneus e os pilotos precisam se esforçar para encontrar um pouco de aderência.
Voltando as questões da ultrapassagem é neste terceiro setor, em que o piloto precisa se posicionar para realizar a ultrapassagem na saída da curva 14, pois basicamente a curva 1 é a melhor oportunidade que o competidor terá de superar o adversário.
Em condições normais, a pista apresenta uma evolução muito acentuada entre as sessões, sobretudo na sexta-feira. A granulação dos pneus costuma aparecer no início das atividades, mas diminui conforme o asfalto ganha aderência com o acúmulo de borracha. Esse comportamento, aliado à elevada degradação térmica, pode influenciar diretamente tanto as estratégias de corrida quanto as voltas rápidas da classificação, especialmente para quem utilizar os compostos mais macios.
A escolha dos compostos mais macios reflete as características do Hungaroring. Apesar do baixo nível de abrasividade do asfalto, a combinação de curvas lentas, longos períodos de aceleração e as altas temperaturas típicas do verão europeu impõem uma carga elevada aos pneus, especialmente ao eixo traseiro. A degradação térmica costuma ser um dos principais fatores da corrida, enquanto a granulação pode surgir nos primeiros stints, sobretudo com os compostos mais macios.
A Pirelli manterá a seleção de pneus, baseada nos compostos macios: C3 (duro – faixa branca), C4 (médio – faixa amarela) e C5 (macio – faixa vermelha), por conta do asfalto pouco abrasivo.
Para corrida de 2026, as curvas 1 e 12 foram recapeadas, fazendo parte do longo processo de modernização do traçado.

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